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Dolly Parton morre aos 80 anos; relembre a carreira da artista na música
A música norte-americana perdeu nesta terça-feira (25) uma de suas figuras mais emblemáticas
A música norte-americana perdeu nesta terça-feira (25) uma de suas figuras mais emblemáticas. Dolly Parton morreu aos 80 anos, encerrando uma trajetória de mais de seis décadas marcada por sucessos no country, incursões pelo cinema, atuação empresarial e um extenso trabalho filantrópico. A morte foi comunicada pela família nas redes sociais.
A confirmação foi feita por Bryan Seaver, sobrinho da cantora e responsável por sua segurança. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele explicou que o anúncio havia sido planejado pela própria Dolly antes de sua morte e compartilhou uma mensagem sobre a forma como a artista gostaria que sua partida fosse encarada. “A tristeza fica conosco, não com a Dolly. Dolly viveu na luz e está nos braços de Jesus, com certeza, ao lado de Carl [Thomas Dean, seu marido, que morreu em 2025], seus pais e incontáveis outros que a assistiram e que queriam encontrá-la nos céus.”
Na mesma mensagem, Seaver ressaltou a influência exercida pela artista sobre diferentes gerações. “Dolly também abriu as portas para gerações de cantores, compositores, músicos e sonhadores de todos os campos da vida e de todos os continentes. Com seu exemplo, nós acreditamos que tudo era possível. Ela nunca viu uma porta que não pudesse abrir, e as portas que ela abriu fizeram e mudaram a história.”
A morte acontece pouco mais de um ano após a perda de Carl Dean, marido de Dolly por quase seis décadas. O casal permaneceu junto desde 1966, em uma das relações mais duradouras entre personalidades do entretenimento americano. Após a morte do marido, a cantora enfrentou problemas de saúde e chegou a cancelar uma temporada de apresentações prevista para este ano.
Em entrevista à revista People publicada recentemente, Dolly falou sobre o período difícil e admitiu que acabou deixando os próprios cuidados em segundo plano enquanto acompanhava o marido. “não prestou atenção [aos próprios problemas]”. Apesar das dificuldades, ela afirmou que ainda tinha planos profissionais. “Mas ainda estou trabalhando e há muitas coisas que eu ainda quero conquistar”.
Infância humilde e início precoce na música
Dolly Rebecca Parton nasceu em 1946, no condado de Sevier, no Tennessee, em uma família numerosa e de poucos recursos. Ela cresceu ao lado de 11 irmãos em uma pequena casa de apenas um cômodo, sem eletricidade ou água encanada. A situação financeira da família era tão limitada que o médico responsável por seu nascimento teria recebido um saco de farinha de milho como pagamento.
O contato com a música começou dentro de casa. Influenciada principalmente pelas canções religiosas e folclóricas que ouvia da mãe, Dolly aprendeu a tocar instrumentos como violão e banjo ainda criança. Antes mesmo de chegar à adolescência, já fazia apresentações em programas de rádio e televisão.
Em 1959, lançou seu primeiro compacto e começou a construir uma carreira que rapidamente ultrapassaria as fronteiras do Tennessee. O grande salto aconteceu alguns anos depois, quando passou a integrar o programa televisivo do cantor Porter Wagoner, em 1967.
A parceria rendeu sucessos em dueto e ajudou a tornar Dolly conhecida nacionalmente. Com o passar do tempo, porém, sua carreira individual ganhou força e ela decidiu deixar o programa em 1974 para se dedicar aos próprios projetos.
Foi justamente durante essa despedida que Dolly escreveu uma de suas músicas mais importantes. “I Will Always Love You” nasceu como uma composição de adeus a Wagoner e chegou ao primeiro lugar da parada country em duas ocasiões. Décadas depois, a música ganhou uma nova dimensão ao ser gravada por Whitney Houston para o filme O Guarda-Costas, tornando-se um dos maiores sucessos da história da música pop.
Autora de milhares de músicas
Ao longo de sua carreira, Dolly Parton escreveu cerca de 3 mil canções, muitas delas posteriormente gravadas por outros artistas. Suas composições frequentemente partiam de experiências pessoais e de questões sociais, transformando histórias simples em músicas capazes de alcançar públicos muito diferentes.
Entre os exemplos está “Coat of Many Colors”, inspirada na pobreza enfrentada durante sua infância. Já “Down From Dover” abordou a gravidez na adolescência, enquanto “9 to 5” se tornou um símbolo das discussões sobre as dificuldades enfrentadas por mulheres no ambiente profissional.
A canção “9 to 5” também levou Dolly para o cinema. Em 1980, ela estrelou o filme ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin, ampliando sua presença no entretenimento para além dos palcos e estúdios de gravação.
Sua versatilidade também ficou evidente em projetos que passaram pelo country, bluegrass, pop e disco. Entre os trabalhos de maior destaque estão a parceria com Kenny Rogers em “Islands in the Stream” e o álbum “Trio”, gravado com Emmylou Harris e Linda Ronstadt.
De cantora a empresária e filantropa
A influência de Dolly Parton também ultrapassou a indústria fonográfica. No Tennessee, ela criou o Dollywood, parque temático que se transformou em uma das principais atrações turísticas da região e ajudou a consolidar sua imagem como empresária.
Paralelamente à carreira artística, Dolly dedicou parte significativa de sua atuação a projetos sociais. Em 1995, criou a Imagination Library, iniciativa voltada à distribuição de livros para crianças. Segundo informações divulgadas sobre o projeto, mais de 200 milhões de livros foram entregues desde sua criação.
O reconhecimento de sua contribuição artística veio em diferentes momentos. Dolly foi incluída nos Halls da Fama do Country e do Rock & Roll e recebeu 10 prêmios Grammy, além de inúmeras outras homenagens ao longo de sua carreira.
Mesmo depois de décadas de sucesso, a artista continuou próxima de nomes de diferentes gerações. Sua relação com Miley Cyrus, de quem era madrinha, ajudou a aproximá-la de um público mais jovem. Nos últimos anos, também colaborou ou esteve associada a artistas como Beyoncé e Sabrina Carpenter.
Com uma trajetória que começou em uma pequena comunidade rural do Tennessee e alcançou o mundo, Dolly Parton construiu uma carreira que combinou música, cinema, televisão, negócios e filantropia. Seu legado permanece não apenas nos sucessos que escreveu e interpretou, mas também nos artistas que influenciou e nos projetos sociais que ajudaram a transformar a vida de milhões de pessoas.
O texto Dolly Parton morre aos 80 anos; relembre a carreira da artista na música foi publicado primeiro no Observatório dos Famosos.