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A Terra do Vinho paulista fundada em 1657 abriga a mais antiga vinícola do estado, o Sítio Santo Antônio doado ao IPHAN e a Rota do Vinho com mais de 40 vinícolas
Entre vinhedos, casarões e propriedades rurais.
Cidade turística costuma nascer da vocação turística. São Roque, no interior de São Paulo, faz o contrário. A cidade nasceu como fazenda de trigo e uva em 1657, ganhou o apelido oficial de Terra do Vinho pela tradição vinícola contínua desde então, guarda um dos mais antigos conjuntos bandeiristas do Brasil doado ao IPHAN pelo escritor Mário de Andrade, e virou Estância Turística em 1990. Fica a apenas 60 km da capital paulista.
Por que São Roque é chamada de Terra do Vinho?
Por 368 anos de tradição vinícola contínua. Segundo o portal oficial da Prefeitura da Estância Turística de São Roque, a cidade foi fundada em 16 de agosto de 1657 pelo capitão paulista Pedro Vaz de Barros, também conhecido como Vaz-Guaçu, o Grande, pertencente a uma antiga linhagem de bandeirantes. Ele se estabeleceu com sua família e cerca de 1.200 indígenas às margens dos ribeirões Carambeí e Aracaí, começando o cultivo de trigo e uva desde o primeiro ano do povoado.
A tradição vinícola quase desapareceu ao longo dos séculos, mas foi reacendida a partir de 1884, com a chegada de imigrantes italianos e portugueses. Foram eles que utilizaram as encostas dos morros da região para formar vinhedos, instalaram adegas familiares e consolidaram o município como Terra do Vinho, apelido reconhecido oficialmente pela Prefeitura. A cidade foi elevada à condição de Vila em 1832, virou Município em 1864 e recebeu o título de Estância Turística em 1990.

Como funciona o Roteiro do Vinho, principal atração da cidade?
Como o maior circuito de enoturismo de São Paulo. Segundo a Divisão de Turismo de São Roque, o Roteiro do Vinho é formado por três vias: a Estrada do Vinho, a Estrada dos Venâncios e a Rodovia Quintino de Lima. O circuito reúne mais de 40 estabelecimentos entre vinícolas, adegas, restaurantes, pousadas, fazendas produtoras e empórios de produtos coloniais.
As vinícolas oferecem degustação gratuita de vinhos de mesa e degustações pagas de vinhos finos. O terroir da região gerou variedades próprias, como a uva Lorena, típica do município, e há também uvas europeias nobres como Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Chardonnay. O trajeto é livre e pode ser percorrido de carro, moto ou bicicleta, com sinalização em toda a extensão. Os principais eventos do calendário são a Festa da Uva e do Vinho, em janeiro e fevereiro, e a Expo São Roque, em outubro, que reúne produtores de uva, vinho e alcachofra.
O que faz o Sítio Santo Antônio ser único no país?
A combinação entre arquitetura bandeirista, testamento literário e tombamento federal. Segundo o portal oficial da Divisão de Turismo de São Roque, o Sítio Santo Antônio é um dos mais importantes conjuntos bandeiristas do período colonial brasileiro. A Casa Grande foi construída por volta de 1640 pelo capitão Fernão Paes de Barros, irmão do fundador da cidade, em taipa de pilão sobre embasamento de pedra. A Capela de Santo Antônio, ao lado, foi erguida em 1681, também em taipa de pilão, com torre de pedra recoberta com barro.
O sítio pertenceu ao Barão de Piratininga e, em 1944, foi adquirido pelo escritor modernista Mário de Andrade, autor de Macunaíma. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o próprio Mário de Andrade escreveu sobre o local em A Capela de Santo Antônio, publicado na Revista do Patrimônio nº 1, em 1937. Após sua morte, em 25 de fevereiro de 1945, o sítio foi doado ao SPHAN, atual IPHAN, por disposição testamentária, com o objetivo declarado de servir como local de repouso para artistas brasileiros. O restauro foi conduzido pelo arquiteto Luís Saia.
Quais outras atrações completam o roteiro cultural e ecológico?
