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Criada por Dom Pedro II em 1843, esta cidade só recebeu oficialmente o título de Cidade Imperial em 1981, quase um século após o fim da monarquia

O título de Cidade Imperial só chegou em 1981.

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Petrópolis, RJ - Créditos: depositphotos.com / diegograndi

Muitos apelidos de cidades nascem do uso popular e nunca chegam ao papel. Petrópolis, na serra fluminense, fez um caminho curioso: foi criada por decreto de Dom Pedro II em 1843, mas só recebeu oficialmente o título de Cidade Imperial em 1981, pela assinatura de um presidente da República. Entre uma data e outra, a cidade guardou palácios, casarões e um traçado urbano que ainda organizam o passeio.

Por que Petrópolis só virou Cidade Imperial em 1981?

Porque o título nunca existiu oficialmente durante a monarquia. Ele foi criado pelo Decreto nº 85.849, de 27 de março de 1981, assinado pelo presidente João Figueiredo, que atribuiu a Petrópolis o nome de Cidade Imperial e determinou a inscrição de edificações, paisagens e conjuntos da cidade nos livros de tombamento do patrimônio federal.

A homenagem se apoiou no fato de a cidade ter abrigado a residência de verão do imperador, segundo artigo publicado na revista Transversos, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O título chegou quase um século depois da Proclamação da República, em 1889, e ajudou a consolidar Petrópolis como destino de turismo histórico.

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Petrópolis (Créditos: depositphotos.com / julioricco)

Quem planejou a cidade da serra?

O nome que mais aparece é o de Dom Pedro II, mas a ideia teve outro arquiteto. A cidade foi criada pelo Decreto Imperial nº 155, de 16 de março de 1843, elaborado pelo mordomo da Casa Imperial, Paulo Barbosa da Silva, que deixou registrado de próprio punho: “Pelo decreto de 16 de março de 1843 comecei a criar Petrópolis”, conforme tese da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

O imperador tinha apenas 18 anos e estava recém-casado com Teresa Cristina quando assinou o documento. As terras da antiga fazenda foram arrendadas ao major Júlio Frederico Koeler, encarregado de erguer a povoação e o Palácio de Verão, de acordo com material oficial da Prefeitura de Petrópolis. O plano urbanístico, descrito pela Prefeitura como arrojado e ecológico, ainda dá forma às avenidas arborizadas do centro histórico.

O que guarda o Museu Imperial?

A antiga residência de verão de Dom Pedro II, construída entre 1845 e 1862. O palácio virou o Museu Imperial por meio do Decreto-lei nº 2.096, de 29 de março de 1940, segundo artigo publicado na revista Cadernos CERU, da Universidade de São Paulo (USP).

A criação do museu, mais de 40 anos antes do título de Cidade Imperial, foi o ponto de partida do turismo histórico na serra. Hoje, o palácio é a principal porta de entrada para entender a rotina da corte nos verões petropolitanos.

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Boa parte das atrações fica a poucos quarteirões do Museu Imperial e pode ser percorrida a pé. – Créditos: depositphotos.com / dabldy

O que visitar no centro histórico de Petrópolis?

Boa parte das atrações fica a poucos quarteirões do Museu Imperial e pode ser percorrida a pé. O roteiro mistura arquitetura do século XIX, histórias da família imperial e alguns endereços menos óbvios.

1
Catedral de São Pedro de Alcântara Em estilo neogótico, abriga o Mausoléu Imperial, com os restos mortais de Dom Pedro II, Teresa Cristina, Princesa Isabel e Conde d’Eu.
2
Palácio de Cristal Estrutura de ferro e vidro encomendada na França pelo Conde d’Eu, inaugurada em 1884 e palco, em 1888, de uma cerimônia de libertação de escravizados.
3
Casa de Santos Dumont Apelidada de A Encantada, foi erguida em 1918 em terreno íngreme e tem escada com degraus em formato de raquete, que só se sobe começando pelo pé direito.
4
Palácio Quitandinha Erguido a partir de 1941 por Joaquim Rolla para ser um grande hotel-cassino, perdeu a função com a proibição dos jogos e hoje recebe atividades culturais.
5
Avenida Koeler Casarões históricos alinhados ao longo de um canal, incluindo a Casa da Princesa Isabel, que pode ser admirada da calçada.

Quando visitar e como chegar a Petrópolis?

O inverno é a estação mais seca, com média de 43 mm de chuva em julho, de acordo com o Climatempo. No verão, a serra pode receber chuvas muito intensas, então vale acompanhar os alertas da Defesa Civil antes de subir.

A cidade fica a cerca de 70 km do Rio de Janeiro, com acesso pela BR-040, a rodovia que liga a capital fluminense a Juiz de Fora e Belo Horizonte.

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Um título que chegou depois da coroa

Petrópolis foi pensada como refúgio imperial, mas só ganhou oficialmente o nome que a define quando o Império já era passado. O título de 1981 não criou a história da cidade, apenas reconheceu e protegeu um conjunto de palácios, avenidas e casarões que resistiu por quase um século de República.

Você precisa subir a serra num dia seco de inverno, caminhar pela Avenida Koeler e entender como uma cidade de veraneio virou, oficialmente, imperial.