A vila brasileira onde dois rios se encontram sem se misturar e formam um cenário de águas doces que parece saído de um filme - Super Rádio Tupi
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A vila brasileira onde dois rios se encontram sem se misturar e formam um cenário de águas doces que parece saído de um filme

Dois rios se encontram, mas não se misturam,

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A vila brasileira onde dois rios se encontram sem se misturar e formam um cenário de águas doces que parece saído de um filme
Alter do Chão acumulou reconhecimentos que poucas vilas brasileiras somaram em pouco mais de uma década. ,/ Imagem ilustrativa

Quatrocentos anos separam duas a vila Alter do Chão, uma no Alentejo português com castelo medieval, outra às margens do Rio Tapajós, no Pará, com faixas de areia branca que só aparecem quando o rio baixa. A segunda foi eleita pelo jornal britânico The Guardian como a praia de água doce mais bonita do mundo e virou um dos destinos mais premiados da Amazônia.

Da aldeia Borari à Missão de Nossa Senhora da Purificação

Antes de virar Caribe brasileiro, a terra era dos indígenas Borari, que habitavam as margens do Rio Tapajós. Foi em 6 de março de 1626 que o explorador português Pedro Teixeira ergueu ali a Missão de Nossa Senhora da Purificação. Nascia oficialmente Alter do Chão, batizada em homenagem à vila medieval homônima do Alentejo, cuja fortaleza foi construída entre os séculos 12 e 13.

A elevação à categoria de vila veio em 1758, por decisão de Francisco Xavier de Mendonça Furtado, governador da capitania do Grão-Pará e irmão do Marquês de Pombal. Missões jesuítas atuaram na catequização dos Borari nos séculos 17 e 18, e essa mistura de raízes indígenas, portuguesas e religiosas formou a identidade cultural que hoje sustenta o turismo. A vila tem cerca de 6 mil moradores e fica a 37 km de Santarém, na margem direita do Tapajós.

Esse destino brasileiro está sendo chamado de Caribe da Amazônia
Os banhos nas águas limpas e os passeios de barco renovam a energia de quem chega ao norte do país. – Créditos: depositphotos.com / pedarilhos

O apelido que veio de Londres em 2009

A fama internacional chegou de um endereço inesperado. Em 2009, o jornal britânico The Guardian incluiu Alter do Chão entre as praias mais bonitas do Brasil e apontou a vila como detentora da praia de água doce mais bela do planeta. O apelido de Caribe Amazônico pegou de vez.

A química explica o fenômeno. Diferente do Rio Amazonas, que carrega sedimentos e corre barrento, o Tapajós tem águas claras e ácidas com tom esverdeado que vira azul-turquesa em contato com a areia branca. Quando o nível do rio baixa entre agosto e janeiro, bancos de areia emergem em frente à vila e desenham praias que parecem mar caribenho. Segundo a Prefeitura de Santarém, esse ciclo hidrológico dita o calendário do turismo local.

Os prêmios que empilharam títulos

Alter do Chão acumulou reconhecimentos que poucas vilas brasileiras somaram em pouco mais de uma década. Os títulos mais recentes ganharam força de lei federal, e a lista impressiona quando colocada lado a lado.

  • The Guardian (2009): praia de água doce mais bonita do mundo, marco inicial do apelido Caribe Amazônico.
  • Prêmio UPIS de Turismo (2021): eleita Melhor Destino Turístico Nacional com 97,55% dos votos, à frente da Chapada Diamantina e do Jalapão.
  • Lei Estadual 9.543 (2022): sancionada pelo governo paraense, reconheceu Alter do Chão como patrimônio cultural de natureza material e imaterial do Pará.
  • Catraieiros tradicionais (2022): os barqueiros que levam visitantes à Ilha do Amor em canoas de remo viraram patrimônio cultural imaterial do município.
  • Lei Federal 14.997 (2024): sancionou a Festa do Sairé como manifestação da cultura brasileira, elevando o festival ao patamar nacional.

A festa tricentenária dos botos

Todo mês de setembro, a vila para para o Sairé, a manifestação cultural mais antiga da região Norte. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a festa é realizada há mais de 300 anos e nasceu do uso da música e da dança pelos padres jesuítas na catequese dos indígenas na bacia do Rio Amazonas. São cinco dias com ladainhas, procissões fluviais e apresentações folclóricas.

O ponto alto é o Festival dos Botos, incorporado ao Sairé nos anos 1970 e formalizado em 1999 como disputa entre Cor-de-Rosa e Tucuxi. As agremiações levam mais de 600 brincantes cada uma ao Lago dos Botos, com alegorias, coreografias e músicas que lembram escolas de samba. O carimbó, ritmo dançado nas noites da vila, é Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo IPHAN desde 2014.

O que fazer em Alter do Chão?

A vila é pequena e boa parte das atrações se resolve entre a praia, os passeios de barco e a floresta próxima. Um roteiro de 3 a 4 dias cobre o essencial.

  • Ilha do Amor: banco de areia em frente à vila que só aparece na vazante, acessível por catraia de remo em travessia de menos de 5 minutos.
  • Encontro das Águas: fenômeno em que o Tapajós azul-turquesa corre lado a lado com o Amazonas barrento por cerca de 6 km sem se misturar, patrimônio imaterial do Pará.
  • Floresta Encantada: entre fevereiro e julho, quando as águas sobem, é possível navegar de canoa entre as copas das árvores da mata de igapó.
  • Floresta Nacional do Tapajós: unidade de conservação com trilhas, comunidades ribeirinhas e produção artesanal de couro ecológico de látex.
  • Ponta de Pedras: praia de águas cristalinas cercada por formações rochosas, boa para snorkel e tranquilidade.
  • Santarém: a 37 km, guarda o Mercadão 2000 com sabores amazônicos, o Centro Cultural João Fona (1867) e a orla com vista para o encontro dos rios.

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Quando o rio decide o que você vai ver?

A paisagem muda por completo conforme o ciclo das águas. A alta temporada coincide com a vazante, quando as praias fluviais surgem em toda a extensão.

☀️ Vazante Ago – Nov
Média: 25-35°C
Rio: 🏖️ Praias no auge
Época perfeita para curtir a Ilha do Amor, o Sairé e a Ponta de Pedras com faixas de areia extensas.
🌤️ Estiagem Dez – Jan
Média: 25-34°C
Rio: 🛶 Praias visíveis
Ideal para aproveitar o Réveillon e fazer passeios de barco pela região.
🌧️ Cheia Fev – Mai
Média: 24-33°C
Rio: 🌊 Águas altas
Cenário excelente para explorar a Floresta Encantada e os igapós de canoa.
🌥️ Transição Jun – Jul
Média: 24-33°C
Rio: 📉 Baixando
Ótima janela para visitar as comunidades ribeirinhas e a Flona.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Vá conhecer a Alter do Chão brasileira

Poucos destinos brasileiros somam 400 anos de história, uma origem portuguesa medieval e um festival tricentenário reconhecido por lei federal. Alter do Chão entrega tudo isso com o rio como personagem principal.

Você precisa atravessar a Ilha do Amor de catraia ao entardecer e entender por que essa vila de 6 mil moradores virou o pedaço de Caribe mais improvável do Brasil.