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Bolas estranhas estão aparecendo ao longo das margens dos oceanos. Elas podem estar salvando o mar

Bolas de Netuno podem conter milhares de microplásticos por kg

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Bolas estranhas estão aparecendo ao longo das margens dos oceanos. Elas podem estar salvando o mar
Oceano

Ao caminhar por praias do Mar Mediterrâneo, muitas pessoas encontram pequenos globos fibrosos acastanhados espalhados na areia. Esses aglomerados, conhecidos como “bolas de Netuno”, são formados pela planta marinha Posidonia oceanica, uma gramínea subaquática típica da região, que além de estruturar prados submersos essenciais à biodiversidade passou a ser estudada como possível filtro natural de microplásticos, concentrando resíduos sintéticos que chegam ao mar por rios, esgotos e descarte direto.

O que é a planta marinha Posidonia oceanica e como se formam as bolas de Netuno

A Posidonia oceanica é uma planta marinha endêmica do Mediterrâneo, que forma prados densos em fundos arenosos ou rochosos, em profundidades superiores a 40 metros. Diferente de algas, possui raízes, rizomas e folhas longas que se renovam o ano todo.

À medida que envelhecem e se desprendem, as folhas secas se acumulam, se enroscam e se compactam, originando as bolas de Netuno. O movimento das ondas entrelaça as fibras lignocelulósicas, gerando estruturas esféricas usadas historicamente como isolamento, acolchoamento e insumo agrícola.

Bolas estranhas estão aparecendo ao longo das margens dos oceanos. Elas podem estar salvando o mar
Bolas de Netuno – Créditos: (depositphotos.com / chrupka)

Como a Posidonia oceanica retém microplásticos e quais tipos de resíduos são encontrados

Com o aumento da poluição plástica, pesquisadores observaram que muitas bolas de Netuno chegam à costa contendo grande quantidade de microplásticos. As fibras da planta funcionam como uma rede natural que intercepta fragmentos em suspensão ou próximos ao fundo.

Plásticos finos, fios, fragmentos de embalagens e fibras têxteis ficam presos na estrutura fibrosa e são incorporados à massa vegetal. Em um único quilograma de material podem ser encontrados centenas ou milhares de partículas, incluindo fibras de tecidos, cotonetes, lenços umedecidos e resíduos de higiene pessoal.

De que forma as bolas de Netuno ajudam a reduzir a poluição plástica costeira

A interação entre Posidonia oceanica e microplásticos é vista como um serviço ecológico. Ao capturar fragmentos, os prados retiram resíduos da coluna d’água e do fundo raso, concentrando-os em bolas que retornam às praias e podem ser recolhidas com mais facilidade.

Esse processo ocorre em etapas encadeadas, que ajudam a entender como a planta contribui para a gestão da poluição:

  • Entrada de plásticos no mar, principalmente por rios e áreas urbanas costeiras.
  • Fragmentação em microplásticos e dispersão na água e nos sedimentos rasos.
  • Intercepção dos fragmentos pelas folhas e fibras da Posidonia oceanica.
  • Formação de bolas de Netuno que incorporam resíduos plásticos diversos.
  • Transporte dessas bolas até as praias pelas ondas e correntes marinhas.
  • Remoção manual do material poluído em ações de limpeza costeira organizadas.
Bolas estranhas estão aparecendo ao longo das margens dos oceanos. Elas podem estar salvando o mar
Bolas de Netuno – Créditos: (depositphotos.com / Zetor2010)

Qual é a importância ecológica da Posidonia oceanica e como sua conservação apoia o combate ao plástico

Além de reter microplásticos, a Posidonia oceanica oferece abrigo, alimentação e áreas de reprodução para peixes, moluscos e invertebrados. Sua rede de raízes estabiliza o fundo, reduz a erosão costeira, amortece ondas e atua como importante reservatório de carbono nos sedimentos.

A espécie é ameaçada por construções costeiras, ancoragem sobre os prados, poluição química e aquecimento das águas. Por isso, políticas de proteção incluem áreas marinhas protegidas, controle de ancoragem, monitoramento de microplásticos em bolas de Netuno, campanhas de conscientização e integração da coleta dessas bolas à gestão adequada de resíduos plásticos.