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Coisas da escola antiga que hoje seriam impensáveis
A disciplina na escola era diferente de hoje
Entre quem cresceu nas décadas passadas, é comum lembrar de situações da escola que hoje soariam estranhas. Muitos adultos recordam práticas como ficar de castigo virado para a parede, cópias intermináveis no caderno ou bilhetes na agenda que pareciam sentenças. A chamada nostalgia de infância faz com que essas memórias reapareçam com frequência em conversas de família e redes sociais, quase sempre acompanhadas de comparações com a escola atual.
O que eram as coisas da escola antiga que marcaram uma geração?
Entre as coisas da escola antiga, algumas práticas aparecem com muita frequência nas memórias: ficar em pé no canto da sala, escrever a mesma frase dezenas de vezes, perder o recreio por causa de comportamento ou levar carimbos e recados negativos na agenda. Essas atitudes eram entendidas como formas de corrigir erros e manter a ordem, valorizando mais a obediência do que a escuta.
No Brasil, especialmente até os anos 1990, era comum associar respeito ao medo da punição, e a autoridade do professor raramente era questionada. Ao mesmo tempo, essa escola também traz lembranças de jogos de pátio, merenda compartilhada, cadernos coloridos e amizades duradouras, mostrando como o mesmo espaço combinava afeto, rigidez e convivência comunitária.

Por que ficar de castigo virado para a parede hoje é considerado inadequado?
Entre todas as práticas citadas, ficar de castigo virado para a parede talvez seja uma das mais emblemáticas da disciplina baseada em humilhação. A criança era isolada do restante da turma, de costas para os colegas, por um período que podia durar minutos ou quase toda a aula, com a intenção de provocar reflexão por meio da vergonha e do silêncio.
Pesquisas em educação e psicologia mostram que expor o aluno dessa forma pode afetar a autoestima, gerar ansiedade e dificultar a relação com o aprendizado. Além disso, a legislação brasileira e documentos internacionais sobre direitos da criança reforçam o respeito à dignidade, estimulando que escolas adotem mediação de conflitos, conversas individuais, combinados coletivos e projetos de educação socioemocional em lugar de punições constrangedoras.
Como a nostalgia de infância influencia a visão sobre a escola de hoje?
A expressão nostalgia de infância aparece quando adultos comentam que “naquele tempo era diferente” ou que “ninguém morria por levar castigo”. Essa fala mistura saudade da própria juventude com lembranças seletivas da escola, nas quais muitas vezes se destacam os vínculos criados, as brincadeiras no recreio e a sensação de rotina conhecida, mais do que a rigidez das regras.
Especialistas apontam que a memória tende a suavizar certos detalhes, principalmente quando o presente é percebido como mais acelerado e digital. Nessa perspectiva, castigos como ficar virado para a parede podem surgir quase como “folclore escolar”, mesmo tendo sido experiências desconfortáveis para muitos, e acabam dividindo espaço com lembranças afetivas que sustentam essa nostalgia.
Quais aspectos da nostalgia de infância mais aparecem nas lembranças escolares?
Ao analisar essa nostalgia de infância, é possível notar que a saudade costuma se concentrar em elementos do cotidiano escolar que geravam sentimento de pertencimento e comunidade. Muitos adultos relatam que lembram menos das provas e mais das pessoas, dos rituais e das rotinas que marcavam os dias de aula.
Entre os aspectos emocionais mais citados nas lembranças da escola antiga, destacam-se:
- Convivência diária com colegas da mesma rua ou bairro, fortalecendo laços de vizinhança;
- Rotina previsível de horários, matérias e recreios, trazendo sensação de segurança;
- Brincadeiras presenciais no pátio, sem tecnologia envolvida, como queimada e pega-pega;
- Figuras marcantes de professores e funcionários, que se tornavam referências de cuidado.
Ficar de castigo virado para a parede era algo comum na escola antiga — uma disciplina que hoje muitos considerariam impensável. Tempos diferentes, regras diferentes e memórias que marcaram gerações.
Neste vídeo do canal Nerd Show, com mais de 2.4 milhão de inscritos e cerca de 92 mil de visualizações, essa nostalgia escolar é relembrada:
Como a escola mudou entre a geração antiga e a atual?
A comparação entre as coisas da escola antiga e o modelo atual mostra mudanças na forma de ensinar, avaliar e lidar com a disciplina. Parte das transformações está ligada à tecnologia, como uso de tablets, plataformas digitais e ambientes virtuais de aprendizagem, e parte à preocupação maior com participação estudantil e parceria com as famílias.
Hoje, muitas escolas valorizam o diálogo, a escuta e as metodologias ativas, com projetos, trabalhos em grupo e atividades práticas ao lado das aulas expositivas. Também cresce o cuidado emocional, com presença de orientadores, psicólogos escolares e programas socioemocionais, enquanto práticas constrangedoras, como ficar virado para a parede, são desencorajadas ou proibidas, dando lugar a regras coletivas e responsabilidade compartilhada.
O que permanece da escola antiga na memória afetiva e no desejo para as novas gerações?
Mesmo com tantas mudanças, a nostalgia de infância ligada à escola continua presente em diferentes gerações, que recordam amizades, apelidos, professores marcantes e histórias curiosas de sala de aula. As práticas que hoje seriam impensáveis, como o castigo de ficar virado para a parede, entram nesse repertório como sinais de um tempo em que a educação era conduzida de outra maneira.
Ao revisitar essas lembranças, muitos pais e responsáveis repensam o que desejam para as crianças de hoje: uma escola que preserve o senso de comunidade, o vínculo com colegas e professores e a convivência cotidiana, mas que atualize suas formas de correção e cuidado. Assim, o passado funciona como referência crítica, e não como modelo a ser repetido, permitindo que as novas gerações construam histórias escolares com outros desafios e memórias mais respeitosas e inclusivas.