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As ilhas vulcânicas de “infinitas águas e infinitas árvores” entre fogo e mar no Brasil, encantam com uma das praias mais belas do planeta
Um paraíso moldado por fogo e mar.
Mar azul-turquesa, paredões cobertos de vegetação e praias frequentemente listadas entre as ilhas vulcânicas mais bonitas do planeta fazem de Fernando de Noronha um dos destinos mais desejados do Brasil. O arquipélago pernambucano, formado por 21 ilhas de origem vulcânica, combina natureza preservada, vida marinha abundante e uma história muito mais antiga do que muita gente imagina.
Como Fernando de Noronha passou de colônia penal a paraíso ecológico?
A história do arquipélago começou oficialmente em 1503, quando o navegador Américo Vespúcio registrou a existência das ilhas durante expedições portuguesas pelo Atlântico. Pouco depois, em 1504, o rei Dom Manuel I concedeu o território ao comerciante português Fernão de Loronha, criando a primeira capitania hereditária do Brasil, embora o donatário jamais tenha ocupado efetivamente a região.
Durante séculos, Fernando de Noronha teve funções muito diferentes do turismo atual. Entre 1737 e 1972, serviu como presídio isolado no Atlântico, recebendo desde criminosos comuns até presos políticos do período do Estado Novo. Na Segunda Guerra Mundial, o arquipélago também ganhou importância estratégica e virou base militar brasileira e americana.
A transformação definitiva veio apenas no fim do século XX. Em 1988, cerca de 70% da área terrestre e marítima passou a integrar o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, garantindo proteção ambiental rigorosa. O reconhecimento internacional chegou em 2001, quando a UNESCO declarou o arquipélago Patrimônio Natural da Humanidade, consolidando Noronha como um dos ecossistemas mais preservados do Atlântico Sul.

Quais praias visitar em Fernando de Noronha?
A ilha principal se divide em dois lados: o Mar de Dentro, voltado para o continente brasileiro, com águas calmas entre abril e outubro, e o Mar de Fora, voltado para a África, com ondas mais fortes e praias dentro do Parque Nacional. O sol nasce por volta das 6h e se põe às 18h, o que rende dias inteiros de praia sem sombra de morro no fim da tarde.
- Baía do Sancho: eleita cinco vezes a melhor praia do mundo pelo TripAdvisor. Acesso por escadaria entre fendas rochosas, com cerca de 200 degraus. Ideal para mergulho livre em águas verde-esmeralda.
- Baía dos Porcos: pequena faixa de areia com vista frontal para o Morro Dois Irmãos. Na maré baixa, piscinas naturais se formam entre as rochas vulcânicas.
- Praia do Leão: principal ponto de desova da tartaruga-verde entre dezembro e maio. Bancadas de recife aparecem na maré baixa.
- Praia da Cacimba do Padre: faixa larga com ondas consistentes de dezembro a março, palco de campeonatos de surfe.
- Praia da Atalaia: aquário natural com acesso controlado por trilha guiada e limite diário de visitantes. Flutuação obrigatória com colete e snorkel.
Fernando de Noronha é o destino dos sonhos. O vídeo é do canal Vou Levar Na Viagem, com mais de 35 mil inscritos, e detalha um roteiro de 5 dias com taxas, passeios e preços atualizados:
Golfinhos que giram no ar toda manhã
A Baía dos Golfinhos é considerada o ponto de observação mais regular de golfinhos rotadores em todo o planeta. Os animais entram na baía ao alvorecer e podem ser vistos do mirante, sem necessidade de descer à praia, já que o banho é proibido para proteger a colônia. O espetáculo de saltos e giros acontece em cerca de 95% dos dias do ano.
Noronha também abriga mais de 230 espécies de peixes, 15 espécies de corais, tubarões de recife e tartarugas marinhas. O Projeto Tamar, com base no bairro do Boldró, monitora a desova e realiza palestras noturnas abertas ao público.

Onde comer no arquipélago pernambucano?
A gastronomia de Noronha gira em torno de peixes e frutos do mar frescos, pescados de forma artesanal fora dos limites do Parque Nacional. Os preços acompanham o custo insular, já que quase tudo chega do continente por navio ou avião. A dica é priorizar pratos com ingredientes regionais nordestinos.
- Cacimba Bistrô: na Vila dos Remédios, combina culinária regional com toques internacionais. O camarão com banana ao curry é um dos mais pedidos.
- Xica da Silva: há mais de 13 anos na ilha, serve moqueca de peixe e camarão que atende dois. Fica na Floresta Nova.
- Varanda: na Vila do Trinta, com carne de sol, peixe na crosta de castanha e caipirinhas com frutas locais.
- Mergulhão: vista para o Porto de Santo Antônio, boa pedida para drinks ao pôr do sol.
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Quando ir a Fernando de Noronha?
O clima é tropical oceânico, com temperaturas estáveis o ano inteiro. A escolha do período depende da atividade: mergulho pede época seca, surfe pede swell.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao arquipélago saindo do continente?
Voos diretos partem do Recife (1h10) e de Natal (1h), operados pela Azul e pela Gol. Ao desembarcar, o visitante paga a Taxa de Preservação Ambiental (TPA), proporcional ao número de dias na ilha. O ingresso do Parque Nacional Marinho é cobrado à parte e vale por dez dias. Na ilha, a locomoção é feita por buggy, ônibus (a cada 30 minutos) ou pela BR-363, a menor rodovia federal do país, com apenas 7 km de extensão.
Um pedaço de oceano que merece cada centavo
Fernando de Noronha cobra caro para ser visitada, controla cada trilha e limita o número de pessoas nas praias. Em troca, entrega um ecossistema marinho raro, praias sem barracas e o privilégio de dividir o mar com golfinhos que giram no ar antes de mergulhar de volta ao azul.
Você precisa pisar nesse arquipélago ao menos uma vez e entender por que Vespúcio, há cinco séculos, chamou Noronha de paraíso.