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As formigas seguem um caminho por dias e depois abandonam sem aviso

Nem toda trilha de formigas é definitiva

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As formigas seguem um caminho por dias e depois abandonam sem aviso
As formigas alteram rotas com base na disponibilidade de alimento no ambiente

Em muitos jardins e áreas urbanas, é comum observar trilhas bem definidas de formigas em um dia e, no seguinte, perceber que o trajeto foi alterado. Isso chama a atenção principalmente quando envolve formiga-cortadeira, como a espécie Atta sexdens, conhecida por carregar pedaços de folhas em longas filas organizadas. A mudança repentina de caminho não é aleatória: está ligada a estratégias de busca de alimento, proteção da colônia e adaptação rápida ao ambiente.

O que faz a formiga-cortadeira alterar suas trilhas

A palavra-chave central nesse tema é formiga-cortadeira, um grupo de formigas altamente organizadas que utiliza folhas para cultivar fungos no interior do ninho. Essas formigas marcam os trajetos com feromônios, substâncias químicas que funcionam como “placas de sinalização” no solo, orientando milhares de operárias ao mesmo tempo.

Quando o alimento em uma área diminui ou é totalmente consumido, a trilha perde importância e os sinais químicos se enfraquecem, abrindo espaço para a exploração de novos caminhos. No caso da Atta sexdens, isso também se relaciona à preservação da segurança da colônia, evitando zonas com predadores, fluxo intenso de pessoas ou alterações bruscas no terreno.

As formigas seguem um caminho por dias e depois abandonam sem aviso
Quem observa formigas percebe que a trilha – Créditos: depositphotos.com / softkrafts.live.com

Por que as trilhas de formigas mudam de um dia para o outro

Um dos principais motivos para a alteração diária de caminhos é a dinâmica do próprio ambiente, que está em constante mudança. Entre um dia e outro, podem ocorrer chuva, variações de temperatura, mudanças na disponibilidade de folhas e interferência humana, modificando a eficiência das rotas.

Esses fatores podem apagar marcas de feromônio, bloquear passagens ou tornar alguns trechos menos interessantes do ponto de vista energético. Além disso, mesmo sem mudanças evidentes para o observador, a colônia pode testar rotas alternativas para comparar distâncias, segurança e quantidade de recursos disponíveis.

  • Chuva e umidade podem diluir ou dispersar os feromônios, obrigando as formigas a “redescobrir” rotas.
  • Podas e corte de plantas alteram a oferta de alimento, fazendo a colônia procurar novas fontes.
  • Obstáculos físicos como calçadas, objetos e barreiras forçam o desvio do trajeto.
  • Interferência química por produtos de limpeza ou defensivos pode mascarar ou destruir o cheiro da trilha.

Como as formigas escolhem e ajustam seus caminhos

A escolha das trilhas pelas formigas, incluindo as cortadeiras, é resultado de um processo coletivo guiado por sinais químicos. No início, algumas operárias exploradoras caminham em diferentes direções, deixando um rastro de feromônio fraco que marca, de forma preliminar, possíveis rotas.

Quando uma exploradora encontra uma boa fonte de alimento, retorna ao ninho reforçando o feromônio no percurso, o que atrai mais operárias. Com o aumento do fluxo, essa trilha se torna a rota principal, mas continua sendo reavaliada: se o recurso acaba ou o trajeto se torna perigoso, outras rotas são testadas e podem gradualmente substituir o caminho anterior.

  1. Exploração inicial: poucas formigas buscam novas áreas ao redor do ninho.
  2. Descoberta do recurso: ao encontrar folhas adequadas, a formiga marca melhor o caminho de volta.
  3. Reforço da trilha: mais operárias seguem esse rastro, tornando-o a rota principal.
  4. Reavaliação constante: se o recurso acaba ou o trajeto fica arriscado, novas rotas ganham importância.

Algumas formigas mudam de caminho de um dia para o outro, e isso sempre chama atenção. Neste vídeo do canal César Favacho, que reúne mais de 315 mil de inscritos e soma cerca de 93 visualizações, você entende por que esse comportamento acontece:

@cesarfavacho As formigas saúvas/cortadeiras e sua jornada diária em busca de alimento para sua fazenda de fungos #naturalista #inseto #biologia #formiga #canon #laowa #ulanzi #entomologia #atta #attini #ciencia #documentario #minidoc ♬ Chill Vibes – Tollan Kim

Quais curiosidades existem sobre trilhas de formigas cortadeiras

Entre as curiosidades da natureza ligadas ao comportamento de trilhas, a organização da formiga-cortadeira se destaca pela complexidade. Em colônias maduras de Atta sexdens, as trilhas podem chegar a dezenas de metros, com faixas de ida e volta bem definidas, lembrando o fluxo de uma estrada movimentada e, às vezes, “alisando” visivelmente o solo.

Pesquisas em comportamento animal mostram que, ao bloquear uma trilha tradicional, as formigas não ficam desorientadas por muito tempo. Surgem rapidamente desvios laterais e novas rotas, sinal de que a colônia mantém sempre um certo nível de exploração ao redor da trilha principal, garantindo o fornecimento contínuo de folhas para o fungo interno, base da alimentação da colônia.

Como esse comportamento de trilhas ajuda na sobrevivência da colônia

A capacidade de alterar trilhas com rapidez aumenta a eficiência na coleta de alimento e reduz perdas de operárias. Ao escolher rotas que equilibram distância, segurança e quantidade de recursos, a colônia otimiza energia, protege suas trabalhadoras e assegura o crescimento do fungo cultivado.

Assim, quando uma trilha de formigas desaparece de um dia para o outro e surge em outro ponto do quintal ou do jardim, o que se observa é a adaptação constante desses insetos ao ambiente. A alteração de rota faz parte de um sistema refinado de busca, uso e renovação de recursos, mostrando como pequenos animais podem responder rapidamente às variações do meio em que vivem.