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A psicologia explica: quem cresceu sem internet nos anos 80 e 90 desenvolveram esta habilidade valiosa

Crescer sem internet pode ter fortalecido uma habilidade que faz diferença até hoje.

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A psicologia explica: quem cresceu sem internet nos anos 80 e 90 desenvolveram esta habilidade valiosa
O que existia era bola de couro, terra batida e treino repetido dia após dia.

Quem passou a infância entre 1980 e 1999 conhece a cena. Tarde inteira na rua, telefone fixo tocando de vez em quando, televisão sem controle remoto no fim do dia. A psicologia contemporânea aponta que crescer sem internet nos anos 80 e 90 desenvolveu, sem que ninguém percebesse, uma habilidade que hoje ficou rara: o foco profundo. E poucos exemplos ilustram isso melhor do que a infância de Lionel Messi em Rosário, na Argentina.

Por que essa geração parece tão diferente de quem cresceu conectado?

Basta observar uma reunião de família com netos, filhos e avós em volta da mesma mesa. Os avós contam da vez que ficaram meses lendo um único livro. Os pais lembram das tardes montando quebra-cabeça sem apressar o fim. Os netos, no meio da conversa, já verificaram o celular três vezes. O contraste não é preguiça de geração nova, é histórico de treino.

Quem cresceu antes do celular precisava sustentar atenção porque não havia alternativa. Ler um livro exigia ler o livro. Jogar futebol na rua exigia jogar por horas com os mesmos amigos, sem trocar de partida. A vida educava a paciência pelo simples fato de não oferecer atalho.

A psicologia explica: quem cresceu sem internet nos anos 80 e 90 desenvolveram esta habilidade valiosa
Foco profundo é a capacidade de mergulhar numa única tarefa por um período longo, sem interrupção mental ou externa.

Como a infância de Messi mostra essa habilidade em ação?

Nascido em 1987, Lionel Messi passou a infância chutando bola no clube Grandoli e, depois, nas categorias de base do Newell’s Old Boys. Não havia rede social, não havia engajamento digital, não havia distração no bolso. O que existia era bola de couro, terra batida e treino repetido dia após dia.

Ele ainda enfrentou, desde cedo, o diagnóstico de deficiência do hormônio do crescimento, tratado com injeções diárias. Toda a energia mental dele, incluindo a necessária para atravessar esse tratamento longo, foi dedicada a um único objetivo prático. Esse tipo de constância dificilmente floresceria no meio das notificações constantes de hoje.

O que exatamente é o foco profundo que a psicologia descreve?

Foco profundo é a capacidade de mergulhar numa única tarefa por um período longo, sem interrupção mental ou externa. O psicólogo americano Cal Newport popularizou o termo em livros sobre trabalho de alto desempenho, mas a ideia é antiga e aparece em várias tradições de aprendizagem. Ela tem parente próximo no conceito de fluir, descrito por Mihály Csíkszentmihályi, aquele estado em que a pessoa se perde no que está fazendo e o tempo passa sem ela notar.

Quem cresceu sem internet vivenciava esse estado quase todo dia, sem chamar de nada. Messi passava tardes inteiras aprimorando o mesmo drible, e o resto do mundo simplesmente não conseguia interromper. Era treino de mente, não só de perna.

Quais outras habilidades essa infância analógica desenvolveu?

Foco profundo é a mais estudada, mas ela vem acompanhada de um conjunto de capacidades que se apoiam mutuamente. A psicologia contemporânea reconhece que quem cresceu sem tela costuma exibir algumas dessas características com mais facilidade que a geração atual. As principais são estas:

1
Tolerância à espera Aprendeu a lidar com filas, prazos longos e recompensas que demoravam a chegar.
2
Criatividade a partir do tédio Sem estímulo pronto na tela, precisava inventar brincadeira, história, jogo, música.
3
Conversa presencial demorada Amizade se sustentava por longas conversas de rua, sem pressa de encerrar para ver outra coisa.
4
Persistência em tarefas difíceis Aprender a andar de bicicleta, dominar um drible ou tocar um instrumento exigia repetição sem atalho.
5
Autonomia diante do tédio Sem app para preencher cada minuto, a mente aprendia a se divertir com pouco estímulo externo.

Como a mesma tarefa é vivida hoje e como era vivida antes?

A comparação prática ajuda a enxergar o tamanho da mudança. Não é sobre criticar quem nasceu depois, é sobre reconhecer que o ambiente muda a mente sem pedir licença. Vale ver como algumas atividades se transformaram nas últimas décadas:

Situação Infância anos 80 e 90 Infância atual
Espera pelo desenho favorito Programação Esperava a semana inteira pelo episódio. Assiste tudo de uma vez
Aprender algo novo Habilidade prática Repetia por semanas até dominar. Muda de vídeo se não pega em 5 min
Encontro com amigo Combinação prévia Combinava dia e hora e cumpria. Ajusta pelo grupo em tempo real
Tempo ocioso Sem tarefa marcada Inventava o que fazer com o que tinha em volta. Recorre à tela por reflexo

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Como resgatar essa habilidade sem sair do mundo conectado?

A boa notícia é que foco profundo não é traço fixo, é músculo. Pode ser exercitado em qualquer idade. Pesquisadores sugerem começar pequeno: escolher um período curto do dia, deixar o celular em outro cômodo, e dedicar aquele tempo exclusivamente a uma única atividade. Vinte minutos de leitura sem interrupção já contam.

O objetivo não é abandonar a tecnologia nem romantizar a infância dos anos 80. Ninguém quer voltar à espera de duas horas para uma foto revelar. A ideia é reconhecer que a habilidade construída naquele contexto tem valor prático em 2026, e Messi é a prova viva de que uma criança concentrada, treinando o mesmo movimento por horas, pode se transformar em algo que o mundo inteiro para para assistir.

💡 Curiosidade Messi começou a jogar futebol com a bola aos cinco anos no clube Grandoli, treinado pelo próprio pai, e só recebeu o primeiro contrato profissional dez anos depois, escrito num guardanapo pelo dirigente do Barcelona.