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Cora Coralina sobre recomeço: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina” — a lição de uma escritora que publicou o primeiro livro aos 76 anos
Cora Coralina publicou o primeiro livro aos 75 anos: a lição de recomeço de quem escreveu a vida inteira
A doceira de Goiás publicou o primeiro livro aos 75 anos e virou nome maior da literatura do estado
Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas escrevia desde os 14 anos e vendia doces para sustentar a casa. O primeiro livro dela só foi impresso em 1965. Foi com esse volume que Cora Coralina entrou de vez na literatura brasileira.
Quem foi a escritora por trás do pseudônimo?
Uma goiana nascida em 20 de agosto de 1889, na cidade de Goiás, com apenas três anos de escola primária. O pseudônimo veio cedo, ainda na adolescência, quando começou a publicar poemas e contos.
A vida adulta empurrou a escrita para o canto. Casada e depois viúva, ela criou os filhos vendendo livros de porta em porta, cuidando de roça e fazendo doces para vender.
O retorno a Goiás, na maturidade, reabriu o caminho. Foi lá, na casa velha da ponte, que ela organizou os versos guardados por décadas.
A casa onde ela morava virou museu na cidade de Goiás. O lugar guarda objetos, manuscritos e a memória da rotina que sustentou a escrita.

Como foi a trajetória até o primeiro livro?
Longa, cheia de desvios e com uma decisão prática no meio do caminho. Aos 70 anos, ela aprendeu datilografia para preparar os próprios originais.
A linha do tempo abaixo resume as datas principais. Repare no intervalo entre o primeiro poema e o primeiro livro.
A idade da estreia aparece com pequenas variações nos registros. A Universidade Estadual de Goiás registra que o livro saiu em 1965, quando a poetisa já contabilizava 75 anos.
Ela ainda publicou dois livros em vida. “Meu Livro de Cordel” saiu em 1976, e “Vintém de Cobre” chegou em 1983, quando a autora se aproximava dos 94 anos.
O que a frase sobre ensinar diz sobre recomeço?
Ela transforma conhecimento em troca, e não em posse. A frase mais repetida da autora resume isso: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”.
Na prática, essa ideia aparece na própria biografia dela. Quem passou décadas cozinhando, vendendo e criando filhos chegou à escrita com material que nenhum curso ensina.
O reconhecimento nacional veio ainda mais tarde. Foi por volta de 1980 que o país inteiro passou a lê-la. O empurrão veio de um artigo de Carlos Drummond de Andrade sobre os versos da escritora goiana.
Existe idade certa para publicar o que você guarda?
A história dela sugere que não, e que o material melhora enquanto a vida acontece. O primeiro livro chegou quando muita gente já teria arquivado o sonho na gaveta.
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