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A vila onde dois rios se encontram sem se misturar e criam um dos paraísos de água doce mais bonitos do planeta
Um espetáculo natural que parece impossível.
Da orla da cidade, sem embarcar, já se vê a linha que divide dois mundos: de um lado, as águas cristalinas do Tapajós; do outro, o tom barrento do Amazonas. Santarém, no oeste do Pará, fica exatamente no ponto em que esses gigantes se encontram. A 35 km dali, Alter do Chão guarda praias de areia branca que o jornal britânico The Guardian elegeu, em 2009, como as mais bonitas de água doce do planeta.
Da missão jesuíta à Pérola do Tapajós
Missionários jesuítas chegaram à região no século XVII para catequizar os povos Borari, que já habitavam as margens do Tapajós. A vila fundada por eles deu origem à Santarém que existe hoje, uma cidade encravada entre a floresta amazônica e dois dos maiores rios do mundo. Mais de 60% do território municipal é coberto por mata nativa.
O apelido Pérola do Tapajós traduz bem o que o visitante encontra: uma combinação rara de praias fluviais, igapós, comunidades ribeirinhas e uma gastronomia marcada pelos peixes de rio e pelas frutas da floresta. O Portal de Turismo da Prefeitura de Santarém lista dezenas de atrativos espalhados entre a zona urbana e os distritos.

O que visitar no Caribe amazônico?
Os atrativos de Santarém se dividem entre a cidade, as praias do Tapajós e as áreas de floresta. A lista abaixo reúne os que merecem prioridade no roteiro.
A festa que transforma botos em protagonistas
Todo mês de setembro, Alter do Chão sedia a Festa do Sairé, reconhecida por lei como manifestação da cultura nacional. A celebração mistura rituais católicos herdados dos jesuítas com a tradição indígena dos Borari. A palavra “Sairé” carrega séculos de significado e simboliza louvor e alegria.
O ponto alto é a disputa entre os botos Cor-de-Rosa e Tucuxi no Lago dos Botos. Cerca de 700 integrantes de cada agremiação encenam a lenda amazônica do ser que, em noites de lua cheia, se transforma em jovem sedutor. A edição de 2025 reuniu cerca de 120 mil pessoas na vila e movimentou a economia de toda a região do Tapajós.
Pise na areia branca da “Vila Mais Charmosa do Brasil” e mergulhe nas águas cristalinas do Rio Tapajós. O vídeo é do canal Rolê Família, que conta com mais de 70 mil inscritos, e detalha um guia completo por Alter do Chão, visitando a Ilha do Amor, a Floresta Encantada e o inesquecível Festival do Sairé:
O que comer na terra do pirarucu e do açaí?
A gastronomia de Santarém é um capítulo à parte. Os rios Tapajós e Amazonas abastecem a cidade com peixes que ganham preparo único na cozinha paraense. Ingredientes da floresta como açaí, cupuaçu e jambu aparecem do café da manhã ao jantar.
- Pirarucu assado: o maior peixe de escamas de água doce do mundo, servido na brasa com farofa d’água e vinagrete de jambu.
- Tucunaré na brasa: peixe inteiro grelhado, acompanhado de farinha de mandioca e açaí batido na hora.
- Tacacá: caldo de tucupi com goma de tapioca, camarão seco e folhas de jambu, servido em cuias na orla ao fim da tarde.
- Açaí paraense: grosso, sem açúcar, acompanhado de farinha de tapioca e peixe frito. Diferente de qualquer versão servida fora do Pará.
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Quando o rio decide o que você vai ver?
Santarém tem dois períodos bem distintos. Na cheia (fevereiro a julho), as praias desaparecem, mas a Floresta Encantada fica navegável. Na vazante (agosto a janeiro), as areias brancas surgem e o cenário das praias atinge seu auge.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Pérola do Tapajós?
O Aeroporto Maestro Wilson Fonseca (STM) recebe voos diretos de Belém, Manaus e Brasília. Por via fluvial, barcos regionais ligam Santarém a Manaus (cerca de 2 dias) e a Belém (cerca de 2 dias). O acesso rodoviário pela BR-163 existe, mas trechos de terra ficam intransitáveis na estação chuvosa. De Santarém a Alter do Chão são 35 km por asfalto.
Onde a floresta encontra o rio e o rio encontra o mar de dentro
Santarém reúne o que a Amazônia tem de mais acessível e surpreendente: praias de água doce com cor de Caribe, uma floresta que se deixa navegar, gastronomia de rio e uma festa centenária que transforma botos em lenda viva. Tudo isso no ponto exato em que dois dos maiores rios do planeta se olham sem se misturar.
Você precisa chegar à margem do Tapajós, mergulhar nessa água cristalina e entender por que Santarém faz tanta gente mudar de ideia sobre o que uma viagem à Amazônia pode ser.