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Cientistas desenvolvem tijolo que refresca o ar de forma natural usando apenas água, argila e energia do sol

A solução combina técnicas antigas de resfriamento com fabricação moderna

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Cientistas desenvolvem tijolo que refresca o ar de forma natural usando apenas água, argila e energia do sol
O ar quente passa pelos canais úmidos e sai mais fresco do outro lado

Um novo tipo de tijolo de terracota promete ajudar cidades quentes a enfrentar o calor sem depender de ar-condicionado em todos os espaços. O sistema, chamado bloc°, usa água, argila e energia solar para resfriar o ar por evaporação. Em vez de refrigerar ambientes fechados como um aparelho tradicional, a ideia é criar pontos de alívio térmico em locais públicos, como paradas de ônibus, praças e calçadas muito expostas ao sol.

Como esse tijolo consegue refrescar o ar?

O funcionamento se baseia em um princípio antigo: o resfriamento evaporativo. A terracota é porosa e consegue absorver água. Quando o ar quente passa pelos canais úmidos do tijolo, parte dessa água evapora. Nesse processo, o calor é retirado do ar, que sai do outro lado mais fresco.

O diferencial está no desenho modular e no uso de ventilação alimentada por energia solar. O tijolo não trabalha sozinho como uma peça comum de construção. Ele faz parte de um sistema pensado para direcionar o fluxo de ar. Confira os elementos principais:

  • Módulos de terracota impressos em 3D;
  • Canais internos que retêm água;
  • Passagem de ar quente pela estrutura úmida;
  • Evaporação da água dentro do material poroso;
  • Ventiladores pequenos movidos por energia solar;
  • Redução localizada da temperatura ao redor do sistema.

Por que a argila é tão importante nesse projeto?

A argila cozida, usada na terracota, tem uma combinação valiosa para esse tipo de solução. Ela é resistente, moldável e naturalmente porosa. Isso permite que a água fique distribuída pelos canais e microporos, sem transformar a peça em um reservatório fechado. Quando o ar circula, a evaporação acontece na superfície úmida do material.

Além disso, a terracota já faz parte da história da arquitetura em regiões quentes. Vasos, filtros, telhas e paredes de barro sempre foram usados para lidar com calor, sombra e umidade. O projeto atual não inventa a evaporação, mas reorganiza esse princípio em uma peça modular, desenhada para cidades modernas e fabricada com impressão 3D.

Cientistas desenvolvem tijolo que refresca o ar de forma natural usando apenas água, argila e energia do sol
Paradas de ônibus e praças expostas ao sol estão entre os usos possíveis

Esse tijolo substitui o ar-condicionado?

Não exatamente. O objetivo do bloc° não é refrigerar uma casa inteira como um ar-condicionado convencional. A proposta é reduzir o calor em pontos específicos, principalmente em áreas externas onde instalar climatização tradicional seria caro, ineficiente ou inviável. Em uma parada de ônibus, por exemplo, alguns graus a menos já podem mudar bastante a sensação térmica de quem espera.

A comparação com o ar-condicionado precisa ser feita com cuidado. O tijolo não usa compressor, não fecha o ambiente e não controla a temperatura com precisão. Ele oferece resfriamento localizado, dependente da água, da circulação de ar, da umidade do ambiente e da incidência solar disponível para alimentar o sistema.

Onde esse tipo de tecnologia pode ser mais útil?

O uso mais promissor está em espaços urbanos que acumulam calor. Asfalto, concreto, fachadas escuras e pouca vegetação fazem certas áreas ficarem mais quentes do que regiões arborizadas. Em dias extremos, esperar transporte público ou caminhar por calçadas sem sombra pode se tornar desconfortável e até arriscado para idosos, crianças e pessoas vulneráveis.

O tijolo de resfriamento pode funcionar melhor em pontos de permanência curta, onde as pessoas precisam de alívio imediato. Alguns exemplos são:

  • Paradas de ônibus expostas ao sol;
  • Praças com pouca sombra natural;
  • Pátios de escolas e universidades;
  • Áreas de espera em hospitais e prédios públicos;
  • Calçadas largas em centros urbanos;
  • Estações e pequenos corredores de circulação externa.
Cientistas desenvolvem tijolo que refresca o ar de forma natural usando apenas água, argila e energia do sol
Pequenos ventiladores movidos a energia solar ajudam na circulação do ar

Quais são os limites dessa solução?

O desempenho do resfriamento evaporativo depende muito do clima. Em locais quentes e secos, a evaporação costuma ser mais eficiente. Em regiões muito úmidas, a água evapora com mais dificuldade, o que reduz o efeito de resfriamento. Por isso, a tecnologia pode funcionar melhor em algumas cidades do que em outras.

Também existem desafios práticos. O sistema precisa de água, limpeza, manutenção e instalação adequada. Se a peça ficar suja, entupida ou sem reposição de água, o efeito diminui. Antes de qualquer uso em larga escala, seria necessário avaliar durabilidade, custo, consumo hídrico e adaptação ao clima local.

Por que esse tijolo chama tanta atenção?

A força da ideia está em usar recursos simples para enfrentar um problema cada vez mais comum. Com ondas de calor mais intensas e cidades cheias de superfícies que acumulam temperatura, soluções passivas ou de baixo consumo podem complementar árvores, sombreamento, ventilação urbana e materiais menos absorventes.

O tijolo de terracota não resolve sozinho o calor das cidades, mas mostra um caminho interessante: combinar técnicas antigas com fabricação moderna. Água, argila e sol, quando bem aproveitados, podem criar microclimas mais confortáveis sem exigir aparelhos pesados em cada esquina. Em vez de depender apenas de máquinas, a arquitetura pode voltar a usar o próprio material da cidade para refrescar o ar.