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Bruno Luperi recorda brigas com Benedito Ruy Barbosa ao adaptar Pantanal e Renascer

Bruno Luperi relembrou os desafios de assumir a responsabilidade de adaptar duas das novelas mais marcantes da carreira de seu avô

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Bruno Luperi com Benedito Ruy Barbosa

Bruno Luperi relembrou os desafios de assumir a responsabilidade de adaptar duas das novelas mais marcantes da carreira de seu avô, Benedito Ruy Barbosa. Em entrevista ao “Fantástico”, o autor contou detalhes dos bastidores das versões de “Pantanal” e “Renascer” e revelou que chegou a discutir com o veterano durante o processo criativo.

Escolhido pela Globo para atualizar os clássicos exibidos originalmente em 1990 e 1993, Luperi afirmou que as mudanças nas histórias nem sempre foram simples de conduzir. Segundo ele, uma das conversas mais intensas entre os dois aconteceu durante uma discussão sobre os rumos da adaptação.

“Ao longo de algumas brigas que nós tivemos… Numa delas, a gente ficou duas horas discutindo. Passou meia hora, ele falou: ‘Quer saber de uma coisa? Faz como se fosse teu. Vai com o que Deus te deu e não precisa mais ficar pedindo a minha bênção’”, contou o autor durante a entrevista.

Bruno explicou que cada remake apresentou um tipo diferente de desafio. Para ele, “Pantanal” teve um peso emocional ainda maior, já que a obra original estava diretamente ligada à trajetória de Benedito Ruy Barbosa. “O Pantanal que ele conheceu não foi o Pantanal que eu fui quando eu conheci, por exemplo”, afirmou.

Além das cobranças familiares, o escritor também destacou a pressão do público, que tinha uma forte relação afetiva com personagens como Juma Marruá, José Leôncio e José Inocêncio. Para Luperi, atualizar histórias tão importantes exigia cuidado para preservar a essência criada pelo avô.

O autor também falou sobre a relação pessoal com Benedito, descrevendo o avô como alguém que vivia intensamente o processo de criação. Segundo ele, quando estava escrevendo uma novela, o dramaturgo mergulhava completamente no universo da obra, mas fora do trabalho era conhecido por reunir a família e compartilhar histórias de vida.

Durante a conversa, Luperi afirmou que uma das maiores lições deixadas por Benedito foi a capacidade de enxergar a complexidade do brasileiro em situações simples. “Ele sabia enxergar na simplicidade do brasileiro a complexidade humana. E ele colocou isso nos personagens dele de forma brilhante”, declarou.

Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos na terça-feira (7) e deixou uma extensa trajetória na televisão brasileira, marcada por novelas que retrataram o interior do país e personagens que se tornaram parte da cultura nacional. Para Bruno Luperi, preservar esse legado é uma forma de manter viva a memória de um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira.

O texto Bruno Luperi recorda brigas com Benedito Ruy Barbosa ao adaptar Pantanal e Renascer foi publicado primeiro no Observatório dos Famosos.