Aos 96 anos, Lima Duarte deixa plateia indignada em premiação: "Não fui porque só tinha preta" - Super Rádio Tupi
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Aos 96 anos, Lima Duarte deixa plateia indignada em premiação: “Não fui porque só tinha preta”

Declaração de ator de 96 anos sobre episódio na juventude gerou mal-estar em evento

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Discurso de Lima Duarte na APCA causa críticas. Foto: Reprodução/OFF Portal de Cultura

Lima Duarte, de 96 anos, virou assunto nas redes sociais após um discurso na cerimônia de premiação da APCA (Associação Paulista de Críticos da Arte), realizada na segunda-feira (4), em São Paulo. O ator foi homenageado com troféu especial por sua trajetória na televisão brasileira.

Ao receber a distinção, ele contou uma memória de quando tinha 15 anos e havia chegado a São Paulo vindo de Sacramento, em Minas Gerais. Na época, trabalhava no Mercado Municipal e vivia em situação precária. Durante a fala, descreveu como um colega o convidou para ir a uma zona de prostituição e explicou a diferença entre duas ruas do bairro do Bom Retiro, Aimorés e Itaboca. “Só tem preta”, teria dito o colega ao ser questionado sobre a Itaboca.

“Eu não fui. Moleque de rua, dormi embaixo do caminhão, não fui porque só tinha preta”, narrou Lima Duarte, completando: “Que vida, hein? Que coisa eu fui percebendo ao longo dessa vida.”

Assista ao momento da fala de Lima Duarte

Reação imediata no palco

A declaração gerou desconforto imediato na plateia e entre os presentes. Ainda durante a cerimônia, três artistas premiadas responderam à fala a partir do palco. Entre elas, Shirley Luz, vencedora do prêmio de Melhor Atriz de Cinema pelo filme “A Melhor Mãe do Mundo”, ressaltou que mulheres negras, antes rejeitadas, hoje ocupam espaços de reconhecimento e recebem prêmios.

Nas redes sociais, internautas classificaram o relato como racista. O ator também foi defendido. “Ele assumiu o erro”, escreveu uma.

Em resposta, Lima Duarte divulgou uma nota. “Eu contei uma memória da minha infância, de um Brasil muito duro, de um menino sem formação, vivendo na rua”, escreveu, afirmando que “aquela fala nasceu como retrato de um tempo e também como forma de protesto, do olhar de quem respeita e entende uma luta que é de todos.”