Depois de 20 anos perdendo gelo, a Antártica ganhou 695 bilhões de toneladas entre 2021 e 2023, mas os dados de 2024 mostram que a recuperação foi apenas temporária - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

Depois de 20 anos perdendo gelo, a Antártica ganhou 695 bilhões de toneladas entre 2021 e 2023, mas os dados de 2024 mostram que a recuperação foi apenas temporária

O estranho ganho de gelo da Antártica explicado em números.

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Segundo os próprios pesquisadores da Tongji, o ganho de gelo se deve a uma anomalia de precipitação.

Depois de duas décadas perdendo massa em ritmo acelerado, o gelo na Antártica voltou a crescer entre 2021 e 2023, segundo estudo chinês que analisou dados de satélites da NASA. A notícia parece boa, mas cientistas alertam que ela não indica reversão do aquecimento global. O motivo do ganho tem raiz numa anomalia climática que, de tão específica, já parou.

Por que o degelo do polo sul deveria preocupar você aqui no Brasil?

Parece coisa distante, mas o gelo do polo sul mexe com o nível do mar em cidades litorâneas do mundo todo, do Rio à Recife. Cada bilhão de toneladas que derrete acaba virando água que escorre pra os oceanos, empurrando a maré um pouquinho mais pra dentro do continente.

É por isso que qualquer sinal na Antártica vira notícia. E foi por isso que o resultado divulgado em 2025, por pesquisadores da Universidade de Tongji, chamou tanta atenção: pela primeira vez em duas décadas, o continente gelado ganhou massa em vez de perder.

A resposta está num par de satélites da NASA, chamados GRACE e sua versão mais nova, GRACE-FO.

Como esse ganho de gelo se distribuiu pelo continente?

O crescimento não foi parelho por toda a Antártica. Ele se concentrou em regiões específicas do lado leste, enquanto a parte ocidental continuou perdendo gelo em ritmo acelerado.

Os principais pontos observados pelo estudo foram estes:

1
Ganho concentrado no leste O crescimento apareceu principalmente nas regiões de Wilkes Land e Queen Mary Land, na Antártica Oriental.
2
Causado por neve, não por frio A anomalia se explica por precipitação acima do normal, com mais neve caindo sobre o continente.
3
Menor pressão sobre o nível do mar A elevação do nível do mar recuou cerca de 0,3 milímetro por ano durante o período estudado.
4
Efeito temporário Dados mais recentes da NASA já mostram que o ganho parou em 2024, e os níveis voltaram a cair.

Como os cientistas mediram um ganho de gelo tão grande de longe?

A resposta está num par de satélites da NASA, chamados GRACE e sua versão mais nova, GRACE-FO. Eles não fotografam o gelo diretamente, medem variações na gravidade da Terra, o que revela onde a massa aumentou ou diminuiu na superfície do planeta.

Os dados coletados desde 2002 mostram uma trajetória bem clara pra Antártica:

  • Entre 2002 e 2010, o continente perdia cerca de 81 gigatoneladas de gelo por ano.
  • Entre 2011 e 2020, essa perda quase dobrou, chegando a 142 gigatoneladas anuais.
  • Entre 2021 e 2023, a tendência se inverteu, com ganho de cerca de 108 gigatoneladas por ano.
  • Em 2024, o ganho parou e a perda voltou a aparecer nos dados mais recentes.

É por isso que o resultado, mesmo sendo positivo pro curto prazo, é tratado com cautela pelos cientistas: ele mostra uma variação, não uma virada.

Leia também: Família ocupa chácara abandonada há 8 anos, investe R$ 120 mil em plantação e galinheiro, e herdeiros reaparecem exigindo reintegração com demolição de tudo.

Esse ganho recente compensa a perda das últimas duas décadas?

Não, e nem se aproxima disso. As perdas acumuladas em vinte anos superam com folga o ganho do último triênio, o que faz do episódio um respiro pontual, não uma reversão.

A tabela ajuda a ver como o ganho recente cabe dentro de um cenário maior de perda contínua.

Período O que aconteceu Tendência
2002 a 2010 Primeira década de medições GRACE Perda de 81 gigatoneladas de gelo por ano Degelo constante
2011 a 2020 Década seguinte Perda anual quase dobrou, chegando a 142 gigatoneladas Degelo acelerado
2021 a 2023 Anomalia recente Ganho de cerca de 108 gigatoneladas por ano Alívio temporário
2024 em diante Dados mais recentes Ganho parou, com níveis voltando aos de 2020 Volta do degelo

Se o gelo está crescendo, o aquecimento global perdeu força?

Não, e essa é a parte contraintuitiva. Segundo os próprios pesquisadores da Tongji, o ganho de gelo se deve a uma anomalia de precipitação, ou seja, choveu e nevou muito mais que o normal sobre partes do continente. Um clima mais quente carrega mais umidade na atmosfera, o que pode gerar exatamente esse tipo de queda extra de neve na Antártica.

Ou seja, o mesmo aquecimento que preocupa cientistas pode temporariamente fazer o gelo crescer em uma região específica, sem mudar o quadro maior. O ganho recente é uma variação natural dentro de uma tendência que segue sendo de perda.

💡 Curiosidade Uma gigatonelada de gelo equivale a um bloco de mais ou menos 1 km de cada lado, o suficiente pra encher cerca de 400 mil piscinas olímpicas.