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As primeiras pegadas fósseis do antigo deserto paulista apareceram numa calçada da cidade que hoje é a 6ª mais desenvolvida de SP
Rochas de um antigo deserto preservaram pegadas de dinossauros.
Ninguém espera encontrar a história de um deserto pré-histórico no chão de uma calçada. Em São Carlos, no interior de São Paulo, lajes de arenito usadas para pavimentar as ruas guardavam rastros de animais que cruzaram dunas há mais de 120 milhões de anos. A descoberta abriu caminho para uma das maiores coleções de pegadas fósseis do país, que hoje está na própria cidade.
Como pegadas pré-históricas foram parar nas calçadas de São Carlos?
Vieram junto com as pedras. As lajes de calçamento eram cortadas do arenito da Formação Botucatu, rocha formada pela areia de um antigo deserto de dunas, e algumas delas traziam pegadas preservadas. Segundo pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os primeiros registros fósseis dessa formação foram observados justamente no calçamento de São Carlos, e uma das lajes foi levada ao museu que deu origem ao Instituto Geológico de São Paulo.
O olhar atento partiu de um engenheiro. Reportagem da Pesquisa FAPESP, reproduzida pela UFJF, conta que o engenheiro de minas Joviano Pacheco ficou intrigado com as marcas no arenito cor-de-rosa de um passeio público da cidade no início do século XX. Os rastros pertencem a dinossauros terópodes, o grupo dos carnívoros que andavam sobre duas patas, e a pequenos mamíferos. Os dinossauros costumavam atravessar as grandes dunas em diagonal, possivelmente em busca de recursos, segundo estudo conjunto da UFRJ e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Onde ver as pegadas fósseis em São Carlos?
Parte delas está exposta no centro da cidade. O Museu da Ciência Prof. Mário Tolentino, na Praça Coronel Salles, exibe em mostra permanente as primeiras pegadas de pterossauros descritas no Brasil, répteis voadores que viveram na mesma época dos dinossauros. Os fósseis foram encontrados há cerca de 20 anos numa pedreira de Araraquara e descritos por pesquisadores da UFSCar, da UFRJ e do Instituto Cavanis, de Veneza, em estudo publicado nos Anais da Academia Brasileira de Ciências.
O acervo científico é ainda maior. O paleontólogo Marcelo Adorna Fernandes, da UFSCar, reuniu ao longo de décadas a maior coleção de pegadas fósseis do Brasil, com quase mil peças, segundo a mesma reportagem da Pesquisa FAPESP. A joia do conjunto é uma trilha com cerca de 4 metros, um registro raro da caminhada contínua de um animal pelo antigo deserto.
Como é a qualidade de vida em São Carlos?
A cidade aparece entre as mais desenvolvidas do estado. No Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) 2025, calculado com dados de 2023, São Carlos ocupa a 6ª posição entre os municípios paulistas, com nota 0,8675, em uma escala de 0 a 1 que combina emprego e renda, educação e saúde.
O avanço chama atenção. Em 2013, quando começou a série histórica atual do índice, a cidade estava na 30ª posição estadual, e a nota cresceu 12,1% em uma década. A cidade abriga campi de duas grandes universidades públicas, a Universidade de São Paulo (USP) e a UFSCar, e tem na pesquisa uma de suas marcas.
O que fazer em São Carlos?
O roteiro combina ciência, história do café e áreas verdes. Estes pontos completam a visita.
Qual a melhor época para visitar São Carlos?
O verão concentra as chuvas, com janeiro somando 263 mm. No inverno, julho e agosto registram apenas 26 mm cada, e as mínimas de julho ficam perto de 13°C, clima seco e agradável para passeios a pé.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a São Carlos?
A cidade fica a cerca de 230 km da capital paulista. O caminho mais comum segue pelas rodovias Bandeirantes ou Anhanguera e depois pela Washington Luís (SP-310), que corta o centro do estado.
Araraquara fica a menos de 40 km, o que permite combinar a visita com a cidade vizinha, onde fica a pedreira de onde saíram muitas das lajes com pegadas.
Leia também: A cidade que pagava operários em tecido, é hoje a 5ª mais desenvolvida do Brasil pelo índice da Firjan.
A cidade que aprendeu a olhar para o chão
São Carlos transformou uma curiosidade nas calçadas em ciência de ponta. As pedras que pavimentavam as ruas revelaram um deserto desaparecido, e a cidade que abriga duas grandes universidades virou guardiã de um dos maiores acervos de pegadas fósseis do país.
Você precisa conhecer São Carlos e visitar o museu do centro para ver de perto os passos de animais que atravessaram o deserto muito antes de existir a cidade.