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A vida nos apartamentos-caixão de Hong Kong, onde 1,5 m² viram casa e chocam o mundo

Entre prédios lotados e aluguéis sufocantes, milhares de pessoas tentam transformar cubículos minúsculos em algum tipo de lar

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A vida nos apartamentos-caixão de Hong Kong, onde 1,5 m² viram casa e chocam o mundo
Os chamados apartamentos-caixão em Hong Kong são microespaços criados a partir da subdivisão de apartamentos maiores

Em Hong Kong, uma das regiões mais ricas e densas do planeta, parte da população vive em espaços tão reduzidos que lembram mais compartimentos de bagagem do que lares. Esses cubículos, conhecidos como apartamentos-caixão, surgem em resposta a um mercado imobiliário com preços elevados e baixa oferta de moradia acessível, especialmente em áreas centrais, onde apartamentos convencionais são subdivididos em microespaços alugados individualmente.

O que são exatamente os apartamentos-caixão em Hong Kong?

O termo apartamentos-caixão em Hong Kong designa compartimentos ultracompactos, geralmente com área em torno de 1,5 m² a poucos metros quadrados, inseridos em imóveis maiores. Cada unidade costuma ser delimitada por grades, madeira ou chapas metálicas, com espaço suficiente para uma cama e alguns pertences básicos, raramente permitindo que a pessoa fique em pé com conforto.

Esses cubículos fazem parte das chamadas unidades subdivididas, nas quais proprietários fracionam um apartamento convencional em diversos quartos minúsculos, alugando cada um separadamente. Banheiro e cozinha são, em geral, compartilhados, instalados em corredores ou varandas adaptadas, com frequentes problemas de ventilação, iluminação deficiente e ausência de isolamento acústico.

A vida nos apartamentos-caixão de Hong Kong, onde 1,5 m² viram casa e chocam o mundo
Quando 1,5 m² precisam virar quarto, cozinha e refúgio, a realidade ganha outro peso em Hong Kong

Por que a crise habitacional em Hong Kong é tão grave?

A crise habitacional em Hong Kong resulta de fatores históricos, geográficos e econômicos que se acumulam ao longo de décadas. O território utilizável é limitado, parte da área é montanhosa e, desde o período colonial, a pressão imobiliária elevou constantemente os preços da terra e dos aluguéis, reforçada pela consolidação da cidade como centro financeiro internacional.

Mesmo em 2026, Hong Kong segue entre os locais com menor acessibilidade à casa própria no mundo, com unidades pequenas em bairros bem localizados custando muito acima da renda média. Para trabalhadores de baixa renda, o aluguel de um quarto simples em um apartamento tradicional pode consumir grande parte do orçamento, tornando as moradias extremas uma das poucas opções próximas a empregos e serviços.

Como é o cotidiano dentro de uma moradia extrema?

A rotina em um apartamento-caixão é marcada por adaptações constantes e uso máximo de cada centímetro disponível. Vestir-se exige movimentos calculados para não esbarrar nas paredes, enquanto objetos são guardados em ganchos, caixas empilhadas e compartimentos sob o colchão; muitas refeições são feitas sobre os joelhos ou em tábuas improvisadas apoiadas na cama.

Relatos de organizações locais descrevem umidade elevada, pouca ventilação e presença de insetos, sobretudo em prédios antigos adaptados. O calor se intensifica em dias quentes, especialmente em cubículos sem janelas para o exterior, e o barulho constante de vizinhos e cozinhas compartilhadas reduz a privacidade, contribuindo para problemas de sono, ansiedade e sensação de aprisionamento.

Quem costuma viver nos apartamentos-caixão em Hong Kong?

Os apartamentos-caixão em Hong Kong não abrigam apenas pessoas sem renda, mas também trabalhadores com empregos formais e salários modestos. Aparecem com frequência profissionais de limpeza, seguranças, atendentes, entregadores e funcionários de turno noturno, que destinam boa parte do salário ao aluguel do cubículo para permanecer próximos ao trabalho.

Idosos com benefícios limitados, imigrantes recentes e pessoas que vivem sozinhas também estão muito presentes, sobretudo em prédios mais antigos com controle frágil sobre unidades subdivididas. Para muitos, ficar em bairros centrais significa acesso mais fácil a hospitais, mercados, transporte público e redes de apoio informal, mesmo diante do aperto e da precariedade.

Em Hong Kong, uma das cidades mais caras do mundo, milhares de pessoas vivem em cubículos extremamente pequenos conhecidos como apartamentos-caixão. Em alguns casos, espaços de cerca de 1,5 m² precisam funcionar ao mesmo tempo como quarto, cozinha e lugar de descanso.

Conteúdo do canal Bruna Cesário – Arquitetura, com mais de 128 mil de inscritos e cerca de 27 mil de visualizações, explorando histórias reais, curiosidades do mundo e realidades urbanas que muitas pessoas desconhecem:

Quais impactos urbanos e sociais a habitação precária provoca?

A presença constante de apartamentos-caixão evidencia um padrão de desigualdade urbana em que o solo é extremamente valioso, mas distribuído de forma assimétrica. Enquanto alguns moradores ocupam unidades amplas com infraestrutura completa, outros concentram quase toda a vida em poucos metros quadrados, o que afeta saúde, desempenho escolar e capacidade de poupança, reforçando ciclos de vulnerabilidade.

Diante desse cenário, o debate público em Hong Kong discute medidas combinadas para mitigar os efeitos da habitação precária e ampliar o acesso a moradias seguras. Entre as propostas, destacam-se ações voltadas à regulação, ao aumento de oferta habitacional e ao apoio direto às famílias mais vulneráveis.

  • Ampliação de programas de habitação social com critérios transparentes de seleção;
  • Fiscalização de estruturas improvisadas consideradas inseguras em prédios antigos;
  • Parcerias entre governo e iniciativa privada para projetos de aluguel acessível;
  • Monitoramento da densidade máxima permitida em imóveis com unidades subdivididas;
  • Atendimento de saúde e assistência social voltado a moradores de moradias extremas.

Quais caminhos podem reduzir a dependência dos apartamentos-caixão?

O futuro dos apartamentos-caixão em Hong Kong depende de políticas de planejamento urbano de longo prazo, combinando produção de novas moradias acessíveis, revisão de normas construtivas e subsídios ao aluguel. Especialistas defendem transparência nas listas de espera por habitação pública e acompanhamento sistemático das condições em unidades subdivididas como elementos essenciais.

Além de construir mais unidades regulamentadas, o poder público precisa mapear e registrar oficialmente os imóveis subdivididos para implementar ações de realocação gradual e melhoria das condições mínimas de habitação. A integração entre políticas de moradia, transporte, emprego e serviços públicos é vista como chave para enfrentar a crise habitacional de forma consistente.

  1. Mapear e registrar oficialmente imóveis com subdivisões e riscos estruturais;
  2. Definir padrões mínimos de ventilação, iluminação e metragem por morador;
  3. Oferecer alternativas de realocação gradual para famílias em maior vulnerabilidade;
  4. Estimular a construção de microapartamentos regulamentados com serviços compartilhados;
  5. Integrar políticas de habitação com transporte, emprego e infraestrutura urbana.