Entretenimento
A vila onde dois rios se encontram sem se misturar e criam um dos paraísos de água doce mais bonitos do planeta no oeste do Pará
Um espetáculo natural que parece impossível.
Às margens de dois dos rios mais importantes da Amazônia, Santarém oferece um cenário que parece reunir diferentes paisagens em um único destino. A cidade paraense é famosa pelo encontro das águas dos rios Tapajós e Amazonas, fenômeno que pode ser observado da própria orla. Próxima dali está Alter do Chão, vila conhecida internacionalmente por suas praias de água doce e pela beleza de seus cenários naturais.
Como Santarém se tornou a Pérola do Tapajós?
A história de Santarém começou muito antes da chegada dos colonizadores europeus, quando povos indígenas já ocupavam as margens do rio Tapajós. No século XVII, missionários jesuítas estabeleceram uma vila na região, dando origem ao núcleo urbano que cresceria entre a floresta amazônica e as grandes rotas fluviais do Norte do Brasil. Atualmente, grande parte do território municipal continua coberta por áreas de vegetação nativa.
O apelido de Pérola do Tapajós reflete a diversidade de paisagens e experiências encontradas na cidade. Praias fluviais, igarapés, comunidades ribeirinhas e uma culinária baseada em peixes amazônicos fazem parte da identidade local. Essa combinação entre natureza preservada, riqueza cultural e tradição amazônica transformou Santarém em um dos destinos mais fascinantes da região Norte. Segundo a Prefeitura de Santarém existem dezenas de atrativos espalhados entre a zona urbana e os distritos.

A festa que coloca os botos no centro da tradição amazônica
Todos os anos, durante o mês de setembro, Alter do Chão recebe uma das manifestações culturais mais importantes da Amazônia: a Festa do Sairé. Reconhecida como patrimônio cultural brasileiro, a celebração reúne elementos das tradições indígenas e da influência religiosa trazida pelos missionários, criando um evento único que preserva costumes transmitidos ao longo de gerações.
O momento mais aguardado acontece com a apresentação dos botos Cor-de-Rosa e Tucuxi, que protagonizam um espetáculo inspirado nas lendas amazônicas. Com centenas de participantes envolvidos em cada agremiação, as apresentações combinam música, dança, teatro e simbolismo regional. Além de valorizar a cultura local, a festa atrai milhares de visitantes todos os anos e movimenta significativamente a economia de Alter do Chão e de toda a região de Santarém.
O que visitar no Caribe amazônico?
Os atrativos de Santarém se dividem entre a cidade, as praias do Tapajós e as áreas de floresta. A lista abaixo reúne os que merecem prioridade no roteiro.
- Alter do Chão e Ilha do Amor: Conhecido como o “Caribe Amazônico”, possui bancos de areia branca que surgem durante a vazante, entre agosto e janeiro, formando praias de águas mornas e esverdeadas.
- Encontro das Águas: Fenômeno natural em que os rios Tapajós e Amazonas correm lado a lado sem se misturar por vários quilômetros, criando um impressionante contraste de cores.
- Floresta Encantada: Durante a cheia, entre fevereiro e julho, a mata de igapó fica submersa, permitindo passeios de canoa entre as copas das árvores.
- Ponta de Pedras: Praia de águas cristalinas cercada por formações rochosas, ideal para quem busca tranquilidade e contato com a natureza preservada.
- Floresta Nacional do Tapajós: Unidade de conservação com trilhas, comunidades ribeirinhas e praias fluviais, além da produção artesanal de couro ecológico de látex.
- Santarém Urbana: O Mercadão 2000 reúne sabores típicos da Amazônia, como pirarucu e tucunaré, enquanto o Centro Cultural João Fona preserva a história arqueológica e artística da região.
O vídeo é do canal Rolê Família, que conta com mais de 70 mil inscritos, e detalha um guia completo por Alter do Chão, visitando a Ilha do Amor, a Floresta Encantada e o inesquecível Festival do Sairé:
O que comer na terra do pirarucu e do açaí?
A gastronomia de Santarém é um capítulo à parte. Os rios Tapajós e Amazonas abastecem a cidade com peixes que ganham preparo único na cozinha paraense. Ingredientes da floresta como açaí, cupuaçu e jambu aparecem do café da manhã ao jantar.
- Pirarucu assado: o maior peixe de escamas de água doce do mundo, servido na brasa com farofa d’água e vinagrete de jambu.
- Tucunaré na brasa: peixe inteiro grelhado, acompanhado de farinha de mandioca e açaí batido na hora.
- Tacacá: caldo de tucupi com goma de tapioca, camarão seco e folhas de jambu, servido em cuias na orla ao fim da tarde.
- Açaí paraense: grosso, sem açúcar, acompanhado de farinha de tapioca e peixe frito. Diferente de qualquer versão servida fora do Pará.
Leia também: A “Capital do Pantanal” abriga o maior santuário de onças-pintadas do mundo na fronteira com a Bolívia.

Quando o rio decide o que você vai ver?
Santarém tem dois períodos bem distintos. Na cheia (fevereiro a julho), as praias desaparecem, mas a Floresta Encantada fica navegável. Na vazante (agosto a janeiro), as areias brancas surgem e o cenário das praias atinge seu auge.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Santarém?
A principal porta de entrada para Santarém é o Aeroporto Maestro Wilson Fonseca, que recebe voos regulares de cidades como Belém, Manaus e Brasília. A localização estratégica no coração da Amazônia também permite chegar ao município por embarcações regionais, em viagens que conectam a cidade a importantes centros da região Norte por meio dos rios amazônicos.
Quem deseja visitar Alter do Chão encontra acesso fácil a partir da área urbana de Santarém. A vila fica a cerca de 35 quilômetros do centro e pode ser alcançada por estrada asfaltada em menos de uma hora, tornando o deslocamento simples para quem pretende conhecer algumas das praias de água doce mais famosas do Brasil.
Vale a pena visitar Santarém?
Santarém reúne algumas das paisagens mais impressionantes da Amazônia em um único destino. O encontro dos rios Tapajós e Amazonas, as praias de areia branca de Alter do Chão, as áreas de floresta preservada e a rica cultura ribeirinha criam uma experiência difícil de encontrar em qualquer outra região do país.
Além das belezas naturais, a cidade oferece uma forte identidade cultural e gastronômica, marcada por peixes amazônicos, frutas típicas e festas tradicionais que mantêm vivas as raízes da região. Para quem deseja conhecer uma Amazônia acessível, diversa e surpreendente, Santarém é um daqueles lugares capazes de mudar completamente a percepção sobre o turismo na floresta.