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Criado em 1960, o “Mar de Minas” surpreende com cânions de quartzo e um dos maiores lagos artificiais do Brasil
O "Mar de Minas Gerais" encanta turistas com águas imensas, cânions e cenários cinematográficos.
Encravada no sudoeste de Minas Gerais, a 260 km de Belo Horizonte, Capitólio é uma cidade de pouco mais de 10 mil habitantes que virou um dos destinos turísticos mais procurados do interior do país. O motivo é o Lago de Furnas, imenso espelho d’água formado nos anos 1960 pela represa da Usina Hidrelétrica de Furnas, cercado por paredões de quartzito que dão nome ao apelido de Mar de Minas.
Da Mata do Rio Piumhi ao Mar de Minas
A história de Capitólio começou por volta de 1800, quando o esgotamento do ciclo do ouro empurrou colonos rumo à agropecuária. Os portugueses Machado de Faria e Gonçalves de Morais formaram as primeiras fazendas na então chamada Mata do Rio Piumhi. O povoado virou Arraial dos Cabeças em homenagem aos irmãos Franciscos, líderes locais, e recebeu o nome atual em 1920, do latim capit, que significa cabeça.
A grande virada aconteceu entre 1957 e 1963, quando o governo Juscelino Kubitschek tocou a construção da Usina Hidrelétrica de Furnas, a primeira grande do Rio Grande. Segundo a Prefeitura de Capitólio, o alagamento formou o Lago de Furnas com 1.440 km² de superfície e cerca de 3.500 km de perímetro, atingindo 34 municípios e forçando o deslocamento de 35 mil pessoas. Em 1973, o Balneário Escarpas do Lago foi criado e Capitólio começou a se firmar como destino náutico do país.

O que fazer em Capitólio em três dias?
O tempo mínimo indicado é de três dias, com um dedicado ao passeio de lancha pelos cânions, um às cachoeiras terrestres e outro a mirantes e trilhas. A alta temporada vai de junho a agosto.
- Passeio de lancha pelo Lago de Furnas: roteiro clássico de 6 a 7 horas com saída da Marina Escarpas do Lago ou da Ponte do Rio Turvo, com paradas nos cânions, no Vale dos Tucanos e nas cachoeiras.
- Cânions de Capitólio: paredões de quartzito com mais de 20 metros de altura mergulhados no lago, com duas cachoeiras que descem pelas paredes rochosas.
- Mirante dos Cânions: ponto elevado com vista aérea das formações rochosas, acesso pela MG-050, com plataforma e restaurantes ao redor.
- Cachoeira Lagoa Azul: uma das cachoeiras mais fotografadas da região, com piscina natural de tom azul-esverdeado e pousada dentro da propriedade.
- Vale dos Tucanos: formação rochosa em meio ao cânion, parada obrigatória dos passeios de lancha, com águas calmas para contemplação.
- Cachoeira Cascatinha e Cascata: quedas d’água acessadas apenas pelo lago, com trechos de mata preservada em volta.
- Cachoeirinha da Ilha: parada final dos passeios náuticos, com bar flutuante e clima de balada em fins de semana e feriados.
- Escarpas do Lago: bairro-condomínio a 6 km do centro, com resorts, marinas e vista panorâmica do lago do alto.

A tragédia que mudou o turismo em 2022
Em 8 de janeiro de 2022, um enorme bloco de rocha da encosta de um dos cânions se desprendeu e atingiu embarcações de turismo próximas a uma das cachoeiras. O acidente matou 10 pessoas e deixou dezenas de feridos, entre eles turistas de várias cidades brasileiras.
Depois do desastre, o acesso ao Lago de Furnas foi fechado por determinação da Defesa Civil, com investigações da Polícia Civil e da Polícia Federal. Novas normas de segurança foram implantadas para os passeios náuticos, e o banho nas cachoeiras dos cânions passou a ser restrito. Hoje, as embarcações mantêm distância segura dos paredões, e a região seguiu como principal destino turístico do sudoeste mineiro, com movimento restabelecido após meses de fechamento parcial.
Sabores da mesa mineira do lago
A cozinha de Capitólio combina tradição mineira com influência dos peixes do Lago de Furnas. Restaurantes flutuantes servem opções na beira d’água durante os passeios.
- Peixe na telha: preparação típica com tilápia, dourado ou tucunaré do próprio lago, assada sobre telha com queijo, tomate e ervas.
- Feijão tropeiro: legado da rota dos tropeiros que passavam pela região, com feijão, farinha, linguiça e torresmo.
- Cachaças artesanais: produzidas nos alambiques da região, com destaque para as envelhecidas em madeiras nativas.
- Doces caseiros mineiros: doce de leite, compotas e queijo Canastra vindos das fazendas dos arredores.
Qual a melhor época para visitar Capitólio?
O clima é tropical de altitude, com verão chuvoso e inverno seco. A temporada mais movimentada coincide com o inverno, quando as chuvas são raras e o lago fica com nível mais estável.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Nos meses de dezembro a fevereiro, as chuvas podem alterar a coloração do lago e reduzir a visibilidade nos passeios náuticos. O período de junho a setembro concentra a maior parte dos turistas.

Como chegar em Capitólio?
A cidade fica a 260 km de Belo Horizonte, com trajeto de cerca de 4 horas pela MG-050. De São Paulo, a distância é de 385 km, em aproximadamente 5 horas e meia pela Rodovia Fernão Dias (BR-381) e depois pela MG-050.
Não há aeroporto na cidade. Os mais próximos são o Aeroporto de Passos, a 100 km, com voos regionais, e o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins. Não há linhas rodoviárias diretas frequentes, e o acesso mais prático costuma ser por carro próprio ou transfer contratado com agências.
Vá conhecer Capitólio
Poucos destinos brasileiros conseguem entregar cânions de quartzito, cachoeiras cristalinas e um lago artificial maior que muitos países no mesmo endereço. Capitólio segue no ritmo das lanchas que cruzam o Mar de Minas e das noites tranquilas nos resorts das Escarpas.
Você precisa navegar entre os paredões dos cânions e ver o pôr do sol da orla de Furnas para entender por que a pacata cidade mineira virou um dos destinos náuticos mais concorridos do país.