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A Taça de pedra de 300 milhões de anos no Paraná nasceu quando a região era coberta de gelo perto do Polo Sul
A misteriosa taça de pedra do Paraná surgiu em um mundo de gelo há 300 milhões de anos.
No interior do Paraná, uma cidade guarda esculturas de pedra mais antigas que os dinossauros. Ponta Grossa, a Princesa dos Campos, abriga o Parque Estadual de Vila Velha, onde arenitos foram moldados ao longo de 300 milhões de anos até formarem figuras como uma taça gigante. A cidade dos Campos Gerais transformou sua geologia rara no maior cartão-postal.
Como os arenitos de Vila Velha se formaram há 300 milhões de anos?
A história começa num tempo em que o Brasil ficava perto do Polo Sul. Segundo o Instituto Água e Terra (IAT), órgão ambiental do Paraná, os arenitos do Parque Estadual de Vila Velha se formaram há cerca de 300 milhões de anos, no Período Carbonífero, quando a região era coberta por geleiras, numa época em que a América do Sul estava muito mais próxima do Polo Sul do que hoje.
A rocha nasceu da compactação de camadas de areia depositadas por esses antigos lagos glaciais, formando o chamado Arenito Vila Velha. Depois que o gelo derreteu e os continentes se moveram, começou o trabalho de milhões de anos do vento e da chuva, que esculpiram a pedra avermelhada em formas surpreendentes. A mais famosa lembra uma taça, símbolo do parque, ao lado de figuras batizadas de camelo, bota, esfinge e proa de navio.

O que são as furnas, os “caldeirões do inferno”?
São crateras profundas abertas no próprio chão. As furnas do Parque Estadual de Vila Velha são enormes poços cilíndricos formados pelo desabamento do teto de cavidades subterrâneas, com paredes de arenito e lagos de água no fundo, alimentados pelo lençol freático. A vegetação exuberante que cresce em suas bordas e a profundidade assustadora renderam a elas o apelido histórico de caldeirões do inferno.
Elas pertencem a uma camada ainda mais antiga que os arenitos avermelhados. Conforme o Patrimônio Cultural do Paraná, as furnas se formaram na Formação Furnas, de cerca de 400 milhões de anos, quando a região era um ambiente marinho. Perto delas fica a Lagoa Dourada, que ganha esse nome por refletir a luz do sol em tons dourados ao entardecer, cercada de lendas locais.
O que visitar em Ponta Grossa além dos arenitos?
A cidade concentra atrações geológicas espalhadas pelos Campos Gerais, de cachoeiras a cânions. Muitas ficam dentro de unidades de conservação e exigem trilha ou guia.
O que a história tropeira e alemã deixou na cidade?
Antes de ser cidade dos arenitos, Ponta Grossa foi parada de tropeiros. A região dos Campos Gerais era cruzada desde o século XVIII pelas tropas que levavam gado e mercadorias do Rio Grande do Sul rumo a São Paulo, e o ponto de descanso nessas viagens deu origem ao povoado. O apelido Princesa dos Campos nasceu dessa posição de destaque entre as cidades da região.
A chegada da ferrovia e de imigrantes europeus moldou o segundo capítulo. Alemães, poloneses e ucranianos se instalaram na região e deixaram marcas na culinária e nas festas, como a MunchenFest, celebração da cultura germânica que acontece na cidade. Hoje Ponta Grossa é um importante entroncamento rodoferroviário do Sul e um dos maiores municípios do interior paranaense.
O que comer em Ponta Grossa?
A gastronomia mistura a tradição tropeira dos Campos Gerais com a herança dos imigrantes europeus. Os pratos fartos combinam com o clima frio da região.
- Feijão tropeiro: prato de raiz dos tropeiros, com feijão, farinha de mandioca, carne e ovos, símbolo da cozinha dos Campos Gerais.
- Comida alemã: joelho de porco, salsichas e chucrute, herança dos imigrantes germânicos, servidos especialmente na MunchenFest.
- Pierogi: pastel cozido recheado, tradição das comunidades polonesa e ucraniana da região.
- Cerveja artesanal: a cidade tem cervejarias reconhecidas, com produção local que acompanha a gastronomia de inverno.

Como é o clima em Ponta Grossa ao longo do ano?
O clima é subtropical úmido, com quatro estações definidas e chuvas distribuídas pelo ano. A altitude de cerca de 900 metros garante invernos frios, com geadas e madrugadas de um dígito, e verões amenos.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Ponta Grossa?
Ponta Grossa fica a cerca de 115 km de Curitiba, capital do estado, viagem de pouco mais de uma hora de carro pela BR-376. O Parque Estadual de Vila Velha fica à margem da própria rodovia, a cerca de 20 km do centro da cidade, o que facilita o acesso. O aeroporto mais próximo é o de Curitiba, e a cidade é um dos maiores entroncamentos rodoferroviários do Sul do Brasil.
A cidade onde a pedra conta a história do planeta
Ponta Grossa transformou um acidente geológico de centenas de milhões de anos em seu maior tesouro. Entre os arenitos esculpidos de Vila Velha, as furnas profundas e a cachoeira escondida do Buraco do Padre, a Princesa dos Campos oferece uma viagem a um passado anterior aos dinossauros, no coração dos Campos Gerais.
Você precisa conhecer Ponta Grossa, caminhar entre as esculturas de pedra de Vila Velha e espiar o fundo de uma furna para entender como o tempo transformou um antigo mar de gelo numa das paisagens mais raras do Brasil.