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A psicologia confirma: pessoas que agradecem o motorista do ônibus ao descer podem não estar só sendo educadas, mas demonstrando atenção a quem normalmente passa despercebido
Estudos da Universidade de Chicago com passageiros de trem e ônibus mostram que contatos rápidos melhoram o trajeto e que um agradecimento vale mais do que se imagina
Aquele “obrigado, motorista” dito na porta, antes de pisar na calçada, parece só boa educação. Para a psicologia social, pequenos gestos de gratidão a quem presta um serviço diário revelam algo a mais. Eles mostram a capacidade de enxergar o outro como pessoa, e não como parte da paisagem. No transporte público do Rio, o motorista de ônibus passa horas ao volante quase sem ser notado, e esse reconhecimento rápido ganha peso.
O que a psicologia social diz sobre agradecer ao motorista?
A psicologia social trata esse tipo de agradecimento como um sinal de atenção a quem costuma ficar invisível na rotina. O motorista conduz dezenas de pessoas por viagem, mas raramente é olhado nos olhos ou cumprimentado.
Pesquisadores da Universidade de Chicago mostraram que a gente subestima o efeito desses contatos rápidos. No estudo “Mistakenly Seeking Solitude”, Nicholas Epley e Juliana Schroeder acompanharam passageiros de trem e de ônibus da cidade americana, como informou a Chicago Booth School of Business.
Quem puxou papo com um desconhecido relatou uma viagem bem mais agradável do que quem seguiu calado. Antes do teste, outro grupo de passageiros tinha apostado exatamente no contrário.
Por que tanta gente deixa de falar com quem está no ônibus?
Segundo os autores, o silêncio vem em boa parte de um erro de cálculo: subestimamos o quanto os outros querem se conectar. Com isso, muita gente nunca descobre o lado bom de um contato simples.

Epley fez uma ressalva importante. Conversar com estranhos no trem pode não trazer os mesmos benefícios de longo prazo que a convivência com amigos. Ainda assim, a melhora no humor durante o trajeto apareceu com clareza nos experimentos publicados no periódico Journal of Experimental Psychology: General.
Para quem encara ônibus, BRT e trem lotados na Região Metropolitana, a lição é direta. Um bom-dia ou um obrigado custa pouco e quebra o piloto automático do trajeto. É aí que entra a empatia, a capacidade de se colocar no lugar de quem enfrenta trânsito pesado e horário apertado.
O mesmo raciocínio vale para outros agradecimentos na rua. Aqui na Super Rádio Tupi, uma reportagem explica o que revela o aceno ao motorista que para na faixa.
Como a gratidão é recebida por quem ouve o obrigado?
Quem recebe um agradecimento costuma se sentir bem melhor do que quem agradece imagina. A conclusão é de Amit Kumar e Nicholas Epley, em pesquisa publicada no periódico Psychological Science e divulgada pela Universidade de Chicago.

Em quatro experimentos, os participantes escreveram cartas de agradecimento e tentaram prever a reação dos destinatários. Eles exageraram o constrangimento que causariam e subestimaram a alegria e a surpresa de quem leu. Também se preocuparam demais com as palavras, enquanto os destinatários reagiram sobretudo à sinceridade.
A pesquisa envolveu cartas, mas a lógica conversa com o dia a dia do motorista de ônibus. O receio de parecer esquisito trava o gesto, e a psicologia social mostra que quem ouve tende a valorizar mais do que se espera.
Por que vale manter o hábito de agradecer ao descer do ônibus?
Porque o gesto reconhece o trabalho de quem garante o deslocamento da cidade e, segundo os estudos da psicologia social, tende a melhorar o momento dos dois lados. Ninguém é obrigado a agradecer, e o obrigado não resolve atrasos ou lotação no transporte público. Mesmo assim, humaniza um serviço que muita gente usa todos os dias.
Gratidão e empatia também não passam por cima da segurança: com o ônibus andando, o certo é não distrair quem está ao volante. Na próxima vez que descer, experimente olhar para o motorista e soltar um obrigado. Depois conta pra gente se o dia de vocês dois não ficou um pouquinho melhor.
Se você curte entender o que os pequenos hábitos dizem sobre a gente, tem outra leitura no site sobre um costume bem comum.
Por que você costuma pedir “desculpa” o tempo todo, segundo a psicologia➔