Adeus ao concreto no quintal: a tendência dos anos 70 volta com força e vira alternativa mais fresca e permeável nas construções - Super Rádio Tupi
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Adeus ao concreto no quintal: a tendência dos anos 70 volta com força e vira alternativa mais fresca e permeável nas construções

Dê espaço à tendência retrô.

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Pedriscos podem sair do lugar se não tiverem guia lateral.

Você olha para o quintal da sua casa numa tarde quente de janeiro, sente o piso de concreto cimentado devolvendo calor até depois do pôr do sol, e nota a poça grande que ficou perto do portão desde a última chuva. A tendência do piso permeável no quintal, com pedras naturais e caminhos drenantes, resgata uma solução dos anos 70 que a arquitetura contemporânea provou ter base técnica bem sólida.

Você já reparou que a rua alaga mais rápido do que antigamente?

A cena se repete em muitas cidades brasileiras. Chove por vinte minutos, a rua vira riacho, o bueiro não dá conta, o portão da casa fica cercado por água. Não é só a chuva que ficou mais forte. É a cidade inteira que ficou impermeabilizada. Cada quintal cimentado, cada calçada refeita em cimento liso, cada garagem lacrada em concreto contribui um pouco para essa conta.

O problema começou a virar exigência legal. Muitas prefeituras hoje exigem um percentual mínimo de área permeável nos terrenos residenciais, justamente para que a água da chuva tenha para onde ir sem sobrecarregar o sistema de drenagem urbana. E é exatamente aí que os pisos permeáveis e as pedras naturais voltaram ao centro das reformas.

O concreto continua útil em pontos específicos, como garagem, rampa e áreas de peso constante.

Por que o concreto no quintal virou vilão em algumas situações?

O concreto continua útil em pontos específicos, como garagem, rampa e áreas de peso constante. O problema aparece quando toda a área externa vira uma grande placa rígida. A água da chuva perde espaço para infiltrar no solo, escorre em velocidade para o portão, forma poças em terrenos com pouco caimento e sobrecarrega os ralos da rua.

Existe também a questão térmica, que muita gente sente antes de entender. Superfícies cimentadas absorvem calor durante o dia inteiro e liberam esse calor lentamente para o ar da casa depois do pôr do sol. É o mesmo fenômeno que ocorre em escala urbana, chamado ilha de calor. Segundo a Wikipédia, essa retenção térmica se explica pela substituição da cobertura vegetal por superfícies impermeáveis como concreto e asfalto, que altera o balanço energético local e favorece a absorção e o armazenamento de calor.

Quais são as cinco vantagens reais do piso permeável no quintal?

Vale separar cada benefício que a mudança traz, para saber exatamente o que esperar antes de decidir a reforma.

1
Reduz enxurrada e poças no portão A água atravessa o revestimento e chega ao solo, em vez de correr pela superfície com força para o ralo da rua ou empoçar em cantos do quintal.
2
Contribui para a recarga do lençol freático A infiltração da chuva no solo urbano ajuda a repor o lençol freático da região, algo especialmente importante em cidades que sofrem com escassez sazonal de água.
3
Diminui o calor acumulado na área externa Pisos permeáveis absorvem menos calor que o concreto liso, e a evaporação lenta da umidade retida entre as camadas ajuda a resfriar a superfície por horas.
4
Atende exigência legal em muitas cidades Boa parte das prefeituras exige percentual mínimo de área permeável no terreno. O piso drenante entra no cálculo, evitando multa e problema no habite-se.
5
Valoriza esteticamente o quintal Pedra São Tomé, miracema, pedriscos e placas drenantes criam áreas com aparência mais natural do que a laje cimentada, e combinam melhor com jardim e sombra.

O que diz a norma técnica brasileira sobre esses pisos?

Aqui vale um dado que dá segurança para quem vai reformar. Existe uma norma da ABNT específica sobre esse tipo de pavimento, a ABNT NBR 16416, que orienta o projeto e a execução de pavimentos permeáveis de concreto para tráfego leve. Um estudo publicado na revista científica RECIMA21 destaca que essa norma padroniza o dimensionamento das placas, a espessura ideal, o preparo da base e os parâmetros de resistência mecânica que garantem que o piso drene bem sem afundar depois de meses de uso.

Isso significa que o piso permeável não é solução improvisada. É técnica normatizada, com dosagem de concreto poroso definida, tamanho de junta calculado e camadas de sub-base projetadas para deixar a água chegar ao solo sem comprometer a estabilidade da estrutura. Quando o serviço é feito por profissional que respeita a norma, a área permeável dura décadas com manutenção mínima.

Quais materiais escolher para cada parte do quintal?

A decisão não é entre concreto ou piso drenante em todo o terreno. É dividir a área externa por função e escolher o material adequado para cada uso.

Área do quintal Uso principal Material recomendado
Garagem Peso do carro constante Manobra, estacionamento, lavagem eventual Piso intertravado com juntas abertas
Área da churrasqueira Convivência e comida quente Precisa ser firme, lavável, antiderrapante Concreto queimado ou porcelanato específico
Corredor lateral Circulação leve Passagem esporádica, sem peso pesado Placas de pedra espaçadas com pedrisco
Jardim e canteiro Plantio e paisagismo Cobertura vegetal, terra aparente Seixos, pedriscos, casca de árvore
Área de descanso Rede, banco, mesa ao ar livre Conforto térmico e estético Deck de madeira ou pedra natural

Que cuidados são necessários antes de começar a reforma?

A troca do piso começa muito antes da compra do material. O caimento do terreno precisa ser avaliado, porque o piso permeável não é mágico: se a água tem muita força de entrada em um ponto e nenhum caminho de escoamento no outro, ainda vai formar problema. A base precisa ser bem compactada, com manta geotêxtil adequada e contenção lateral firme para o material não afundar ou se espalhar com o tempo.

Cada material tem uma rotina de manutenção própria. Pedriscos podem sair do lugar se não tiverem guia lateral. Seixos acumulam folhas embaixo de árvores. Pisos drenantes precisam de limpeza periódica para não entupir as juntas com terra fina. Nada disso é impeditivo, mas entra no planejamento antes da obra começar, para evitar frustração depois. Contratar profissional que conheça a norma técnica também economiza retrabalho.

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Por que essa tendência dos anos 70 voltou justamente agora?

Existe uma resposta ambiental e uma resposta estética. A ambiental é evidente: cidades brasileiras enchendo com mais frequência, ondas de calor mais intensas nos verões recentes, exigências legais de permeabilidade em novos projetos, aumento da consciência sobre drenagem urbana. A estética é sutil e igualmente forte: a arquitetura contemporânea saiu da fase do concreto liso extremo e reencontrou valor nos caminhos irregulares, nas pedras aparentes, nos jardins integrados à casa que os anos 70 já amavam.

Voltando à cena do quintal quente com poça no portão, ela tem solução prática ao alcance da maioria das casas. Nem precisa demolir tudo. Basta identificar onde o concreto realmente cumpre função e onde ele só está engessando o terreno sem motivo. Ali, no lugar do cimento liso, entram pedra, brita, seixo, placa drenante. O quintal ganha drenagem, ganha frescor, ganha aparência de espaço vivo em vez de estacionamento vazio. E a rua da frente sofre um pouco menos na próxima chuva forte também.

💡 Curiosidade A diferença de temperatura entre o centro de uma grande cidade e a zona rural vizinha pode chegar a dez graus Celsius nos dias mais quentes, e a impermeabilização do solo urbano é uma das principais causas desse fenômeno chamado ilha de calor.