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A “Terra dos Ipês” onde escolas e natureza se encontram e a beleza rara chama atenção em Minas Gerais
A rara combinação de ipês e escolas.
A 919 metros de altitude e a 237 km de Belo Horizonte, Lavras preserva um trecho raro de Mata Atlântica ao mesmo tempo em que mantém uma tradição educacional construída há mais de um século. No sul de Minas Gerais, a cidade ganhou um apelido curioso a partir de uma poesia publicada em 1941 e acabou transformando a relação entre natureza e ensino em parte da própria identidade.
Como uma frase sobre ipês e escolas virou identidade de Lavras?
Tudo começou em 24 de agosto de 1941, quando o poeta Jorge Duarte publicou no jornal A Gazeta um texto que relacionava os ipês floridos durante o mês de agosto às escolas responsáveis pela formação dos estudantes em novembro. A expressão “terra dos ipês e das escolas” ganhou repercussão depois de ser repetida pelo jornalista Assis Chateaubriand e acabou incorporada como slogan oficial do município.
Muito antes de o apelido ganhar força, a educação já ocupava espaço central na história local. A Universidade Federal de Lavras (UFLA) surgiu em 1908 como Escola Agrícola de Lavras, instalada no Instituto Gammon, e participou da introdução de um dos primeiros tratores utilizados para arar terras no Brasil. A instituição alcançou o status de universidade em 1994, consolidando uma tradição acadêmica que atravessa gerações.

Uma reserva de Mata Atlântica começa a poucos quilômetros do centro
A cerca de 9 km de Lavras, o Parque Ecológico Quedas do Rio Bonito concentra uma amostra expressiva da natureza do sul de Minas Gerais. São 235 hectares de Mata Atlântica preservada na Serra da Bocaina, onde um estudo da própria UFLA catalogou 384 espécies botânicas.
O acesso é feito pela BR-354, no sentido de Luminárias, e a entrada para caminhada e mirante é gratuita. Dentro da área, o visitante encontra desde trechos tranquilos de contemplação até atividades voltadas à aventura.
- Trilha principal: percurso de dificuldade moderada por mata fechada, com pontes sobre o riacho e possibilidade de observar saguis e pequenos cervos.
- Cachoeiras e piscinas naturais: espaços destinados ao banho, com cobrança de taxa específica, especialmente procurados durante o verão mineiro.
- Mirante do alto: ponto elevado com vista ampla do vale, bastante procurado no fim da tarde.
- Tirolesa e arvorismo: atividades para quem prefere acrescentar aventura ao passeio pela reserva.
Três séculos de história ainda aparecem nas ruas do centro
Fundada por bandeirantes paulistas na primeira metade do século XVIII, durante a busca por ouro, Lavras preservou construções religiosas que atravessaram gerações. O núcleo histórico é compacto, permitindo percorrer boa parte dos principais pontos a pé e observar de perto diferentes períodos da formação do município.
- Igreja de Nossa Senhora do Rosário: construção mais antiga da cidade, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), foi a primeira matriz de Sant’Ana.
- Museu Bi Moreira: funciona no campus histórico da UFLA e reúne documentos e objetos relacionados à trajetória da cidade e da universidade.
- Museu de História Natural da UFLA: apresenta exposições sobre biodiversidade e geologia dentro de um dos campi mais arborizados do interior de Minas Gerais.
- Casa da Cultura: edifício histórico localizado na região central, utilizado para exposições e atividades culturais da cidade.
O sabor do sul de Minas servido à mesa
Quem percorre Lavras também encontra uma gastronomia profundamente ligada às tradições mineiras. O fogão a lenha, os pratos preparados lentamente e os doces caseiros fazem parte da experiência, especialmente nos restaurantes do centro e nas proximidades da universidade.
Entre os endereços tradicionais está o Restaurante Serra do Luar, conhecido pelo cardápio com tutu, frango com quiabo e arroz com pequi. Já nas proximidades da Praça Dr. Augusto Silva, padarias e cafés mantêm o pão de queijo como presença constante. Na Feirinha da Praça, produtores regionais comercializam queijos curados, cachaça artesanal e doces caseiros.
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Quando visitar a cidade dos ipês floridos?
O melhor período vai de abril a setembro, quando as chuvas dão trégua e as trilhas ficam acessíveis. Em agosto, os ipês explodem em flores e dão à cidade o cenário que justifica o apelido.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Um destino acessível a partir de duas grandes capitais
Partindo de Belo Horizonte, o caminho até Lavras soma cerca de 237 km, pelas rodovias BR-381 (Fernão Dias) e BR-265, em uma viagem de aproximadamente 3h30 de carro. Para quem sai de São Paulo, são cerca de 380 km pela Fernão Dias. Já os visitantes que chegam de avião podem desembarcar no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, e completar o percurso por estrada.
Quando os ipês transformam Lavras em um cartão-postal
Durante o mês de agosto, a paisagem ajuda a explicar por que Lavras ganhou o apelido de “terra dos ipês e das escolas”. A cidade reúne a vegetação preservada da serra, construções históricas e o movimento universitário em um cenário que mistura natureza e vida urbana. Os 235 hectares do parque ecológico ficam a menos de 10 km do centro, enquanto as áreas arborizadas espalham o verde pela cidade.
A floração dos ipês acrescenta uma camada especial ao roteiro. Caminhar por Lavras nesse período permite encontrar árvores coloridas entre prédios históricos, espaços universitários e ruas movimentadas, enquanto a gastronomia mineira e as cachoeiras completam a experiência de quem escolhe visitar o município no inverno.