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A psicologia afirma que pessoas entre 60 e 90 anos que fizeram caminhadas de 15 minutos reparando no que as maravilhava não ficaram mais compassivas e sorridentes pelo exercício, mas pelo espanto
O estudo separou o efeito de caminhar daquele produzido pela atenção à vastidão, à novidade e ao encantamento
Uma caminhada curta pode mudar de significado quando a pessoa deixa de apenas cumprir o trajeto e procura algo capaz de despertar espanto. Num experimento com adultos mais velhos, todos caminharam, mas apenas um grupo recebeu instruções para observar o mundo com curiosidade. Foi nesse grupo que cresceram emoções voltadas aos outros e a intensidade dos sorrisos.
Como foi realizado o estudo das caminhadas de espanto?
O estudo reuniu 60 pessoas saudáveis, com idades entre 60 e 90 anos. Durante oito semanas, elas fizeram ao menos uma caminhada externa de 15 minutos por semana. A divisão foi aleatória: o grupo de controle recebeu apenas a orientação de caminhar, enquanto o outro aprendeu a buscar experiências de admiração e surpresa.
Os pesquisadores pediram selfies antes, durante e depois dos passeios, além de avaliações das emoções sentidas. Cada participante também respondeu a questionários diários. O artigo, publicado na revista Emotion, está disponível na biblioteca dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos.

O desenho permite separar o efeito comum da caminhada daquele associado às instruções de espanto. Os dois grupos saíam a pé; o diferencial estava no modo de prestar atenção.
8 SEMANAS
60 participantes
Adultos saudáveis entre 60 e 90 anos, distribuídos aleatoriamente em dois grupos.
15 minutos
Duração mínima das caminhadas semanais feitas ao ar livre durante o estudo.
Um diferencial
Somente um grupo foi orientado a procurar vastidão, novidade e encantamento no caminho.
Fonte: estudo “Big smile, small self”, publicado na revista Emotion.
O que mudou além do simples efeito do exercício?
Ao longo das semanas, o grupo do espanto relatou mais emoções pró-sociais, conjunto que incluía compaixão, admiração, gratidão e apreciação. Nas selfies, os avaliadores também identificaram sorrisos progressivamente mais intensos. As pessoas ainda passaram a ocupar menos espaço nas fotos, deixando mais cenário aparecer.
Fora das caminhadas, aumentaram as emoções positivas voltadas aos outros e caiu o sofrimento diário, sobretudo tristeza e medo. O resultado não autoriza dizer que o exercício físico foi irrelevante. Ele mostra que, entre pessoas que caminharam, a orientação para notar algo vasto ou surpreendente acrescentou diferenças emocionais.
Caminhar na maturidade também traz questões de autonomia e confiança. Outra matéria mostra como esse hábito pode apoiar a rotina de pessoas idosas.
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Por que o estudo não diz que todos ficaram mais alegres?
Porque a alegria diária não apresentou diferença entre os grupos ao longo do tempo. A alegria aumentou durante as caminhadas de espanto, mas esse ganho não se manteve como mudança geral nos demais momentos do dia. Ansiedade, depressão e satisfação com a vida também não mudaram do início ao fim.
Os próprios autores apontam limites. A amostra era pequena, os participantes tinham baixos níveis iniciais de sofrimento e não houve acompanhamento depois das oito semanas. A queda do sofrimento diário ainda pode ter sido influenciada por diferenças existentes entre os grupos no começo do experimento.
Também não se sabe se os efeitos continuaram depois da pesquisa. Os resultados descrevem mudanças modestas durante um período curto, não uma transformação permanente da personalidade ou da saúde mental.

Como experimentar uma caminhada de espanto com cuidado?
O Laboratório de Neurociência Clínica e Afetiva da UCSF recomenda caminhar ao ar livre por pelo menos 15 minutos. Também orienta limitar o celular e olhar com curiosidade. Um lugar novo ajuda, mas detalhes inesperados de uma rua conhecida também podem provocar admiração.
A proposta não substitui tratamento nem promete felicidade duradoura. Ela convida a deslocar a atenção para além de si por alguns minutos. Se a mobilidade e a segurança permitirem, escolha um trajeto confortável e observe céu, árvores, arquitetura ou movimento. Depois, conte qual detalhe ampliou seu olhar.
O bem-estar na velhice também depende de continuar participando e contribuindo. Uma conversa simples pode devolver protagonismo a pais e avós.
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