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Casal coloca painel solar de R$ 32 mil financiado para reduzir a conta de luz, no terceiro mês a distribuidora muda a regra de compensação e a economia prometida pela empresa cai pela metade

Desde 2023, a energia solar compensada paga uma fatia crescente do uso da rede, que chega a 60% em 2026 e reduz a economia de quem instalou placas recentemente

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A economia do painel solar pode ficar abaixo da prometida porque a cobrança do Fio B sobe a cada ano, e as parcelas do financiamento continuam as mesmas
A economia do painel solar pode ficar abaixo da prometida porque a cobrança do Fio B sobe a cada ano, e as parcelas do financiamento continuam as mesmas - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Financiar um painel solar de R$ 32 mil e ver a economia na conta de luz encolher logo nos primeiros meses é um susto que pesa no bolso. Na maior parte das vezes, a mudança não parte da distribuidora. Ela vem do cronograma do Fio B, previsto na Lei 14.300, o marco legal de quem gera a própria energia. Conhecer essa regra antes de assinar evita frustração e parcela apertada no orçamento.

Por que a economia do painel solar cai depois de instalado?

A economia cai porque parte da energia gerada passa a pagar pelo uso da rede elétrica. O painel produz mais durante o dia, quando a casa costuma estar vazia, e o excedente vai para a rede. À noite, essa energia volta como crédito, dentro do sistema de compensação de energia elétrica, o SCEE.

Essa ida e volta usa fios, postes e transformadores. Por isso, a lei determinou que a energia compensada pague, de forma gradual, a parte da tarifa ligada à remuneração, à depreciação e à manutenção da rede de distribuição. É esse pedaço da conta que o setor chama de Fio B. Uma simulação de venda que trata toda a geração como desconto integral tende a prometer mais do que a fatura vai mostrar.

Parte da energia gerada vai para a rede e volta como crédito, e a Lei 14.300 manda esse uso pagar gradualmente o Fio B, que chega a 60% em 2026
Parte da energia gerada vai para a rede e volta como crédito, e a Lei 14.300 manda esse uso pagar gradualmente o Fio B, que chega a 60% em 2026 – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O que a Lei 14.300 diz sobre o Fio B em 2026?

Em 2026, a cobrança alcança 60% desses componentes sobre toda a energia compensada. O percentual sobe a cada ano desde 2023, conforme o artigo 27 da Lei 14.300, e muda na virada do calendário, não por decisão da empresa de energia.

A tabela abaixo reúne o escalonamento previsto no texto legal. Ele vale para quem pediu a conexão depois do prazo de transição, o que inclui as instalações mais recentes.

Cobrança do Fio B por anoLEI 14.300
Percentual aplicado sobre a energia compensada, segundo o artigo 27
Ano Percentual
2023 15%
2024 30%
2025 45%
2026 60%
2027 75%
2028 90%
2029 em diante Regras tarifárias definidas pela ANEEL

Quem já gerava energia quando a lei foi publicada, em janeiro de 2022, ou protocolou o pedido de acesso em até 12 meses, segue com a regra antiga até 31 de dezembro de 2045. Para os demais, o salto de um ano para o outro explica boa parte da diferença entre a promessa e a fatura.

Os créditos do sistema de compensação também têm prazo. Pela mesma lei, eles expiram 60 meses depois do faturamento em que foram gerados, sem nenhuma compensação ao consumidor.

A rede elétrica também pode limitar o retorno de quem investe em placas. Esse outro obstáculo aparece no caso de um condomínio que viu a economia travar.

Como fica o financiamento se a economia na conta de luz cair?

As parcelas do financiamento de energia solar continuam as mesmas, mesmo que a economia mensal fique abaixo da prevista. Se a conta de luz cair menos do que o valor da prestação, o orçamento da família fica no vermelho por anos.

Guarde contrato, simulação e faturas: se a promessa ignorou o Fio B, tente um acordo, procure o Procon ou registre reclamação na ANEEL pelo telefone 167
Guarde contrato, simulação e faturas: se a promessa ignorou o Fio B, tente um acordo, procure o Procon ou registre reclamação na ANEEL pelo telefone 167 – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Quem recebeu uma proposta com economia garantida por escrito deve guardar contrato, simulação e faturas. Se a vendedora prometeu um resultado que ignorava o Fio B, o caminho é tentar um acordo e, sem solução, procurar o Procon.

Dúvidas sobre a cobrança na fatura vão primeiro para a distribuidora e, depois, para a ouvidoria dela. Sem resposta, a reclamação pode ser registrada na ANEEL pelo telefone 167, conforme o serviço oficial de reclamação no portal gov.br.

O que conferir antes de financiar um sistema de energia solar?

Antes de fechar negócio, peça uma simulação que aplique o percentual do Fio B deste ano e dos próximos. Compare a parcela com a economia líquida, já descontado o uso da rede, e não com a conta antiga cheia.

Olhe também o seu perfil de consumo: quem usa mais energia durante o dia aproveita melhor a geração na hora. No Rio e na Baixada, as distribuidoras seguem o mesmo cronograma, porque a Lei 14.300 é federal. Se você está pensando em placas, faça as contas com calma, converse com a família e só assine o financiamento de energia solar quando tudo fechar.

Para quem quer cortar gastos já, sem investimento, o jeito de usar os aparelhos também pesa na fatura. Uma dica simples envolve o ar-condicionado.