A cidade combina patrimônio histórico e áreas verdes preservadas, com 40% do território coberto por Mata Atlântica, o que inclui São Roque na Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo, reconhecida pela UNESCO. Alguns pontos essenciais:
- Centro Educacional e Cultural Brasital: antiga fábrica têxtil que funcionou até 1970, chegou a gerar 80% dos empregos da cidade e hoje sedia a Divisão de Cultura, biblioteca e salões de eventos.
- Igreja Matriz de São Roque: templo histórico do centro urbano, no local onde o fundador ergueu a primeira capela dedicada ao santo padroeiro.
- Morro do Cruzeiro: mirante da Mata Atlântica com vista panorâmica do vale e do centro histórico.
- Estação Ferroviária de São Roque: prédio histórico da antiga malha da Sorocabana, hoje desativado.
- Museu de Carros Antigos: um dos maiores do Brasil, com acervo de veículos clássicos abertos à visitação.
- Sítio Bonsucesso: propriedade rural especializada no cultivo de alcachofra, com visitação e comercialização direta.

O que provar na gastronomia italiana e portuguesa de São Roque?
A cozinha combina tradições dos dois grupos de imigrantes que ergueram as vinícolas. Alguns pratos e produtos essenciais:
- Bacalhau à moda portuguesa: preparado em fornos de lenha, é a especialidade dos restaurantes de origem lusitana da Estrada do Vinho.
- Massas artesanais: nhoque, ravioli e talharim frescos servidos em cantinas rurais de tradição italiana.
- Alcachofra: São Roque é uma das maiores produtoras do Brasil, com a flor preparada na manteiga, gratinada, em entradas e até em sobremesas.
- Polenta com galeto: prato clássico das cantinas italianas.
- Suco de uva integral: alternativa não alcoólica produzida nas próprias vinícolas.
- Café colonial: mesa farta com dezenas de doces, pães, cucas, geleias e queijos, servida em pousadas rurais.
Como é o clima ao longo do ano?
São Roque tem clima subtropical de altitude, com estações bem marcadas. A altitude superior a 800 metros, no alto da Serra do Mar, torna as temperaturas mais amenas do que a capital paulista e favorece a vindima no verão.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a São Roque?
A cidade fica a cerca de 60 km de São Paulo pela Rodovia Castello Branco (SP-280), que é duplicada e tem trajeto mais rápido. A alternativa gratuita é a Rodovia Raposo Tavares (SP-270), sem pedágios, com trajeto mais longo. Ambas conectam São Roque à capital paulista em cerca de uma hora de carro, o que torna o município um destino frequente de bate e volta nos fins de semana.
A cidade é servida por linhas rodoviárias regulares saindo do Terminal Rodoviário Barra Funda, em São Paulo. Do Aeroporto de Congonhas, o trajeto é de aproximadamente 67 km. Do Aeroporto Internacional de Guarulhos, a distância é de cerca de 87 km, com acesso pelo Rodoanel Mário Covas. São Roque também está próxima de outros destinos turísticos paulistas como Itu (30 km), Sorocaba (40 km) e Ibiúna (30 km).
A cidade paulista onde o vinho é feito há quase quatro séculos
São Roque oferece a combinação rara no interior de São Paulo: uma tradição vinícola contínua desde 1657, um dos conjuntos bandeiristas mais preservados do país, uma rota gastronômica com mais de 40 vinícolas e restaurantes a menos de uma hora da capital paulista, Mata Atlântica reconhecida pela UNESCO e o testamento de Mário de Andrade que transformou a Casa Grande do Sítio Santo Antônio em patrimônio público. É a cidade que mostra como uma fazenda colonial pode se tornar destino gastronômico de referência sem perder a origem.
Você precisa reservar pelo menos dois dias em São Roque, dividir o tempo entre uma manhã percorrendo três ou quatro vinícolas da Estrada do Vinho com degustação, uma tarde no Sítio Santo Antônio com visita monitorada e um jantar com bacalhau ou massa artesanal em algum restaurante rural com uvas colhidas à vista.