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Cientistas descobriram um antigo monumento egípcio dedicado a um governante estrangeiro

Imperador romano coroado como faraó: descoberta surpreende arqueólogos

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Cientistas descobriram um antigo monumento egípcio dedicado a um governante estrangeiro
Inscrições revelam ligação com governante estrangeiro

Em meio a trabalhos de conservação no complexo de templos de Karnak, em Luxor, uma missão arqueológica identificou uma estela de arenito que reacende o debate sobre a relação entre Roma e o Egito antigo. A peça mostra o imperador romano Tibério vestido como faraó, coroado e envolvido em rituais ligados à manutenção da ordem cósmica, inserindo-se em um contexto de reaproveitamento de blocos e de continuidade de cultos tradicionais sob domínio romano.

O que é a estela de Tibério em Karnak e qual é seu contexto histórico

A estela de Tibério em Karnak mostra o imperador romano como faraó, com coroa dupla e trajes egípcios, participando de rituais de manutenção da ordem cósmica. Ela foi encontrada durante a restauração de um portal associado ao reinado de Ramsés III, em área com vestígios romano-tardios e bizantinos.

A presença de um governante estrangeiro representado como rei egípcio não é caso isolado, mas a peça se destaca pelo estado de preservação e pelo contexto arquitetônico. Ao lado de Tibério surgem divindades centrais do panteão egípcio, indicando continuidade de práticas e símbolos anteriores à chegada de Roma ao vale do Nilo.

Cientistas descobriram um antigo monumento egípcio dedicado a um governante estrangeiro
Estela em Karnak mostra como Roma virou “faraó” no Egito Antigo – Universal History Archive//Getty Images

Como a estela de Tibério revela a relação entre poder e religião no Egito romano

A estela de Tibério sintetiza a interseção entre arte, política e religiosidade no Egito sob domínio romano. Na cena, o imperador usa a coroa dupla, símbolo da união do Alto e do Baixo Egito, e participa de ritual ligado à Ma’at, a ordem e o equilíbrio do universo.

Ao assumir esse papel, o governante romano aparece como garantidor da estabilidade cósmica, função tradicionalmente atribuída aos faraós. Abaixo da cena principal, cinco linhas de hieróglifos registram obras de renovação na área do Templo de Amon, funcionando como ata em pedra que vincula Tibério às intervenções arquitetônicas e rituais.

De que forma os imperadores romanos foram representados como faraós no Egito

A estela de Tibério integra um conjunto de registros que mostram soberanos gregos e romanos adotando títulos, vestimentas e rituais egípcios. Ela o apresenta lado a lado com a tríade tebana Amon-Rá, Mut e Khonsu, inserindo o imperador na mesma lógica religiosa da antiga monarquia faraônica.

Outros exemplos ajudam a entender essa prática de legitimação do poder estrangeiro por meio da iconografia local:

  • Alexandre, o Grande: reconhecido como faraó em santuários e citado em inscrições hieroglíficas após a conquista do Egito.
  • Cláudio: retratado em templos como o de Ísis em Shanhur, erguendo edifícios para o deus Min e oferecendo presentes rituais.
  • Trajano: mostrado em relevo no templo de Khnum, em Esna, derrotando inimigos em cena típica da iconografia faraônica.

Em muitos casos, os nomes dos imperadores aparecem em cartuchos e em moedas com atributos visuais egípcios, reforçando a figura do “imperador-faraó”. Assim, o poder romano se conectava às expectativas religiosas das populações locais, mantendo a aparência de continuidade dinástica.

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Achado de Tibério em Karnak expõe estratégia secreta do poder romano

Como a escavação em Karnak foi conduzida e o que a estela de Tibério acrescenta aos estudos do templo

A estela surgiu durante um projeto de conservação do portal de Ramsés III em Karnak, realizado entre 2022 e 2025 por equipes egípcias e francesas. O trabalho envolveu desmontar, restaurar e reinstalar cada bloco do portão, identificando elementos reutilizados e fases construtivas sucessivas.

O processo incluiu remoção controlada, limpeza, reconhecimento de blocos decorados de Amenófis III, reconstituição virtual das etapas do monumento e remontagem física. Nesse contexto foram identificados um pavimento que ligava o portão a uma praça interna e o reaproveitamento da estela de Tibério, que documenta reformas romanas no Templo de Amon e confirma a continuidade, ainda que ressignificada, da tradição faraônica em Karnak sob o domínio de Roma.