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Arqueólogos descobriram vestígios da extinção humana na Europa que datam de 5.000 anos atrás
Arqueólogos e geneticistas vêm reunindo, nas últimas décadas, evidências de um forte declínio da população humana em partes da Europa há cerca de 5 mil anos, associado ao fim do Neolítico, quando sociedades agrícolas antes densas sofreram um colapso demográfico, com abandono de áreas cultivadas, redução de monumentos funerários, sinais de epidemias e posterior chegada de novos grupos humanos, configurando um cenário de despovoamento seguido de reposição populacional.
O que foi o despovoamento humano na Europa há cerca de 5 mil anos
A expressão despovoamento humano na Europa descreve um período em que extensas regiões europeias perderam grande parte de sua população em pouco tempo, deixando poucos indícios de continuidade entre comunidades anteriores e posteriores. Sociedades neolíticas com agricultura consolidada e túmulos monumentais parecem ter sofrido um forte declínio demográfico, levando ao abandono de vilas e terras cultivadas.
Esse quadro é sustentado por diferentes tipos de evidências que se complementam, indicando um fenômeno amplo e não apenas local. Em várias áreas, antigas terras agrícolas foram recobertas por florestas, sugerindo retração das atividades humanas e possível combinação de mortalidade elevada e migrações em massa.

Como as evidências arqueológicas, ambientais e genéticas revelam esse colapso
Pesquisas combinam vestígios materiais, dados ambientais e DNA antigo para reconstruir a dinâmica populacional do fim do Neolítico. Esses estudos indicam uma forte redução da densidade humana em regiões antes ocupadas de forma intensa.
- Arqueologia: queda abrupta na construção de monumentos funerários e abandono de vilas.
- Radiocarbono: lacunas cronológicas com poucos enterramentos e sinais de descontinuidade.
- Estudos de pólen: retorno rápido das florestas sobre antigas áreas agrícolas.
- DNA antigo: rupturas genéticas entre populações sucessivas em um mesmo território.
Como o DNA antigo indica substituição populacional e possíveis causas do declínio
No complexo funerário de Bury, próximo a Paris, pesquisadores sequenciaram o genoma de mais de cem indivíduos de dois períodos de uso do cemitério, separados por uma fase quase sem enterramentos. A comparação dos genomas neolíticos europeus mostrou ausência de parentesco próximo entre os grupos mais antigos e os mais recentes, sugerindo substituição populacional e não continuidade direta.
Foram detectados fragmentos de DNA de patógenos, incluindo a bactéria Yersinia pestis, associada à peste, em parte dos restos humanos mais antigos, indicando possível impacto de epidemias no declínio das comunidades. A combinação de alta densidade populacional, contato intenso com animais domesticados e higiene limitada favorecia a rápida disseminação de doenças infecciosas.

Quais processos de colapso, migração e reocupação moldaram a pré-história europeia
Os pesquisadores sugerem que o despovoamento humano na Europa resultou de múltiplos fatores, como epidemias, mudanças ambientais, tensões sociais e possíveis conflitos entre grupos. Em várias regiões da França, Alemanha e Escandinávia, observa-se um ciclo de estabilidade, declínio, quase ausência humana e posterior retomada da ocupação com novos conjuntos populacionais.
No caso de Bury, os indivíduos da fase posterior mostram maior afinidade genética com grupos do sul da França e da Península Ibérica, reforçando a ideia de uma vaga demográfica que abriu espaço para migrações e misturas genéticas. Esse cenário rompe com a visão de transição linear entre o Neolítico e a Idade do Bronze e destaca a importância de crises demográficas e reorganizações populacionais na formação do mosaico de povos que habitaram a Europa nas eras seguintes.