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A psicologia diz que pessoas que desviam o olhar enquanto falam não fazem isso apenas por timidez, mas também para reduzir a sobrecarga durante a conversa

Desviar o olhar enquanto fala pode ajudar a encontrar palavras e recuperar lembranças quando a conversa exige mais esforço mental

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A psicologia diz que pessoas que desviam o olhar enquanto falam não fazem isso apenas por timidez, mas também para reduzir a sobrecarga durante a conversa
Desviar o olhar enquanto fala pode acompanhar o esforço de lembrar informações e organizar uma resposta. (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Desviar o olhar enquanto fala nem sempre significa timidez ou falta de interesse. Pesquisas em psicologia relacionam esse comportamento ao esforço de recuperar lembranças, escolher palavras e organizar uma resposta. Em determinadas situações, interromper brevemente o contato visual pode ajudar a lidar com as exigências mentais da conversa, sem representar afastamento emocional.

Por que olhar nos olhos pode competir com a organização da fala?

Conversar envolve várias atividades simultâneas: acompanhar o assunto, interpretar reações e selecionar o que dizer. Um estudo de Shogo Kajimura e Michio Nomura, publicado na revista Cognition, investigou essa relação por meio de uma tarefa de geração de verbos. O experimento foi publicado em 2016 na Cognition e examinou como olhar direto e olhar desviado interferiam em uma tarefa de geração de verbos. Os resultados indicaram interferência do contato visual quando a tarefa exigia mais recursos de processamento.

Isso dá apoio à ideia de que olhar para outra pessoa e formular uma resposta podem disputar parte dos recursos cognitivos disponíveis. Desviar o olhar pode acompanhar um esforço de concentração. O experimento, porém, não permite concluir que todo movimento dos olhos tenha essa função nem que o contato visual sempre atrapalhe a comunicação.

A psicologia diz que pessoas que desviam o olhar enquanto falam não fazem isso apenas por timidez, mas também para reduzir a sobrecarga durante a conversa
Desviar o olhar enquanto fala pode acompanhar o esforço de lembrar informações e organizar uma resposta. (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Em quais momentos da conversa essa mudança pode aparecer?

É possível perceber a alternância do olhar quando uma pergunta exige mais elaboração do que uma resposta automática. Imagine explicar um problema do trabalho e tentar lembrar a sequência dos acontecimentos. Olhar brevemente para um ponto neutro pode acompanhar essa organização. Outras situações ajudam a ilustrar o esforço envolvido:

  • Procurar uma palavra específica para descrever algo que não costuma ser explicado em voz alta;
  • Recordar quem participou de uma conversa e em que ordem os fatos aconteceram;
  • Fazer uma conta mental antes de responder sobre valores ou quantidades;
  • Comparar duas possibilidades e apresentar os motivos de uma preferência;
  • Organizar uma explicação longa sem perder a ligação entre suas diferentes partes.

O que as pesquisas mostram sobre olhar para longe e lembrar?

Em um trabalho publicado em 1998, Arthur Glenberg, Jennifer Schroeder e David Robertson observaram uma relação entre a dificuldade das tarefas cognitivas e a frequência de desvios do olhar. Seus experimentos também indicaram que esse comportamento não podia ser explicado apenas por constrangimento e que afastar o olhar favorecia o desempenho nas condições estudadas.

Uma interpretação é que diminuir o processamento de informações do ambiente pode facilitar a concentração na tarefa mental. Ainda assim, um gesto isolado não revela a intenção de quem conversa. Desviar o olhar também pode ter relação com desconforto, hábitos ou estímulos ao redor. Para compreender a situação, é necessário considerar o conteúdo da conversa e o contexto.

A psicologia diz que pessoas que desviam o olhar enquanto falam não fazem isso apenas por timidez, mas também para reduzir a sobrecarga durante a conversa
Desviar o olhar enquanto fala pode acompanhar o esforço de lembrar informações e organizar uma resposta. (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Como conversar sem transformar o contato visual em uma cobrança?

Se alguém olha para o lado enquanto explica uma ideia, convém acompanhar o raciocínio antes de concluir que perdeu o interesse. A pessoa pode continuar respondendo diretamente ao assunto e demonstrando atenção pelas palavras. Algumas atitudes permitem manter a troca sem exigir que os olhos permaneçam fixos no interlocutor:

  • Dê espaço para uma pausa quando a pessoa estiver tentando lembrar ou formular uma resposta;
  • Evite interromper a explicação apenas para pedir que ela olhe diretamente para você;
  • Se houver dúvida sobre a compreensão, pergunte sobre o conteúdo, sem interpretar o movimento dos olhos;
  • Em assuntos complexos, apresente uma pergunta de cada vez para facilitar o acompanhamento;
  • Se você costuma olhar para longe ao pensar, pode explicar: “Estou organizando a resposta, continuo acompanhando a conversa”.

Leia também: Especialistas em psicologia concordam: “Quem chora quando está com raiva pode não estar confundindo emoções, mas expressando de uma forma aprendida aquilo que não conseguia demonstrar na infância”

A atenção pode aparecer de diferentes maneiras

O contato visual tem importância nas interações, mas não precisa funcionar como uma prova permanente de respeito. Uma resposta pertinente, uma pergunta sobre o que foi dito ou a retomada de um detalhe também ajudam a perceber o envolvimento na conversa. Observar esse conjunto oferece mais informações do que avaliar apenas a direção do olhar.

Desviar o olhar enquanto fala pode fazer parte do trabalho de pensar e comunicar. Reconhecer essa possibilidade permite dar tempo para que uma lembrança seja recuperada ou um argumento ganhe forma. Em vez de exigir uma postura visual constante, a conversa pode se apoiar na escuta, nas perguntas e na oportunidade de esclarecer aquilo que ainda ficou confuso.