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Com 2 bilhões de anos entre Brasil, Venezuela e Guiana, o lugar que inspirou Up: Altas Aventuras e O Mundo Perdido está atraindo olhares

A paisagem de 2 bilhões de anos que parece saída de um filme.

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Para os povos Pemon, Ingarikó e Macuxi, o Roraima é a Casa de Makunaima, herói criador dos indígenas caribes. / Imagem ilustrativa

Uma parede vertical de quase mil metros corta a savana no extremo norte do Brasil. No topo, um platô de 31 km² onde três países se encontram e onde vivem espécies que não existem em nenhum outro lugar do planeta. O Monte Roraima é uma das montanhas mais antigas da Terra e virou destino de trekking para aventureiros do mundo inteiro.

A montanha que os indígenas chamam de Casa dos Deuses

O maciço é um tepui, palavra que na língua dos indígenas Pemon significa Casa dos Deuses. Sua formação remonta ao período pré-cambriano, entre 1,7 e 2 bilhões de anos atrás, o que faz dele uma das estruturas geológicas mais antigas do planeta. A erosão isolou blocos de arenito e quartzito ao longo de milhões de anos e criou platôs cercados por paredões verticais que podem chegar a mil metros de altura.

Para os povos Pemon, Ingarikó e Macuxi, o Roraima é a Casa de Makunaima, herói criador dos indígenas caribes. A lenda conta que a montanha nasceu do tronco da árvore da vida. O cenário impressionou o escritor Arthur Conan Doyle, que se inspirou no platô para escrever O Mundo Perdido em 1912, e décadas mais tarde serviu de referência visual para o filme Up: Altas Aventuras, da Pixar.

2 bilhões de anos e 3 países: como é subir o platô que inspirou O Mundo Perdido. / Créditos: Wikipédia

A tríplice fronteira no topo do platô

O Monte Roraima marca o encontro entre Brasil, Venezuela e Guiana, e a maior parte fica em território venezuelano. O ponto mais alto, chamado Maverick, está a 2.810 metros de altitude do lado venezuelano, enquanto o topo brasileiro chega a 2.734 metros, exatamente no local do Marco da Tríplice Fronteira. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) instalou a primeira placa informativa no marco em 2025.

Do lado brasileiro, o Parque Nacional do Monte Roraima foi criado pelo Decreto Federal 97.887, de 28 de junho de 1989, e protege 116.747 hectares no município de Uiramutã, em Roraima. O parque fica inteiramente dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol e é cogerido por ICMBio, Funai e pela comunidade Ingarikó, o que significa que a visitação pelo lado brasileiro é restrita a estudos científicos autorizados. Todo o turismo passa pela Venezuela.

O que se vê no topo?

O platô é comparado pelos trilheiros a outro planeta. A ausência de intervenção humana preservou paisagens e espécies que se desenvolveram isoladas do restante do continente por milhões de anos.

  • Maverick: ponto mais alto do tepui a 2.810 metros, com vista de 360 graus sobre a Gran Sabana venezuelana.
  • Marco da Tríplice Fronteira: pirâmide de concreto que indica o encontro de Brasil, Venezuela e Guiana a 2.734 metros de altitude.
  • El Foso: cratera com água gelada e cristalina onde os trilheiros costumam mergulhar rapidamente na temperatura de poucos graus.
  • La Ventana: abertura natural na rocha voltada para o tepui vizinho Kukenán, oferecendo uma das vistas mais fotografadas do platô.
  • Vale dos Cristais: área com afloramentos de quartzo onde a coleta é proibida, com fiscalização na saída do parque.
  • Jacuzzis: piscinas naturais rasas com fundo de cristais espalhadas pelo platô.

Como funciona o trekking

Não há trilha oficial pelo lado brasileiro. Todas as expedições partem da Venezuela, pela chamada Rota de Paraitepuy, e exigem guia local credenciado. A caminhada tradicional dura entre 6 e 9 dias e percorre cerca de 90 km ida e volta, começando na comunidade indígena de Paraitepuy, a 1.200 metros de altitude.

Os dois primeiros dias cruzam a Gran Sabana até a base do paredão, com paradas nos rios Tek e Kukenán. A subida em si é feita pela chamada Rampa, uma rota natural aberta em 1884 pelos exploradores Everard Im Thurn e Harry Perkins, e dura entre 4 e 5 horas. Passa por trechos íngremes e pelo famoso Passo das Lágrimas, onde a trilha atravessa por baixo de uma cachoeira. No topo, as pessoas ficam dois dias em acampamentos chamados hotéis, únicos locais autorizados para pernoite.

Como é o clima e a melhor época para subir

O clima do Parque Nacional é tropical quente e úmido, com três meses secos. No topo, as condições mudam por completo. A altitude reduz as temperaturas para faixas próximas de zero à noite, e as chuvas são frequentes o ano inteiro.

🌧️ Chuvosa Mai – Jul
Base: 22-30°C
Topo: 5-15°C
Época caracterizada por rios cheios e muita neblina, exigindo preparo adequado.
⛅ Transição Ago – Out
Base: 23-31°C
Topo: 6-17°C
Clima ameno com chuvas menores e dias abertos, facilitando as caminhadas.
☀️ Seca Nov – Jan
Base: 22-30°C
Topo: 4-16°C
Momento ideal que garante a melhor visibilidade e trilhas mais firmes para exploração.
🏔️ Verão Fev – Abr
Base: 22-30°C
Topo: 5-17°C
Período marcado pela alta demanda de turistas, sendo recomendado planejamento prévio.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo para a região. Condições no topo variam ao longo do dia.

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Como chegar ao Monte Roraima?

O ponto de partida brasileiro é Boa Vista, capital de Roraima, com voos regulares de Brasília, Manaus e São Paulo. De lá, a rota segue por 215 km pela BR-174 até Pacaraima, na fronteira com a Venezuela. Depois da aduana, o caminho continua até Santa Elena de Uairén, cidade-base venezuelana onde as agências reúnem os grupos. De Santa Elena até a comunidade de Paraitepuy são cerca de 90 km em transporte 4×4. Ao voltar, a mochila é revistada pelo Imparque venezuelano, que verifica se nada foi retirado do parque.

Suba a montanha mais antiga do Brasil

O Monte Roraima é um dos poucos lugares do planeta onde a paisagem parece pausada no tempo. Rochas de bilhões de anos, espécies endêmicas e um platô onde três países se encontram acima das nuvens formam um conjunto raro no continente.

Você precisa acordar no topo do tepui e entender por que o platô que inspirou O Mundo Perdido virou um dos maiores desafios de trekking da América do Sul.