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A vila de pescadores com 4 mil anos de história e o maior festival de jazz da América Latina

O som do jazz ecoa em uma vila de pescadores cuja história começou há cerca de 4 mil anos.

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Rio das Ostras é marcada por qualidade de vida, natureza e hospitalidade // Créditos: depositphotos.com / alxcoimbra

Os indígenas chamavam esse trecho do litoral fluminense de Leripe, que em tupi-guarani significa lugar de ostra. De antiga vila de pescadores, hoje, Rio das Ostras reúne 15 praias, um sambaqui milenar e um festival de música que atrai artistas de três continentes.

Do Sambaqui da Tarioba ao jazz na areia

A ocupação humana da região é uma das mais antigas do Rio de Janeiro. O Sambaqui da Tarioba foi registrado pelo Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) em 1967 e guarda esqueletos, conchas gigantes e ferramentas de pedra de um povo que viveu entre o rio e o mar há cerca de 4 mil anos.

O museu, inaugurado em 1998, é um dos poucos do Brasil no formato in situ, com o material exposto exatamente como foi encontrado, segundo a Prefeitura de Rio das Ostras. O nome da técnica vem do tupi-guarani e significa acúmulo de conchas.

A cidade também guarda o Poço de Pedras do Largo de Nossa Senhora da Conceição, construído no século XVIII por mão de obra escravizada. O poço abastecia navegadores que aportavam na Baía Formosa e virou marco fundacional do município.

Rio das Ostras encanta com mar verde e coqueirais infinitos: viva o paraíso carioca que inspira surf, sol eterno e tranquilidade no coração do litoral regato! // Créditos: Wikipédia

O que fazer entre as 15 praias da Costa do Sol?

O litoral tem 28 km e reúne desde enseadas para crianças até praias com ondas para surfe, segundo a Prefeitura. O sol brilha ao menos 300 dias por ano, e boa parte das atrações fica a menos de 10 minutos do centro.

  • Praia de Costazul: a mais movimentada, com longa faixa de areia e o píer que avança 200 m mar adentro, ponto de pesca e do nascer do sol.
  • Praia da Joana: enseada entre dois costões, com mar azul calmo e sombra de amendoeiras. Perfeita para famílias.
  • Praia do Remanso: rochedos que formam pequenas piscinas naturais de água morna, indicada para crianças pequenas.
  • Praia de Itapebussus: águas cristalinas onde é possível ver cavalos-marinhos em mergulho raso.
  • Praia Virgem: pouco frequentada, com acesso por trilha de cerca de 30 minutos a partir da RJ-106.
  • Praia do Bosque: badalada à noite pela concentração de bares e restaurantes na orla.

A Capital Estadual do Jazz e Blues transforma a areia em palco

A cidade recebeu o título de Capital Estadual do Jazz e Blues por lei sancionada em 2011, e é sede do Rio das Ostras Jazz e Blues Festival. O evento nasceu em 2003 e virou um dos maiores do gênero no mundo.

A programação acontece entre maio e junho, com cinco palcos ao ar livre e shows gratuitos. O palco principal fica na Cidade do Jazz, no bairro de Costazul, ao lado da praia.

Além do festival, a cidade guarda outras atrações que fogem da faixa de areia. A Praça da Baleia abriga uma escultura de baleia-jubarte com 20 metros de comprimento, feita em estrutura metálica com chapas de bronze e latão. A Secretaria de Turismo do Rio de Janeiro a considera a maior homenagem a um cetáceo no mundo.

Leia também: A “Suíça Mineira” a 1.550 m nas montanhas é um vilarejo fundado por europeu que virou refúgio de inverno.

Peixe fresco e culinária caiçara nos quiosques da orla

A herança das antigas vilas de pescadores aparece na mesa dos restaurantes. As receitas exploram peixes, camarões e frutos do mar comprados na hora nos barcos que atracam no centro.

  • Camarão na moranga: prato clássico das casas à beira-mar, servido dentro da própria abóbora com catupiry.
  • Peixe grelhado com pirão: tradição caiçara nos quiosques da Praia do Centro, com o peixe do dia direto dos barcos.
  • Casquinha de siri: entrada típica, com o siri catado à mão e gratinado no forno.
  • Moqueca capixaba: presente em várias casas da orla, com dendê, coentro e leite de coco.
  • Bolinho de aipim com carne-seca: petisco recorrente nos bares do centro, herança da culinária interiorana da região.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?

O verão traz sol forte e mar quente, com pancadas de chuva rápidas à tarde. O inverno é seco e ameno, perfeito para trilhas nos costões e para o festival de jazz.

☀️ Verão Dez – Fev
Média: 22-31°C
Chuva: ⛈️ Alta
O calor tropical e as chuvas refrescantes de fim de tarde marcam a alta temporada, criando o momento perfeito para desfrutar das **praias e passeios de barco** pela orla.
🍂 Outono Mar – Mai
Média: 19-28°C
Chuva: 🌦️ Média
A suavização das temperaturas e a brisa agradável favorecem o ecoturismo, sendo a época ideal para explorar as **trilhas nos Costões Rochosos** com maior conforto térmico.
🧣 Inverno Jun – Ago
Média: 16-25°C
Chuva: ☀️ Baixa
O clima seco e ameno transforma a dinâmica da cidade, atraindo visitantes em busca de boa música e entretenimento cultural no tradicional **Festival de Jazz e Blues**.
🌸 Primavera Set – Nov
Média: 18-27°C
Chuva: 🌦️ Média
O aquecimento gradual e o reflorescimento da natureza formam o cenário convidativo para passeios ao ar livre na **Lagoa de Iriry e Sambaqui**, longe das grandes multidões.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Em Rio das Ostras, prove ostras frescas na praia, pedale na ciclovia e relaxe na Costazul com brisa leve do litoral regato acolhedor e familiar. // Créditos: Wikipédia

Como chegar à Costa do Sol saindo do Rio?

Rio das Ostras fica a 170 km do Rio de Janeiro pela BR-101, cerca de 2h30 de carro. Uma alternativa é seguir pela Via Lagos e depois pela Rodovia Serramar (RJ-162) até a Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106).

Quem vem de Cabo Frio percorre apenas 61 km pela RJ-106. O aeroporto mais próximo é o Santos Dumont, na capital fluminense, com voos diários. Ônibus saem regularmente da Rodoviária Novo Rio.

Conheça a vila que virou polo cultural do litoral

A cidade combina história milenar, praias variadas e uma agenda cultural que poucos balneários do país conseguem oferecer. É onde 4 mil anos de ocupação humana convivem com jazz ao vivo na areia.

Você precisa conhecer Rio das Ostras e caminhar pela mesma faixa de litoral que os primeiros habitantes chamaram de lugar de ostra há milênios.