Ao voltar à fazenda da família em Aimorés, Sebastião Salgado encontrou rios secos e nenhum bicho, ouviu de Lélia a ideia de recriar a mata e o casal plantou mais de 2 milhões de árvores - Super Rádio Tupi
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Ao voltar à fazenda da família em Aimorés, Sebastião Salgado encontrou rios secos e nenhum bicho, ouviu de Lélia a ideia de recriar a mata e o casal plantou mais de 2 milhões de árvores

Antiga fazenda de gado da família virou reserva com mais de 3,6 milhões de árvores nativas e trouxe de volta aves, mamíferos e até jaguatirica

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Fundado por Sebastião e Lélia Salgado, o Instituto Terra já plantou mais de 3,6 milhões de árvores nativas desde 1998
Fundado por Sebastião e Lélia Salgado, o Instituto Terra já plantou mais de 3,6 milhões de árvores nativas desde 1998 - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O fotógrafo Sebastião Salgado, morto em maio de 2025 aos 81 anos, deixou mais do que imagens premiadas: deixou uma floresta de pé em Aimorés, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais. Na antiga fazenda de gado da família, ele e a mulher, Lélia Wanick Salgado, criaram o Instituto Terra e plantaram milhões de árvores nativas da Mata Atlântica, muda por muda.

Como estava a Fazenda Bulcão quando o casal voltou a Aimorés?

A terra estava esgotada. Era uma fazenda de pecuária com forte degradação ambiental, sem a mata que um dia cobriu a região. O retrato aparece na história oficial do Instituto Terra, que descreve a propriedade da família Salgado como um pasto castigado e distante da floresta original.

O casal reencontrou o lugar depois de anos vivendo fora do país, período em que Sebastião Salgado se firmou como um dos grandes nomes da fotografia documental. A paisagem da terra natal tinha mudado: sem cobertura vegetal, a água e os bichos também tinham sumido do cenário.

De onde veio a ideia de recriar a Mata Atlântica na fazenda?

A ideia nasceu do casal, diante da destruição. Em vez de desistir da terra, Lélia e Sebastião decidiram recuperar a floresta que existia ali. Assim, em 1998, os dois fundaram o Instituto Terra em Aimorés, com a meta de devolver a mata ao pedaço de chão da família.

Antes da recuperação, a Fazenda Bulcão tinha pastos degradados e havia perdido a cobertura da Mata Atlântica
Antes da recuperação, a Fazenda Bulcão tinha pastos degradados e havia perdido a cobertura da Mata Atlântica – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Lélia aparece nas páginas do instituto como cofundadora e uma das idealizadoras do projeto. A fazenda virou a RPPN Fazenda Bulcão, sigla de Reserva Particular do Patrimônio Natural. Segundo o Instituto Terra, o trabalho transformou a área degradada num caso de recuperação ambiental que trouxe de volta centenas de espécies da fauna nativa.

Entre as árvores pioneiras do bioma, algumas crescem rápido e ajudam a cobrir áreas abertas. Uma delas é tema de outra reportagem da Tupi.

Quantas árvores o Instituto Terra já plantou desde 1998?

Já são mais de 3,6 milhões de árvores nativas plantadas desde a fundação, segundo o balanço de resultados de 2025 do Instituto Terra. A marca de 2 milhões ficou para trás há tempo: em 2020, a conta já estava em cerca de 2,3 milhões.

Os primeiros plantios, no verão de 1999 para 2000, somaram 10 mil árvores. A linha do tempo abaixo, com dados do próprio instituto, mostra como o projeto ganhou escala.

A floresta em númerosINSTITUTO TERRA
Evolução do plantio na antiga Fazenda Bulcão e no entorno
Período Marco
1998 Fundação do instituto em Aimorés
Verão 1999/2000 Primeiros plantios, com 10 mil árvores
2020 Cerca de 2,3 milhões de árvores
2025 Mais de 3,6 milhões de árvores nativas

Com a floresta, a vida voltou. Um monitoramento de 2007 registrou 172 espécies de aves, 33 de mamíferos, 15 de répteis e 15 de anfíbios. Em 2011, uma jaguatirica apareceu na reserva, sinal de que a cadeia alimentar estava se recompondo.

Em 2025, o viveiro do Instituto Terra produziu mais de 450 mil mudas de 131 espécies
Em 2025, o viveiro do Instituto Terra produziu mais de 450 mil mudas de 131 espécies – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Em 2025, a sobrevivência das mudas na RPPN chegou a 91,12%, o maior índice da organização. O viveiro produziu mais de 450 mil mudas de 131 espécies, e o programa Terra Doce ajuda a recuperar nascentes em propriedades rurais da bacia do Rio Doce.

O Instituto Terra mantém um canal oficial com registros do trabalho em campo. O vídeo Refloresta, publicado pela organização, apresenta a iniciativa de recuperação da Mata Atlântica.

O que o legado de Sebastião Salgado deixa para quem fica?

Fica uma floresta em crescimento e uma organização que segue trabalhando. O instituto registrou 2025 como o ano da despedida do fundador Sebastião Salgado. O novo viveiro, com capacidade para até 2 milhões de mudas por ano, vai se chamar Viveiro Sebastião Salgado, com inauguração prevista para 2026.

Para o ouvinte do Rio, a história de Aimorés tem um recado próximo: a Mata Atlântica é também a floresta da Tijuca e das serras do estado. Se um pasto esgotado virou mata, cada árvore conta. Que tal olhar com mais carinho para o verde perto da sua casa?

E para quem gosta de acompanhar brasileiros que fazem bonito lá fora, tem mais história boa no site.