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Desenhada como tabuleiro de xadrez em 1855: a capital do Nordeste modelo em qualidade de vida com ruas em linha reta sobre antigos pântanos

Ruas em linha reta, planejamento urbano e antigos pântanos.

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Desenhada como tabuleiro de xadrez em 1855: a capital do Nordeste que virou referência em qualidade de vida
A compacidade explica boa parte do bem-estar percebido pelos moradores. / Imagem ilustrativa

Uma cidade inteira coube numa prancheta antes de existir no chão. Aracaju nasceu de um traçado geométrico encomendado pelo governo da província, e esse desenho de quase dois séculos ainda explica por que a capital de Sergipe se atravessa em poucos minutos.

Como a capital foi desenhada antes de ser construída?

O distrito existia desde 1837, mas virou capital pela Lei Provincial nº 473, de 17 de março de 1855. O presidente da província, Inácio Joaquim Barbosa, havia assumido dois anos antes com ordem de Dom Pedro II para modernizar Sergipe, e a antiga sede em São Cristóvão não servia ao escoamento do açúcar.

O engenheiro Sebastião José Basílio Pirro traçou todas as ruas em linha reta, formando quarteirões simétricos que lembram um tabuleiro de xadrez, numa área dominada por pântanos e charcos. A Prefeitura de Aracaju registra que a pressa do governo impediu o levantamento completo das condições locais, o que gerou erros que causam alagamentos até hoje.

A cidade cresceu inflexível dentro da grade: vales foram aterrados e desapropriações caras aconteceram só para manter a reta. A única exceção foi imposta pelo próprio presidente, que autorizou uma curva na antiga Rua da Frente, hoje a avenida que margeia o Rio Sergipe.

Os bairros mais procurados concentram infraestrutura, arborização e proximidade com a orla – Créditos: depositphotos.com / Cristian_Lourenco

Como a cidade se sai nos rankings de qualidade de vida?

Os números recentes colocam a capital sergipana em posição confortável. No Índice de Progresso Social (IPS) Brasil de 2026, ela somou 66,35 pontos, contra 65,73 no ano anterior, e ficou em 14º lugar entre as 27 capitais e em 3º no Nordeste.

O resultado supera a média nacional, de 63,40 pontos, e deixa a cidade à frente de Recife, Maceió e Salvador, segundo balanço divulgado pela administração municipal. Os maiores avanços vieram em acesso à informação, direitos individuais e educação básica.

O mesmo levantamento aponta um ponto fraco que merece atenção de quem pensa em mudar: a nota de Água e Saneamento caiu. O percentual de domicílios com abastecimento diário de água passou de 97,7% em 2018 para 85,2% em 2025, conforme dados do IBGE citados pela Prefeitura.

O que fazer na orla e no centro?

A geografia plana favorece quem anda a pé ou de bicicleta, e a faixa à beira-mar concentra o lazer gratuito. Os endereços abaixo aparecem no guia de turismo mantido pelo município.

  • Orla de Atalaia: calçadão estruturado com ciclovia, quadras, lagos artificiais, parquinhos e academias ao ar livre.
  • Oceanário de Aracaju: administrado pela Fundação Projeto Tamar, foi o primeiro do Nordeste e o quinto do país, com tanque oceânico de 150 mil litros onde nadam arraias, meros e tubarões-lixa.
  • Passarela do Caranguejo: complexo de bares e restaurantes na orla, referência da culinária sergipana.
  • Museu da Gente Sergipana: espaço interativo no centro histórico, dedicado à identidade e à cultura do estado.
  • Parque Augusto Franco: conhecido como Sementeira, reúne lago, pedalinhos e pistas de caminhada na zona sul.
  • Crôa do Goré: banco de areia no Rio Vaza-Barris, acessível por barco, um dos passeios mais procurados no verão.

Leia também: A vila onde o mar invade as ruas propositalmente para limpar que está ganhando atenção no Brasil pelo seu centro histórico e um único fiorde tropical do país.

O caranguejo é o prato-símbolo local, servido inteiro com martelo e tábua ou como recheio de pastéis, caldinhos e casquinhas. Moqueca sergipana e carne de sol com queijo coalho completam o cardápio típico dos bares da orla.

Essas praias foram planejadas para viver bem no Nordeste com beleza exuberante e qualidade de vida excelente
Aracaju oferece Orla de Atalaia, Mercado Municipal e Parque da Sementeira; ideal para famílias com acessibilidade e gastronomia local. // Créditos: depositphotos.com / Cristian_Lourenco

Como chegar e circular pela capital sergipana?

A BR-101 corta o estado e liga a cidade a Salvador, ao sul, e a Maceió, ao norte. O aeroporto da capital opera voos domésticos e fica a poucos quilômetros da orla.

Dentro do município, o terreno plano e a grade de ruas retas facilitam a vida. A frota urbana ganhou 15 ônibus elétricos, e a Prefeitura afirma que a cidade foi a primeira capital nordestina a adotar esse tipo de veículo no transporte coletivo.

A cidade que nasceu no papel

A capital sergipana prova que planejamento urbano do século XIX ainda pode facilitar a vida no século XXI. As mesmas linhas retas que exigiram aterrar pântanos hoje garantem trajetos curtos entre casa, trabalho e praia.

Você precisa caminhar pela orla de Aracaju no fim da tarde e entender por que a menor das capitais nordestinas segue surpreendendo quem chega.