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Arqueólogos estão explorando uma caverna escondida sob o castelo. “Um lugar único”
Caverna sob castelo revela 100 mil anos e surpreende cientistas
A descoberta de vestígios humanos e de animais na Gruta Wogan, sob o castelo de Pembroke, no País de Gales, revela uma sequência contínua de ocupação superior a 100 mil anos, com diferentes espécies humanas, megafauna extinta e fortes oscilações climáticas, tornando o local um arquivo natural raro para reconstituir ambientes, modos de vida, rotas de ocupação na pré-história britânica e impactos de mudanças climáticas de longa duração.
Qual é a importância arqueológica da Gruta Wogan para a pré-história da Grã-Bretanha
A expressão Gruta Wogan tornou-se central nas discussões sobre a pré-história britânica porque o sítio reúne, em um único contexto, evidências de animais de clima quente, espécies adaptadas ao frio extremo e diferentes grupos humanos. Essa diversidade reforça o valor da gruta como registro contínuo das respostas de fauna e humanos a ciclos glaciais e interglaciais.
Entre os achados estão ossos de hipopótamo datados de cerca de 120 mil anos, além de restos de mamute, rinoceronte-lanoso, rena e cavalo selvagem, indicando alternância entre fases amenas e períodos glaciais rigorosos. Esses vestígios permitem comparar a Gruta Wogan com outros arquivos paleoclimáticos europeus, como núcleos de gelo, sedimentos marinhos e registros de cavernas vizinhas.

Como a Gruta Wogan ajuda a reescrever a pré-história do Reino Unido
Gruta Wogan, porque o sítio permite recontar a pré-história britânica a partir de uma sequência estratigráfica longa e bem preservada, em vez de ocupações fragmentadas. A gruta oferece uma linha do tempo quase contínua que facilita a comparação entre períodos e mudanças ambientais.
O projeto de investigação, previsto para cinco anos, pretende mapear a ocupação desde caçadores-coletores após a última Idade do Gelo, cerca de 11.500 anos atrás, até os primeiros Homo sapiens que chegaram entre 45 mil e 35 mil anos atrás, buscando também sinais mais antigos de neandertais e possíveis sobreposições entre grupos humanos.
Quais métodos científicos modernos serão aplicados nas novas escavações na Gruta Wogan
O novo ciclo de escavações na Gruta Wogan será conduzido por arqueólogos em colaboração com especialistas em paleoclimatologia, geologia e genética, integrando dados de fauna, clima e DNA. Técnicas tradicionais de escavação serão combinadas com métodos avançados de laboratório e ferramentas digitais como scanners 3D e fotogrametria.
- Datação precisa das camadas, utilizando diferentes métodos para estabelecer a idade de ossos, dentes e sedimentos.
- Análises ambientais, para reconstruir vegetação, temperatura e umidade com base em pólen, microfósseis e partículas preservadas.
- Estudos de DNA antigo, em restos ósseos e sedimentos, revelando espécies presentes mesmo sem ossos visíveis.
- Análises isotópicas, em dentes e ossos para investigar dieta, mobilidade e origem geográfica de animais e humanos.

Como a Gruta Wogan se relaciona com o castelo de Pembroke e a paisagem de Pembrokeshire
A relação entre a Gruta Wogan e o castelo de Pembroke mostra que o mesmo espaço foi usado de forma estratégica por milênios, muito antes das muralhas medievais. A topografia elevada e a proximidade com o estuário explicam por que caçadores pré-históricos e nobres medievais valorizaram esse ponto da paisagem.
A fortaleza foi construída sobre um abrigo natural que já servia de refúgio para animais e humanos, evidenciando a importância da posição em termos de proteção, acesso à água e rotas de caça, e abrindo oportunidades para roteiros educativos que conectem passado profundo, história documentada e debates atuais sobre clima e biodiversidade.