Brasil, Venezuela e Guiana: três países dividem esta montanha de quase 2 bilhões de anos que inspirou O Mundo Perdido e uma famosa animação da Pixar - Super Rádio Tupi
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Brasil, Venezuela e Guiana: três países dividem esta montanha de quase 2 bilhões de anos que inspirou O Mundo Perdido e uma famosa animação da Pixar

Uma montanha de quase 2 bilhões de anos.

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Porque o parque nacional fica inteiramente dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. / Imagem ilustrativa

Fronteiras costumam dividir territórios, mas raramente decidem por onde um viajante pode entrar em uma montanha. No Monte Roraima, ponto onde Brasil, Venezuela e Guiana se encontram, a pequena parte brasileira está protegida dentro de uma Terra Indígena, e a única trilha turística até o topo começa do lado venezuelano.

Quanto do Monte Roraima fica no Brasil?

Menos de 10%. O dado consta do Plano de Manejo do Parque Nacional do Monte Roraima, unidade criada pelo Decreto nº 97.887, de 28 de junho de 1989, com cerca de 116 mil hectares no extremo norte de Roraima. O restante do maciço se divide entre a Venezuela, onde a montanha integra o Parque Nacional Canaima e fica a rota turística, e a Guiana.

A montanha é um tepui, nome indígena dado às montanhas de topo plano e paredões verticais típicas do Escudo das Guianas. Vista de longe, parece uma mesa gigante apoiada sobre a savana, com o platô muitas vezes coberto por nuvens.

Monte Roraima é uma formação geológica pré-cambriana com cerca de 2 bilhões de anos, considerada uma das superfícies mais antigas da Terra. / Créditos: Wikipédia

Por que brasileiros não sobem o Monte Roraima pelo Brasil?

Porque o parque nacional fica inteiramente dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. O decreto de homologação da Terra Indígena estabeleceu que o parque é um bem da União submetido a dupla afetação, regime que obriga a área a cumprir ao mesmo tempo a função de unidade de conservação e de território indígena.

A gestão é compartilhada entre a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o órgão ambiental federal, hoje o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e a comunidade Ingarikó. A Terra Indígena pertence aos povos Ingarikó, Makuxi, Patamona, Taurepang e Wapixana, e estudo da Universidade Federal do Pará (UFPA) lembra que a presença indígena na região aparece em registros desde 1810. Na prática, o turismo pelo lado brasileiro não está aberto.

Como um botânico inspirou O Mundo Perdido?

Com o relato da primeira subida conhecida ao topo. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) registra que o monte é formado por arenitos com quase 2 bilhões de anos e que o botânico Everard im Thurn alcançou o platô em 1884, pela rota venezuelana usada até hoje. Os relatos dessa expedição inspiraram Arthur Conan Doyle a escrever O Mundo Perdido, lançado em 1912.

A fascinação europeia pelos tepuis era antiga. Pesquisa publicada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) lembra que Sir Walter Raleigh fez a primeira menção europeia a uma dessas montanhas no século XVI. Três séculos depois, im Thurn subiu com o topógrafo Harry Perkins e um grupo de indígenas, e Conan Doyle frequentava as palestras em que as descrições da escalada eram apresentadas em Londres.

Leia também: A cidade que pagava operários em tecido, é hoje a 5ª mais desenvolvida do Brasil pelo índice da Firjan.

O clima no topo é drasticamente diferente da base, comportando-se como uma ilha fria no meio da Amazônia. / Créditos: Wikimedia Commons

Como é a trilha até o topo do Monte Roraima?

A expedição exige vários dias de caminhada e acompanhamento de guias locais. Estes são os marcos do percurso.

1
Paraitepuy Comunidade indígena pemon, na Venezuela, onde começa e termina a trilha.
2
Caminhada até a base Cerca de 22 km pela savana até o pé do paredão, com pernoites em acampamentos.
3
A Rampa Passagem natural pelo paredão, a mesma usada por im Thurn em 1884, que não exige escalada técnica.
4
O platô Rochas esculpidas pela erosão e o ponto mais alto do maciço, a cerca de 2.800 metros.
5
Marco da tríplice fronteira No alto do platô, um único ponto reúne os limites do Brasil, da Venezuela e da Guiana.

Qual a melhor época para subir o Monte Roraima?

O regime de chuvas da região é diferente do restante do país. Em Pacaraima, cidade brasileira mais próxima, maio é o mês mais chuvoso, com 388 mm, e fevereiro o mais seco, com 79 mm. No topo, a altitude deixa as noites bem mais frias do que na cidade-base.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 18-28°C
Chuva: Baixa
Melhor janela para o trekking.
🍂 Outono Mar-Mai
Média: 19-29°C
Chuva: Alta
Início das chuvas, trilha mais exigente.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 18-26°C
Chuva: Muito alta
Período mais chuvoso, menos indicado.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 18-28°C
Chuva: Média
Chuvas em queda, boa alternativa ao verão.
💡 Dica do especialista: de dezembro a fevereiro a chuva é menor e a trilha fica mais segura. Leve roupas para frio e chuva mesmo na estação seca, porque o tempo muda rápido no platô.

Temperaturas aproximadas de Pacaraima com base no Climatempo. No topo do monte, as temperaturas são mais baixas. Condições podem variar.

Como chegar ao Monte Roraima?

O ponto de partida brasileiro é Boa Vista. De lá, a BR-174 segue por cerca de 215 km até Pacaraima, na fronteira, e a viagem continua pela Venezuela até a comunidade de Paraitepuy, onde começa a caminhada.

Como o roteiro cruza a fronteira, consulte antes da viagem as exigências de documentação e as recomendações do Itamaraty para a Venezuela, e feche a expedição com operadoras que trabalham com guias pemon credenciados.

A montanha que pertence a três países e a muitos povos

O Monte Roraima mostra que uma paisagem pode ser ao mesmo tempo patrimônio natural, território indígena e cenário de literatura. A pequena fatia brasileira é protegida justamente por quem vive ali há séculos, enquanto o caminho até o topo segue os passos de uma expedição de 1884.

Você precisa conhecer o Monte Roraima e caminhar até o platô para entender por que essa montanha de 2 bilhões de anos inspirou tantas histórias.