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Arqueólogos mergulharam em águas desconhecidas e encontraram dois naufrágios da Segunda Guerra Mundial
Dois navios fantasmas revelam guerra esquecida nas Aleutas
A descoberta de dois naufrágios da Segunda Guerra Mundial perto da ilha de Attu, no arquipélago das Aleutas, reacendeu o interesse por um dos cenários menos lembrados do conflito no Pacífico Norte. Em uma região de neblina constante, mar agitado e baixas temperaturas, pesquisadores mapearam, pela primeira vez de forma sistemática, um campo de batalha submerso que revela a dimensão logística, estratégica e humana da guerra no extremo norte do oceano Pacífico.
Qual foi a importância de Attu e das Aleutas na Segunda Guerra Mundial
A Batalha de Attu, em 1943, foi a única reconquista de território norte-americano ocupado por forças japonesas durante a guerra. A presença de naufrágios na área mostra que o conflito nas Aleutas envolveu não só combates em terra, mas cadeias de suprimentos, cabos de comunicação e rotas marítimas estratégicas.
Os destroços do navio japonês Kotohira Maru e do cargueiro norte-americano SS Dellwood representam fases opostas da campanha, da ocupação japonesa à consolidação do controle dos EUA. Para pesquisadores e gestores de patrimônio cultural, esses vestígios ampliam a compreensão do teatro de operações das Aleutas e de sua relevância geopolítica.

O que o naufrágio Kotohira Maru revela sobre a logística japonesa
O Kotohira Maru, navio de carga japonês construído no fim da Primeira Guerra Mundial, atuava como transporte de materiais e possivelmente de tropas. Durante a campanha no norte do Pacífico, levou madeira, combustível e mantimentos a posições isoladas, como Attu, usada como ponto avançado de defesa nas Aleutas.
Em 1943, ao se aproximar da ilha sem escolta, o navio foi detectado por bombardeiros norte-americanos e atingido na proa, afundando rapidamente e matando todos os tripulantes. Pesquisas com sonar de varredura lateral e drones submarinos mostram o casco em posição ereta e a proa destacada, além de porões de carga, caldeira e popa em estilo “counter stern”, confirmando a identidade e o modo como a explosão colapsou a estrutura.
Como o SS Dellwood se tornou símbolo da infraestrutura militar americana
O SS Dellwood foi construído como navio-cabos no pós-Primeira Guerra Mundial, para instalar linhas de comunicação submarinas. Na Segunda Guerra, foi incorporado à frota militar dos EUA, conectando instalações no noroeste do Pacífico e no Alasca, com papel estratégico na comunicação segura.
Após a vitória em Attu, o Dellwood lançou cabos entre a ilha reconquistada e Shemya, onde se construía um importante aeródromo. Ao colidir com uma elevação rochosa submersa não mapeada, sofreu avarias graves, teve equipamentos valiosos retirados e, depois, foi detonado em explosões controladas, ficando com o casco achatado e um amplo campo de destroços, mas ainda preservando maquinário de lançamento de cabos.

Que tecnologias e memórias estão ligadas ao campo de batalha submerso de Attu
A investigação nas águas frias de Attu dependeu de tecnologias de levantamento subaquático e de pesquisa histórica integrada. Os estudos recentes combinaram recursos avançados para registrar a herança cultural submersa da região e reconstruir o contexto da campanha.
- Sonar de varredura lateral para mapear grandes áreas do fundo do mar e identificar formas compatíveis com estruturas de navios;
- Veículos operados remotamente (ROVs) para captar imagens em alta resolução e detalhes estruturais dos destroços;
- Integração com arquivos históricos para cruzar relatórios de pilotos, diários de bordo e mapas militares com os dados modernos.
Antes da guerra, Attu era habitada por comunidades Unangan, removidas após a ocupação japonesa em 1942, associando o Kotohira Maru ao deslocamento desse povo. O SS Dellwood e outros navios de apoio marcaram a intensa presença militar dos EUA, que alterou de forma duradoura a paisagem física e cultural das Aleutas, tornando esses naufrágios testemunhos materiais de memória, guerra e gestão de sítios históricos.