Entretenimento
Chef de Alto Nível estreia com mais personalidade, mas ainda precisa encontrar o equilíbrio entre gastronomia e espetáculo
Segunda temporada do reality da Globo acerta ao ampliar o protagonismo de Ana Maria Braga e apostar em uma competição mais dinâmica, mas o excesso de tensão e a audiência abaixo das expectativas mostram que o formato ainda tem desafios a superar
A segunda temporada do Chef de Alto Nível, que estreou nesta terça-feira (13), na Globo, mostrou uma evolução em relação ao primeiro ano. Com uma produção visualmente sofisticada, competidores de diferentes perfis e uma Ana Maria Braga mais participativa, o reality gastronômico voltou à programação com mudanças positivas. Entretanto, a estreia também evidenciou limitações de um formato que, em determinados momentos, parece mais interessado no espetáculo do que na própria gastronomia.
O principal acerto foi ampliar a participação de Ana Maria Braga. Mais à vontade diante das câmeras, a apresentadora deixou de atuar apenas como condutora da competição para interagir diretamente com os participantes e avaliar suas preparações. Sua espontaneidade acrescentou personalidade à atração, especialmente quando criticou a carne servida por Dudu Teruszkin, considerada dura demais. A situação demonstrou como sua experiência e seu humor podem contribuir para tornar o programa mais interessante.
Outro ponto positivo foi a dinâmica das três cozinhas, que continua sendo o grande diferencial do formato. A desigualdade de recursos entre o porão, o nível intermediário e o topo cria dificuldades reais e exige dos competidores capacidade de adaptação, criatividade e domínio técnico. A estreia também explorou melhor as estratégias dos mentores Alex Atala, Jefferson Rueda e Renata Vanzetto, incluindo uma dinâmica de troca de participantes que acrescentou imprevisibilidade à formação das equipes.
Apesar disso, a edição acelerada prejudica um dos elementos mais importantes de uma competição culinária: o processo de criação dos pratos. Entre depoimentos, conflitos, avaliações e momentos de tensão, sobra pouco espaço para acompanhar as técnicas utilizadas pelos cozinheiros. A crítica especializada também identificou essa limitação, apontando que o programa privilegia o entretenimento em detrimento de uma abordagem mais aprofundada da gastronomia.
A escolha de começar a temporada com os cozinheiros amadores foi acertada. Os erros, as inseguranças e as histórias pessoais contribuíram para humanizar a disputa. A eliminação de Jéssica Cunha e Kiko Silva, seguida pelo reencontro dos classificados com seus familiares, reforçou o componente emocional. Entretanto, a insistência em lágrimas e momentos de superação pode tornar a narrativa previsível caso a produção não encontre um equilíbrio entre emoção e desempenho culinário.
Nas redes sociais, a estreia mobilizou principalmente os próprios participantes e suas comunidades. Alguns competidores se reuniram para acompanhar o episódio, enquanto os eliminados compartilharam suas experiências e declararam torcida aos colegas. A movimentação demonstra envolvimento com a competição, embora ainda não seja suficiente para caracterizar uma repercussão popular expressiva.
O desempenho de audiência também merece atenção. Segundo análise do jornalista José Armando Vannucci, o reality enfrentou forte concorrência do futebol exibido pelo SBT e de A Fazenda, da Record. Embora tenha conseguido manter a liderança em boa parte da exibição em São Paulo, registrou índices próximos dos dez pontos, abaixo do que se poderia esperar de uma produção desse porte. A avaliação foi baseada nos números observados durante a transmissão, e não deve ser confundida com um balanço definitivo da audiência consolidada.
A ampliação para 18 episódios e o prêmio de R$ 700 mil demonstram a aposta da Globo na consolidação da atração. No entanto, aumentar a duração e o investimento não garante maior interesse do telespectador. O desafio será desenvolver personagens, valorizar a qualidade das preparações e evitar que a competição se torne refém de conflitos artificiais.
Chef de Alto Nível voltou melhor do que estreou em 2025, mas ainda não atingiu todo o seu potencial. A presença mais ativa de Ana Maria Braga, o carisma dos mentores e a estrutura da produção são qualidades evidentes. Falta, porém, permitir que a gastronomia tenha tanto protagonismo quanto o espetáculo. A segunda temporada começou com ingredientes promissores, mas precisará de mais equilíbrio para transformar uma boa estreia artística em um sucesso consistente de público.
O texto Chef de Alto Nível estreia com mais personalidade, mas ainda precisa encontrar o equilíbrio entre gastronomia e espetáculo foi publicado primeiro no Observatório da TV.