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Adeus, churrasqueira de tijolo: novo modelo vira tendência nas varandas em 2026, segundo arquitetos

Arquitetos apontam um novo modelo de churrasqueira como tendência para varandas.

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Quem cresceu em casa com quintal lembra bem o cenário. Churrasqueira de tijolo aparente encostada na parede, balcão de concreto ao lado, saco de carvão guardado num canto. Aquele modelo funcionava bem em espaços amplos, mas a churrasqueira de embutir tomou o lugar dele nas varandas dos apartamentos, e por motivos que fazem todo sentido.

Por que o modelo antigo já não cabe mais na maioria das casas?

A cena de quem mora em apartamento hoje conta a história inteira. Varanda de seis a dez metros quadrados, integrada com a sala, mobília planejada, poucos centímetros sobrando entre o sofá e a bancada. Colocar uma churrasqueira tradicional nesse espaço consome quase metade da área útil, bloqueia a passagem e domina o visual do ambiente inteiro.

O modelo de tijolo aparente foi projetado para outra realidade. Ele fazia sentido nas casas térreas dos anos 1980 e 1990, com quintal grande e varanda de vários metros de fundo. Nos apartamentos verticais que dominam as cidades brasileiras hoje, ele virou peso, tanto no espaço quanto no orçamento da obra.

O mercado tem opções para perfis bem diferentes de uso, orçamento e tipo de varanda.

O que exatamente é essa churrasqueira de embutir?

Diferentemente da churrasqueira tradicional de alvenaria, o modelo de embutir é um equipamento pronto que fica encaixado dentro de uma bancada. O revestimento pode ser porcelanato, quartzo, granito ou aço inox, e o conjunto se integra ao mobiliário planejado da varanda. Fica mais parecido com um fogão embutido do que com uma estrutura fixa de tijolo.

O ganho visual é o mais óbvio: linhas limpas, sem o volume do tijolo, sem a rusticidade forte que combinava com uns estilos e brigava com outros. O ganho prático vem logo em seguida: a mesma bancada pode receber pia, armário e área de preparo, transformando a varanda em uma cozinha externa funcional sem consumir espaço.

Quais tipos existem no mercado e para quem cada um serve?

A escolha depende de três fatores: como o condomínio permite, qual combustível você quer usar e quanto de fumaça a varanda comporta. Os principais tipos disponíveis:

1
Modelo a carvão embutido Mantém o sabor tradicional e o ritual da brasa, mas exige coifa e duto para conduzir a fumaça para fora.
2
Modelo a gás embutido Acende rápido, controla a temperatura com precisão e produz pouca fumaça, boa opção para varandas fechadas.
3
Modelo elétrico embutido Ideal para condomínios que proíbem gás e carvão, sem fumaça e com instalação mais simples e limpa.
4
Modelo com tampa e defumador Versões premium trazem grelhas reguláveis, bandeja coletora de gordura e tampa integrada para defumação.

Por que os arquitetos estão apontando essa mudança?

Não é modismo passageiro. Um estudo publicado na revista Ambiente Construído, ligada à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, analisou plantas de apartamento entre 1954 e 2008 e mostrou algo importante: a varanda passou a ter área majorada e assumiu função de preparo e consumo de alimentos, virando extensão da sala e, em muitos casos, se conectando diretamente com a cozinha.

Ou seja, a lógica do espaço mudou. A varanda deixou de ser um puxadinho para receber ar e virou o centro social do apartamento. Nesse novo papel, a churrasqueira precisa se encaixar como um eletrodoméstico integrado, não como uma estrutura pesada que domina o cômodo. A tendência apontada pelos escritórios de arquitetura em 2026 é o resultado natural dessa transformação de duas décadas.

Que cuidados técnicos ninguém pode ignorar antes de instalar?

A troca parece só uma questão estética, mas envolve exigências técnicas sérias, especialmente em apartamento. Alguns pontos que precisam ser verificados antes de fechar o projeto:

  • Regulamento interno do condomínio sobre uso de gás, carvão ou eletricidade em varanda
  • Capacidade elétrica da rede da varanda quando o modelo escolhido é elétrico
  • Instalação do gás feita conforme a norma ABNT que regula aparelhos a gás
  • Dimensionamento correto da coifa e do duto de exaustão para o volume da varanda
  • Distância mínima entre a churrasqueira e materiais inflamáveis do mobiliário
  • Aprovação do síndico e, se necessário, laudo técnico do engenheiro do prédio

Segundo a ABNT NBR 13103, a norma que rege a instalação de aparelhos a gás em residências no Brasil, o tipo do aparelho determina as características do ambiente onde ele será instalado, incluindo requisitos de ventilação e exaustão dos gases de combustão. Ignorar isso não é economia, é risco.

Como esse novo modelo se compara ao tradicional no dia a dia?

Cada modelo tem seus pontos fortes e seus limites. A tabela abaixo ajuda a bater o olho e decidir com base no seu tipo de moradia e no seu jeito de usar:

Aspecto Churrasqueira de tijolo Churrasqueira de embutir
Espaço ocupado Área na varanda Volume grande, difícil em varanda pequena Integrada, sem volume extra
Estética Visual do ambiente Rústica, tradicional, domina o visual Linhas limpas, combina com vários estilos
Tempo de obra Duração da reforma Semanas de alvenaria, sujeira e barulho Dias de marcenaria e instalação
Sabor da carne Resultado no prato Sabor tradicional forte de brasa Depende do combustível escolhido
Aprovação em apartamento Regras do condomínio Obra pesada, exige análise estrutural Mais fácil de aprovar

Existe algum ponto de atenção que muita gente esquece?

Um ponto que raramente aparece nos catálogos, mas importa para a saúde da família, é a fumaça do churrasco em ambiente pouco ventilado. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, a queima incompleta de matéria orgânica libera hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, substâncias associadas a diversos tipos de câncer. Em varanda fechada com ventilação insuficiente, esses compostos ficam concentrados.

Por isso, mais do que estética ou tendência, escolher o modelo certo passa por pensar como o ar circula na varanda. Uma coifa bem dimensionada resolve a maior parte do problema com carvão. Se a varanda é totalmente fechada e sem chance de exaustão adequada, os modelos elétrico ou a gás com controle de queima costumam ser opções melhores para o dia a dia.

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Vale a pena trocar o modelo antigo pelo novo?

Voltando à cena do começo, a churrasqueira de tijolo encostada na parede continua tendo lugar em casas com quintal, onde ela cabe com folga e ainda casa com o estilo da construção. O que mudou foi a proporção do brasileiro que mora nessa situação. A maioria das novas famílias vive em apartamento, com varanda menor e regras de condomínio para respeitar. Para essa maioria, o modelo de embutir resolve mais do que promete.

A decisão de trocar não precisa ser feita da noite para o dia, nem serve para todo caso. Se sua varanda é grande, se você faz churrasco só a carvão e valoriza o ritual da brasa demorada, o modelo tradicional ainda tem espaço. Se você quer ganhar metros quadrados úteis, ter uma área gourmet funcional e obedecer às regras do prédio sem obra pesada, a churrasqueira embutida é a escolha que os arquitetos vêm apontando com razão. Cada casa, cada perfil, cada varanda pede uma resposta diferente.