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Dono de gigante do fast-food entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões após enfrentar crise em rede de comida árabe

Plano envolve reestruturação de marcas consagradas; grupo aponta fatores que levaram ao colapso financeiro da operação após a pandemia

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Restaurante Habib's com fachada vermelha, nome em branco, janelas de vidro, interior iluminado, pessoas
Restaurantes Habib's, como o da imagem, sofreram com a queda de visitas, levando a empresa à recuperação judicial. Foto: Reprodução

O Grupo Genius, dono das redes Habib’s, Ragazzo e das churrascarias Tendal, entrou com um pedido de recuperação judicial com uma dívida declarada de R$ 265,2 milhões. A crise na maior rede de comida árabe do mundo foi resultado de uma combinação de fatores.

Entre os motivos estão a pandemia, a mudança nos hábitos de consumo, promoções agressivas em uma operação apertada e os juros altos. Segundo a empresa, a Covid-19 abriu um buraco entre os investimentos e a operação das lojas, que ficaram esvaziadas.

O grupo possui 119 pontos de venda Habib’s, 26 unidades Ragazzo e seis churrascarias Tendal. Após a pandemia, a mudança no consumo se acentuou com o crescimento das entregas por plataformas online, o que comprimiu as margens de lucro dos restaurantes físicos.

A empresa afirma que o setor observou “alterações relevantes no comportamento de seus consumidores, caracterizadas pela redução da frequência de visitas nas lojas físicas”, impactando negativamente os resultados.

Juros agravaram cenário

O ciclo de elevação da taxa básica de juros, a Selic, também pesou na decisão. A taxa saltou de 2%, em agosto de 2020, para 15%, em junho de 2025. Atualmente, a Selic está em 14% ao ano.

O avanço dos juros, de acordo com a rede, aumentou o custo para obter recursos necessários à manutenção das atividades e ao cumprimento de obrigações, o que levou a inadimplências com fornecedores e problemas operacionais.

Com a recuperação judicial, a Justiça suspendeu as ações e execuções contra as empresas do grupo. A rede tem um prazo de 60 dias para apresentar o plano de reestruturação.

A Justiça negou, porém, o pedido de “quebra das travas bancárias” feito pela rede. O grupo solicitou a liberação de recebíveis e investimentos cedidos como garantia a bancos para ampliar os recursos disponíveis em caixa.