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A psicologia diz que pessoas que guardam presentes sem utilidade podem não estar apenas sendo apegadas, mas tentando preservar o carinho de quem as presenteou

A psicologia ajuda a entender por que algumas pessoas guardam presentes mesmo sem usar

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A psicologia diz que pessoas que guardam presentes sem utilidade podem não estar apenas sendo apegadas, mas tentando preservar o carinho de quem as presenteou
Alguns presentes continuam importantes mesmo quando já não têm utilidade prática (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Guardar presentes sem utilidade pode ter mais relação com memória afetiva e vínculos do que com a vontade de acumular objetos. Uma caneca que nunca sai do armário ou um enfeite fora de lugar podem lembrar uma amizade, um aniversário ou alguém que já morreu. Para quem conserva essas lembranças, o valor está na história associada à peça.

Por que um objeto sem uso continua tendo valor afetivo?

Um presente pode conservar o significado de uma ocasião mesmo depois de perder espaço na rotina. A roupa deixou de servir, mas ainda lembra o cuidado de quem escolheu a cor. O chaveiro está quebrado, porém remete à viagem de uma pessoa querida. A utilidade prática e o valor sentimental são dimensões diferentes, que nem sempre diminuem juntas.

Uma pesquisa de Yang Yang e Jeff Galak, publicada em 2015, investigou o valor sentimental em sete estudos. Os resultados indicaram que as associações afetivas podem sustentar a satisfação com um objeto ao longo do tempo, mesmo quando o interesse por suas características diminui. Isso ajuda a compreender por que uma lembrança continua importante depois que sua função original perdeu relevância.

A psicologia diz que pessoas que guardam presentes sem utilidade podem não estar apenas sendo apegadas, mas tentando preservar o carinho de quem as presenteou
Alguns presentes continuam importantes mesmo quando já não têm utilidade prática (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Que lembranças podem estar ligadas a esses presentes?

Guardar presentes sem utilidade pode representar a tentativa de manter acessível uma experiência de afeto. Em vez de enxergar apenas o material, a pessoa se recorda de quem estava presente, do que ouviu e de como se sentiu naquela ocasião. Esse significado pode aparecer em objetos como:

  • Uma lembrancinha de aniversário associada à presença de amigos.
  • Um artesanato feito por um filho durante a infância.
  • Um acessório recebido de alguém com quem o contato diminuiu.
  • Uma peça escolhida por um familiar que já morreu.
  • Um cartão guardado pelas palavras escritas à mão.

Quando o carinho se mistura com a culpa de se desfazer?

Em algumas situações, doar um presente parece equivalente a rejeitar quem o ofereceu. A pessoa reconhece que não gosta da peça, mas teme parecer ingrata. Esse receio pode dificultar uma decisão sobre o espaço ocupado no armário, sobretudo quando há a expectativa de que o presenteador pergunte pelo objeto em uma próxima visita.

Essa é uma possibilidade, não uma explicação para todos os casos. Há quem guarde por esquecimento, por apreciar coleções ou por desejar transmitir lembranças aos filhos. Conservar um presente não revela, sozinho, dependência emocional ou dificuldade de seguir em frente. A diferença está no significado da escolha e em quanto ela provoca satisfação, obrigação ou sofrimento.

A psicologia diz que pessoas que guardam presentes sem utilidade podem não estar apenas sendo apegadas, mas tentando preservar o carinho de quem as presenteou
Alguns presentes continuam importantes mesmo quando já não têm utilidade prática (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Como preservar a lembrança quando falta espaço em casa?

Para quem deseja reduzir a quantidade de objetos, registrar a história pode ser uma alternativa. Uma pesquisa publicada em 2017 no Journal of Marketing mostrou que incentivar fotografias de bens sentimentais aumentou as doações em uma campanha. Os experimentos também relacionaram essa estratégia à redução da sensação de perda de identidade. Conforme a preferência de cada pessoa, é possível:

  • Fotografar o presente e escrever quem o ofereceu e em qual ocasião.
  • Selecionar algumas peças para uma caixa de recordações.
  • Guardar o cartão ou bilhete que acompanhou o embrulho.
  • Dar destaque a uma lembrança, em vez de manter várias esquecidas.
  • Doar um item em boas condições quando houver vontade de fazê-lo.

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O vínculo afetivo também existe fora do armário

Guardar presentes sem utilidade pode ser uma escolha de preservar referências da própria história. Não é preciso justificar toda lembrança pelo uso diário, nem se desfazer dela para demonstrar desapego. Uma caixa organizada com cartões e pequenos objetos pode oferecer um lugar para recordar pessoas e acontecimentos que continuam tendo significado.

Ao mesmo tempo, a gratidão não depende de conservar todos os objetos recebidos. Conversas, fotografias e histórias compartilhadas também mantêm vínculos e lembranças acessíveis. Se decidir sobre os pertences provoca sofrimento intenso ou impede o uso dos espaços da casa, o apoio psicológico pode ajudar a compreender essa relação com as memórias, respeitando o ritmo de quem as guarda.