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A psicologia revela que mães que tiveram filhos antes dos 20 anos e hoje passaram dos 50 não sentem só saudade da juventude, mas carregam a sensação de que a própria vida começou no dia do parto e a de antes simplesmente apagou

Mães que tiveram filhos antes dos 20 e hoje passaram dos 50 não sentem só saudade: a psicologia revela que muitas vivem como se a própria vida tivesse começado no dia do parto

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A psicologia revela que mães que tiveram filhos antes dos 20 anos e hoje passaram dos 50 não sentem só saudade da juventude, mas carregam a sensação de que a própria vida começou no dia do parto e a de antes simplesmente apagou
Mulheres que se tornam mães muito jovens podem chegar aos 50 sentindo que não viveram a juventude

🌸 Mãe antes dos 20, mulher depois dos 50

Elas trocaram a adolescência por fraldas, a balada por mamadeira, o “quem eu sou” por “o que meu filho precisa”. Agora, décadas depois, sentem que a vida de antes do parto simplesmente não existiu. E a ciência explica por quê. ⬇️

Ela tinha 17, 18, talvez 19 anos. A barriga cresceu antes do diploma. Enquanto amigas descobriam o mundo, ela descobria como trocar fraldas no escuro. Agora, passados os 50, olha para trás e percebe algo estranho: a vida antes do primeiro filho parece um filme de outra pessoa. A maternidade precoce não apenas interrompeu planos. Em muitos casos, apagou a fase em que a identidade estava sendo construída.

O que acontece com a identidade quando a maternidade chega cedo demais?

A antropóloga Dana Raphael cunhou o termo matrescência em 1973 para descrever a transformação profunda que a mulher atravessa ao se tornar mãe. Corpo, mente, relações sociais e senso de identidade mudam de forma comparável à adolescência. A diferença é que a matrescência não tem manual nem prazo definido.

Quando esse processo acontece durante a própria adolescência, duas transições se sobrepõem. A jovem está simultaneamente tentando descobrir quem é e aprendendo a cuidar de outro ser humano. Uma das identidades acaba sendo engolida pela outra. Na maioria dos casos, é a identidade individual que cede espaço.

Maternidade precoce pode fazer a vida antes dos filhos parecer um filme vivido por outra pessoa

Por que a vida de “antes” parece ter sido apagada?

Porque a memória autobiográfica precisa de experiências formativas para se consolidar. A adolescência e o início da vida adulta são períodos em que o cérebro registra vivências com intensidade especial, formando o que os psicólogos chamam de “pico de reminiscência”. Festas, viagens, primeiros amores, primeiros empregos: essas experiências criam marcos que definem quem somos.

Quando a maternidade substitui essas vivências, o pico de reminiscência se enche de mamadeiras, consultas pediátricas e noites sem dormir. Não que essas experiências sejam menos válidas. Mas a ausência de marcos puramente individuais faz com que a vida “de antes” pareça vazia, como se simplesmente não tivesse acontecido.

A ciência tem estudado como essa sobreposição de fases marca a saúde mental das mães. Os dados revelam efeitos que se estendem por décadas.

Matrescência precoce: o que a ciência observa

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Perda de identidade pré-materna

A pesquisa State of Motherhood (2020) mostrou que 78% das mães jovens se definem prioritariamente pela maternidade, deixando pouco espaço para outras dimensões do eu.

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Transições sobrepostas

Adolescência e matrescência acontecem ao mesmo tempo, gerando uma ruptura no autoconceito que pode durar décadas, segundo estudo publicado no PMC.

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Potencial de crescimento

A APA aponta que a maternidade pode expandir a identidade e gerar novas qualidades pessoais, mas esse processo exige reconhecimento e suporte.

Fonte: conceito de matrescência expandido por Aurelie Athan (Columbia University), publicado no National Library of Medicine / PMC

O que essas mães sentem quando os filhos crescem e saem de casa?

Muitas descrevem uma espécie de vazio identitário. Com os filhos independentes, a função que ocupou a vida inteira perde a intensidade. E o que sobra por baixo? Uma mulher que mal se conhece fora do papel materno. A sensação não é só de ninho vazio. É de reencontro com uma desconhecida.

  • A mãe precoce frequentemente pula etapas de autoconhecimento que outras mulheres vivem entre os 20 e os 30 anos.
  • Aos 50, quando finalmente tem tempo para si, pode sentir culpa por desejar algo que “deveria” ter superado há muito tempo.
  • O luto não é pela juventude perdida. É pela versão de si mesma que nunca chegou a existir.
Mulheres que viram mães na adolescência podem sentir décadas depois que perderam parte da juventude

É possível reconstruir uma identidade própria depois dos 50?

Sim. A pesquisadora Liz Hall, da Universidade de Biola, publicou estudos pela APA mostrando que a maternidade pode expandir o senso de identidade, desenvolvendo qualidades que se transferem para outras áreas da vida. A mesma resiliência que sustentou anos de criação pode ser direcionada para novos projetos, estudos, relações e descobertas pessoais.

  • Terapia focada em identidade e transições de vida pode ajudar a reorganizar a narrativa pessoal sem negar a maternidade.
  • Retomar estudos, hobbies ou atividades abandonadas na juventude é uma forma concreta de preencher lacunas biográficas.
  • Compartilhar a experiência com outras mulheres que viveram o mesmo reduz o isolamento e valida sentimentos que ficaram guardados por décadas.

Essa sensação de “vida apagada” tem cura?

Não é exatamente uma cura. É um reencontro. A vida antes do parto não desapareceu. Ela foi interrompida e ficou sem continuação. Agora, com os filhos crescidos e o tempo a seu favor, essa mulher pode, enfim, conhecer a pessoa que existia antes de ser mãe.

Se você se enxergou nesse texto, lembre-se: nunca é tarde para começar a viver o capítulo que ficou em branco. Sua história não começou no parto. Ela apenas tomou um desvio muito longo.