A psicologia explica: quem diz "obrigado" com muita frequência pode não estar só sendo educado, mas demonstrando gratidão, empatia e um olhar mais positivo sobre a vida - Super Rádio Tupi
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A psicologia explica: quem diz “obrigado” com muita frequência pode não estar só sendo educado, mas demonstrando gratidão, empatia e um olhar mais positivo sobre a vida

Estudos publicados no Journal of Personality and Social Psychology ligam o hábito de agradecer a mais bem-estar, atitudes solidárias e otimismo

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Reconhecer o esforço de quem ajuda aproxima a gratidão da empatia
Reconhecer o esforço de quem ajuda aproxima a gratidão da empatia - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Dizer “obrigado” ao motorista do ônibus, ao porteiro ou à moça do caixa parece só boa educação. Para a psicologia, quem agradece o tempo todo pode estar mostrando algo mais profundo: uma disposição para a gratidão, mais atenção ao esforço dos outros e um olhar mais positivo sobre a vida. As pesquisas apontam essas ligações, mas também lembram que o contexto e a intenção do gesto fazem diferença.

O que a psicologia diz sobre quem agradece o tempo todo?

A psicologia mostra que, em muitas pessoas, a gratidão funciona como um traço de personalidade. É uma tendência duradoura de notar e valorizar o que vem dos outros, e não apenas a reação a um favor isolado.

Essa ideia ganhou força com o estudo A disposição grata, dos psicólogos Michael McCullough, Robert Emmons e Jo-Ann Tsang, publicado em 2002 no periódico Journal of Personality and Social Psychology. Em quatro investigações, essa disposição apareceu associada a mais afeto positivo e bem-estar. Também surgiu ligada a comportamentos pró-sociais, aqueles voltados a ajudar e cuidar dos outros.

Os autores encontraram ainda menos inveja e menos apego a bens materiais entre as pessoas mais gratas. O resultado veio tanto da autoavaliação dos participantes quanto da opinião de pessoas próximas a eles. As relações se mantiveram mesmo quando os pesquisadores descontaram traços como extroversão e amabilidade. Ou seja: o grato não é apenas o simpático da turma.

Como a gratidão se relaciona com a empatia no dia a dia?

A ligação entre gratidão e empatia passa pela atenção ao outro. Para agradecer de verdade, a pessoa precisa perceber que alguém gastou tempo, esforço ou cuidado com ela. Esse reconhecimento é uma forma de se colocar no lugar de quem ajudou.

O efeito também aparece em quem recebe o agradecimento. Em 2010, os pesquisadores Adam Grant, da Universidade da Pensilvânia, e Francesca Gino publicaram no mesmo periódico o estudo Um pequeno obrigado vai longe. Nos experimentos, um breve bilhete de agradecimento fez as pessoas ajudarem de novo quem agradeceu e também um terceiro.

O motivo, segundo os autores, é o sentimento de valor social: quem é agradecido se sente reconhecido e útil. Num teste com captadores de doações de uma universidade, o agradecimento de um gestor aumentou o número de ligações feitas. Para o trabalhador que encara balcão, trem ou escritório no Rio, a lição é direta: o obrigado dito com atenção mexe com quem ouve.

A empatia também aparece em outras reações do cotidiano, como a emoção diante de uma propaganda. A Super Rádio Tupi já mostrou o que a ciência diz sobre isso.

Agradecer com frequência deixa a pessoa mais otimista?

As pesquisas indicam que a prática da gratidão anda junto com mais otimismo. Um dos trabalhos mais citados é Contando bênçãos versus fardos, de Robert Emmons e Michael McCullough, publicado em 2003 no Journal of Personality and Social Psychology. A pesquisa comparou quem anotava motivos de gratidão com quem listava aborrecimentos.

Em um estudo, anotar motivos de gratidão esteve associado a mais otimismo após dez semanas
Em um estudo, anotar motivos de gratidão esteve associado a mais otimismo após dez semanas – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Segundo resumo da Harvard Health Publishing, da Escola de Medicina de Harvard, depois de dez semanas o grupo da gratidão estava mais otimista. Esses participantes também se sentiam melhor com a própria vida, se exercitaram mais e foram menos ao médico do que quem focava nos problemas.

Quem quiser se aprofundar pode assistir à apresentação abaixo, em inglês, publicada por um canal da Universidade da Califórnia em Berkeley. O vídeo trata da ciência da gratidão e do que os estudos já observaram sobre ela.

Todo obrigado dito no automático revela gratidão de verdade?

Não necessariamente. A frequência do obrigado, sozinha, não prova que alguém é mais empático ou mais satisfeito com a vida. Muita gente agradece por hábito, no piloto automático, e há quem agradeça em excesso só para evitar conflito.

O que os estudos valorizam é a gratidão sentida, aquela que repara no gesto do outro. Ela não substitui a ajuda de um psicólogo em casos de ansiedade ou tristeza persistente, mas é um hábito simples e gratuito. Que tal, hoje, agradecer olhando nos olhos de alguém e reparar no que muda na conversa?

Outro comportamento comum do dia a dia também desperta a curiosidade dos especialistas. A Super Rádio Tupi explicou o que está por trás de quem solta a voz sozinho no trânsito.