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A raiz esquecida que já foi alimento básico de antigas civilizações

Essa raiz nutritiva foi importante na alimentação de várias civilizações

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A raiz esquecida que já foi alimento básico de antigas civilizações
A raiz esquecida que já foi alimento básico de antigas civilizações

Durante muito tempo, o cará ocupou espaço de destaque na alimentação de diversos povos, servindo como fonte acessível de energia e nutrientes. Hoje, porém, essa raiz é muitas vezes deixada de lado, seja por desconhecimento, seja pela confusão com outros tubérculos, como o inhame, embora siga presente em feiras e mercados pelo país. Em um cenário de debates sobre alimentação saudável, sustentabilidade e resgate de ingredientes tradicionais, o cará volta a chamar a atenção de pesquisadores, chefs e agricultores. A raiz, que já sustentou civilizações inteiras, revela potencial nutricional relevante, com destaque para sua atuação como antioxidante natural e para novas possibilidades econômicas para pequenos produtores.

O que é o cará e por que ele é confundido com o inhame

O cará é um tubérculo pertencente principalmente ao gênero Dioscorea, cultivado em regiões tropicais e subtropicais. No Brasil, o termo gera confusão porque, em alguns estados, cará e inhame são usados como sinônimos, enquanto em outros designam plantas distintas. Em linhas gerais, o cará apresenta formato mais alongado ou irregular e casca mais áspera, enquanto o inhame tende a ser arredondado, embora existam variações regionais.

Essa confusão terminológica contribui para que o cará seja subutilizado e pouco reconhecido como alimento funcional. Muitas famílias associam o inhame ao fortalecimento do sistema imunológico, mas não relacionam o cará ao mesmo universo de nutrição e saúde. Somam-se a isso a substituição de receitas tradicionais por batata inglesa, mandioca ou produtos industrializados e o desconhecimento sobre a diversidade de espécies de cará disponíveis no país.

A raiz esquecida que já foi alimento básico de antigas civilizações
Cará: a raiz poderosa que já foi alimento essencial no passado

Quais são os benefícios antioxidantes e nutricionais do cará

O principal destaque do cará atualmente é sua atuação como alimento com potencial antioxidante. Estudos apontam que a raiz contém compostos fenólicos, vitaminas e minerais que ajudam a combater o excesso de radicais livres no organismo, associados ao envelhecimento celular e a doenças crônicas. Embora não seja um “remédio”, o consumo regular de cará pode contribuir com uma alimentação protetora e equilibrada.

Entre os nutrientes presentes no cará, alguns se sobressaem por sua relação com a defesa do organismo, o metabolismo e a manutenção da saúde. A seguir, veja os componentes que mais chamam a atenção em análises nutricionais da raiz:

Nutriente ou compostoPresença no caráBenefício para a saúde
Vitamina CPresente na raiz em quantidades moderadas.Auxilia na defesa imunológica e na proteção das células contra radicais livres.
Vitaminas do complexo BInclui vitaminas ligadas ao metabolismo energético.Contribui para o funcionamento do sistema nervoso e produção de energia.
Fibras alimentaresEncontradas na polpa da raiz.Favorecem a saúde intestinal, a saciedade e o controle glicêmico.
Minerais essenciaisPotássio, manganês e outros micronutrientes.Participam do equilíbrio de líquidos e da atividade de enzimas antioxidantes.
Carboidratos complexosFonte energética de absorção gradual.Fornece energia estável e ajuda a evitar picos de glicose.

Como incluir o cará no dia a dia de forma simples e variada

Apesar de pouco valorizado em muitas regiões, o cará é versátil e se adapta bem a diferentes preparos culinários. A raiz pode substituir outros tubérculos em pratos salgados e doces, ampliando o uso tanto na cozinha doméstica quanto na gastronomia profissional. Seu sabor é suave, o que facilita o consumo por crianças, idosos e pessoas que preferem alimentos menos marcantes.

Em preparações quentes, parte dos compostos antioxidantes pode sofrer alguma perda, como ocorre com outros vegetais. No entanto, o cará continua mantendo bom valor nutricional, especialmente quando preparado com técnicas que preservam mais nutrientes, como cozimento no vapor ou em pouca água. Também é possível utilizá-lo em receitas combinadas com leguminosas e proteínas, formando refeições mais completas.

Alguns alimentos que já foram essenciais para muitas civilizações acabaram ficando quase esquecidos com o passar do tempo. O cará é um exemplo disso, muitas vezes confundido com o inhame.

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Quais são as principais formas de preparo e uso do cará na cozinha

O cará pode entrar no cardápio em substituição parcial ou total a outros tubérculos, contribuindo para maior diversidade alimentar. Ao variar os modos de preparo, é possível aumentar a aceitação da raiz na família e aproveitar melhor suas características sensoriais e nutricionais. A combinação com temperos frescos, ervas e boas fontes de gordura, como azeite, também enriquece o sabor.

Entre as formas mais comuns e práticas de uso do cará, destacam-se preparos simples do dia a dia e adaptações de receitas tradicionais. A lista a seguir reúne algumas ideias que podem ser facilmente incorporadas à rotina alimentar:

  • Cozer em água e sal para consumo simples, como acompanhamento de refeições;
  • Preparar purês, cremes e sopas, em substituição parcial ou total à batata;
  • Cortar em cubos e assar com ervas, especiarias e azeite;
  • Ralar o cará cru e incorporá-lo a massas de bolinhos, pães ou tortas salgadas;
  • Utilizar em receitas regionais que tradicionalmente já incluíam a raiz, adaptando temperos ao gosto local.

Por que o cará é considerado uma raiz esquecida e qual seu potencial futuro

O cará é frequentemente classificado como alimento subutilizado ou “esquecido” porque, apesar de conhecido há séculos, perdeu espaço para culturas mais difundidas, como batata, milho e arroz. Urbanização, mudanças de hábito alimentar e padronização de produtos nos supermercados reduziram sua visibilidade, afastando o ingrediente do cotidiano urbano. Ainda assim, em muitas áreas rurais, o plantio de cará segue ativo em quintais e pequenas propriedades.

Nos últimos anos, cresce o interesse por plantas alimentícias tradicionais e espécies consideradas negligenciadas ou pouco exploradas. Nesse contexto, o cará surge como alternativa promissora para diversificar a alimentação, valorizar a agricultura familiar, aproveitar seu potencial nutricional e resgatar receitas regionais. Em um cenário de preocupação com segurança alimentar, mudanças climáticas e custo de vida, a raiz tende a ganhar espaço em políticas públicas, programas de alimentação escolar e iniciativas de gastronomia social, reforçando seu papel na biodiversidade alimentar.