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A única capital brasileira fundada por franceses tem reggae nas radiolas e 4 mil casarões com azulejos
Esta capital reúne radiolas de reggae e um dos maiores conjuntos coloniais do país.
Em 8 de setembro de 1612, o francês Daniel de La Touche ergueu um forte em uma ilha equatorial e batizou o lugar em homenagem ao rei Luís XIII. Quatro séculos depois, São Luís mistura o som da Jamaica com fachadas portuguesas como nenhuma outra capital brasileira.
Três colonizações em uma só ilha
A fundação francesa durou três anos. Em 1615, tropas portuguesas lideradas por Jerônimo de Albuquerque retomaram o território na Batalha de Guaxenduba, e entre 1641 e 1644 os holandeses ainda ocuparam a região. São Luís é a única capital brasileira que passou por três colonizações europeias.
O ciclo do algodão, no século XIX, financiou uma geração de escritores como Gonçalves Dias e Aluísio Azevedo, e rendeu à cidade o apelido de Atenas Brasileira. A história está documentada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Por que São Luís é Patrimônio Mundial da Humanidade?
O Centro Histórico foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 1997. São cerca de 4 mil imóveis tombados em 220 hectares, formando um dos mais bem preservados conjuntos coloniais portugueses adaptados ao clima tropical.
O segundo título veio em 2019, quando o Complexo Cultural do Bumba Meu Boi do Maranhão entrou para a lista de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Poucas cidades brasileiras conseguem reunir os dois reconhecimentos.
O que visitar no centro histórico tombado?
O centro se percorre a pé, entre becos de paralelepípedo, escadarias e sobrados azulejados. As principais atrações ficam concentradas em poucas ruas.
- Palácio dos Leões: sede do governo desde o período colonial, com vista para a Baía de São Marcos e visitação gratuita. Os leões esculpidos na escadaria deram nome ao prédio.
- Rua Portugal: corredor principal de sobrados azulejados, com museus, galerias e a Casa do Maranhão, dedicada ao Bumba Meu Boi.
- Escadaria da Rua do Giz: 32 degraus largos entre casarões coloridos, eleita uma das ruas mais bonitas do país pela revista Casa Vogue.
- Teatro Arthur Azevedo: inaugurado em 1817, um dos teatros mais antigos em funcionamento no Brasil, com arquitetura neoclássica preservada.
- Casa das Tulhas: mercado histórico com especiarias, camarão seco, vinagreira e artesanato. Às sextas à noite recebe roda de Tambor de Crioula ao vivo.
- Convento das Mercês: inaugurado em 1654, hoje abriga a Fundação da Memória Republicana e exposições permanentes.
Como o reggae virou identidade da cidade?
O ritmo chegou ao Maranhão nos anos 1970, provavelmente por ondas curtas de rádios caribenhas captadas no litoral. Ganhou jeito próprio: aqui se dança a dois, colado, no estilo que os ludovicenses chamam de “agarradinho”.
Desde 2023, a Lei Federal 14.668 reconhece São Luís como Capital Nacional do Reggae. O Museu do Reggae, instalado em casarão restaurado no centro, é o único do gênero fora da Jamaica e abriga acervo de artistas locais e radiolas.
O que comer na cozinha que mistura três continentes?
A cozinha ludovicense nasce do encontro entre raízes indígenas, temperos africanos e técnicas portuguesas. Alguns pratos são identidade exclusiva da capital.
- Arroz de cuxá: prato-símbolo, feito com folhas de vinagreira, camarão seco e gergelim torrado, servido com peixe ou camarão.
- Peixada à maranhense: peixes do dia cozidos em leite de coco com legumes, típica do litoral.
- Juçara: versão maranhense do açaí, servida gelada com farinha de tapioca e peixe frito, geralmente como refeição.
- Guaraná Jesus: refrigerante cor-de-rosa com aroma de cravo e canela, centenário e vendido apenas no Maranhão.
- Doce de espécie: doce tradicional de coco com massa folheada, vendido nos casarões do centro histórico.

Quando viajar para a Ilha do Amor?
A capital fica a dois graus da Linha do Equador, com calor o ano inteiro. As chuvas se concentram no primeiro semestre, e o período mais seco vai de julho a dezembro. Junho e julho concentram o ciclo do Bumba Meu Boi, auge da cultura local.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à capital maranhense?
O Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado fica a cerca de 12 km do centro histórico e recebe voos diretos de São Paulo, Brasília, Fortaleza e Belém. O trajeto até o centro é feito em táxi, aplicativo ou ônibus.
Por terra, a BR-135 conecta São Luís ao restante do estado e segue rumo a Teresina, a cerca de 440 km. Muitos visitantes chegam à capital antes de seguir para os Lençóis Maranhenses, a 250 km.
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Vá conhecer a cidade onde Atenas e Jamaica se encontram
São Luís reúne quatro séculos de história, dois títulos da UNESCO e um ritmo que ninguém esperava encontrar entre azulejos portugueses. Poucos destinos no Brasil oferecem essa mistura em um mesmo endereço.
Você precisa pisar nos paralelepípedos da Atenas Brasileira e entender como literatura, boi e reggae dividem o mesmo compasso há gerações.