“Deus pra mim é a natureza: a árvore, o sol, a água”, diz Anitta sobre ‘Equilibrivm’ - Super Rádio Tupi
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“Deus pra mim é a natureza: a árvore, o sol, a água”, diz Anitta sobre ‘Equilibrivm’

Cantora apresentou álbum lançado na última quinta (16) e falou sobre espiritualidade, política e bastidores do projeto em coletiva

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Anitta. Créditos: Jhuan Martins

A Super Rádio Tupi esteve presente na coletiva de imprensa de Anitta, que apresentou “Equilibrivm”, álbum lançado na última quinta-feira (16). Considerado o trabalho mais confessional da carreira, o disco nasce de um processo de autoconhecimento da artista e propõe uma jornada que mistura fé, amor, cultura brasileira e reflexões pessoais.

Durante o encontro, Anitta explicou que o projeto foi pensado como uma experiência completa, com começo, meio e fim bem definidos. “Podemos ver o álbum como um ritual, porque ele vai de um ponto que segue uma ideia”, afirmou.

Espiritualidade além da religião

Um dos pilares de “Equilibrivm” é a forma como a espiritualidade é abordada sem se prender a uma única crença. Segundo a cantora, o álbum busca ampliar esse entendimento.

“A gente pode encontrar respostas em várias coisas, e não só na religião”, disse.

A religiosidade aparece de forma simbólica e narrativa ao longo das faixas. “A gente começa com uma pombagira em ‘Desgraça’ e termina com outra pombagira em ‘Meia-Noite’”, explicou, destacando a intenção de dar protagonismo a entidades femininas dentro do conceito do disco.

Anitta também reforçou que espera que o trabalho contribua para debates importantes. “Quando a gente fica muito preocupado em lacrar, às vezes não faz algo incrível. Mas espero que o álbum ajude a combater o preconceito religioso”.

Parcerias que aconteceram naturalmente

Mesmo reunindo nomes de peso, as colaborações do álbum não seguiram um planejamento prévio. De acordo com Anitta, tudo aconteceu de forma espontânea.

“As participações não foram planejadas. Fui mandando e as pessoas foram topando e, quando eu vi, o álbum estava cheio de participações”, contou.

O disco traz nomes como Shakira, Liniker, Marina Sena e Luedji Luna, entre outros.

Sobre Shakira, Anitta destacou a relação pessoal. “Ela é uma amiga muito carinhosa e cuidadosa. Mostrei o álbum pra ela e ela escolheu essa música. Gravamos à distância, fomos alinhando”, disse.

Já a participação de Liniker surgiu a partir de uma conexão fora da música. “A gente conversa muito sobre livros. Mandei ‘Caminhador’ pra ela e ela amou. Não foi nada planejado”.

Política, polarização e redes sociais

Além da espiritualidade, Anitta também abordou temas sociais e políticos presentes no projeto. Para ela, o álbum dialoga com o momento atual do país e das redes.

“Estamos vivendo de uma maneira muito polarizada. Eu sou uma pessoa que acha importante apoiar as minorias. Eu nasci pobre e tive que ralar muito pra chegar onde estou”, afirmou.

A cantora citou ainda um exemplo recente envolvendo o governo federal. “Hoje o Instagram do gov usou o conceito do álbum pra falar sobre o fim da escala 6×1 e eu achei o máximo. Comentei lá que apoio, porque sou a favor das ideias que favorecem as pessoas”.

Ao refletir sobre o comportamento online, Anitta destacou a necessidade de mais empatia. “Eu acho que ninguém fala 100% de besteira. Todo mundo fala pelo menos 1% de coisa boa. O mundo nunca vai melhorar se a gente não conseguir parar com esse ódio um com o outro”.

Um álbum que começa e termina com intenção

A construção de “Equilibrivm” também passa por escolhas simbólicas na ordem das faixas. A abertura fica por conta de “Desgraça”, que introduz o conceito espiritual do disco, enquanto o encerramento acontece com “Ouro”, faixa que funciona como um mantra.

O single “Pinterest”, escolhido para apresentar o projeto ao público, também tem papel central nessa narrativa. “Eu comecei o álbum com ‘Pinterest’ porque ele fala de amor próprio, e eu acho que o amor próprio abre qualquer conversa”, explicou.

Sobre a presença da faixa no disco, ela destacou a escolha da versão em espanhol. “Já tinha muita música em português, e achei que os fãs de língua espanhola iam se sentir menos agraciados”.

Já “Ouro” nasceu de um momento íntimo da artista. “Eu gravei no meu aniversário, nas Ilhas Faroé, com o celular. Eu quase psicografei, fechei os olhos e fui gravando, gravando, gravando…”, contou. “E isso acabou entrando no álbum. Foi muito interessante.”

Capa do álbum. Créditos: Divulgação

Shows mais intimistas e investimento alto

Apesar do apelo popular, a turnê do álbum terá uma proposta diferente. “Teremos shows em escala menor. Pra ir, você tem que ter ouvido o álbum inteiro, porque é o que vou cantar. Não vai ser um show popular, é o conceito do álbum”, disse.

Anitta também confirmou que abrirá apresentações de The Weeknd no México e no Brasil, mas com repertório focado em outra fase da carreira.

Por fim, a artista destacou o alto investimento no projeto. “As pessoas não fazem ideia do que se gasta pra fazer um álbum. É muito dinheiro. Acho que esse foi o que eu mais gastei na vida. Mas eu estava muito afim, muito feliz e gostando”.

Sem fugir das críticas, ela também comentou sobre os ataques que recebe. “Eu não trabalho pensando no público conservador. Eles não consomem meu trabalho. Só me usam pra conseguir engajamento na internet”.

Entre fé, política e música, “Equilibrivm” se apresenta como um projeto que vai além do entretenimento e convida o público a refletir sobre equilíbrio em diferentes aspectos da vida.