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Eleita 10 vezes consecutivas a melhor praia do Brasil, com águas a 27°C o ano inteiro e piscinas naturais que já apareciam no mapa de 1634
Mapa de 1634 já mostrava suas piscinas naturais.
A 60 km de Recife, no litoral sul de Pernambuco, Porto de Galinhas é a praia que ganhou o título de melhor do Brasil dez vezes consecutivas na avaliação dos leitores da Revista Viagem e Turismo. Guarda uma das mais completas coleções de piscinas naturais do país, formadas por recifes de coral a 200 metros da faixa de areia. Águas mornas o ano inteiro em torno de 27°C, jangadas coloridas conduzidas por jangadeiros credenciados e mais de 30 esculturas de galinhas espalhadas pela vila fazem do balneário do município de Ipojuca um dos destinos mais desejados do Nordeste brasileiro.
De vila de pescadores ao ranking mais influente do turismo brasileiro
A colonização do que hoje é o município de Ipojuca começou em 1560, com a chegada dos primeiros portugueses das famílias Lacerda, Cavalcanti e Rolim Moura. A terra fértil de massapê atraiu os engenhos de cana-de-açúcar que dominaram a região por séculos. Os portos naturais de Suape e Porto de Galinhas, elevados sobre a planície litorânea, fizeram da região um dos principais pontos do comércio triangular colonial. Em julho de 1645, o local foi cenário de uma batalha decisiva contra os invasores holandeses, sob o comando do Capitão-mor Amador de Araújo, com vitória portuguesa em 23 de julho.
O status de destino turístico consolidado veio séculos depois. Segundo a Prefeitura Municipal de Ipojuca, Porto de Galinhas foi eleita dez vezes consecutivas a Melhor Praia do Brasil pela Revista Viagem e Turismo, da Editora Abril, no ranking mais tradicional do turismo brasileiro. O reconhecimento se apoia em três pilares: a beleza das piscinas naturais (as mais próximas da costa em todo o país), a infraestrutura hoteleira consolidada e a proximidade com o Aeroporto Internacional dos Guararapes, em Recife.

A origem controversa de um nome curioso
O nome tem duas versões, ambas registradas em fontes oficiais. A mais difundida remonta ao século XIX. Depois da proibição do tráfico negreiro em 1831 e da abolição definitiva em 1888, africanos escravizados continuaram sendo desembarcados clandestinamente na praia, escondidos sob engradados de galinhas-d’angola vindas da África. A senha que anunciava a chegada era direta: tem galinha nova no porto. O nome ficou, segundo registros da Prefeitura.
Há, porém, uma pista anterior. O nome Porto de Galinhas já aparece anotado no mapa do artista holandês Frans Post, produzido em 1634 durante o período do Brasil Holandês, o que sugere que a referência era popular décadas antes da versão mais conhecida. Nas décadas de 1990, o artista piauiense Gilberto Carcará chegou à vila e começou a esculpir galinhas coloridas em troncos de coqueiros mortos. As peças se espalharam pelas ruas e hoje são o símbolo mais fotografado do destino, com mais de 30 exemplares distribuídos pelo centro turístico.
As piscinas naturais mais próximas da costa do Brasil
A grande atração está a apenas 200 metros da faixa de areia. Quando a maré baixa, os recifes de coral que emolduram a praia formam aquários rasos de fundo transparente, com peixes coloridos nadando a centímetros da superfície. É o motivo por que Porto de Galinhas lidera o ranking do turismo nacional há mais de uma década. O acesso se dá por jangadas coloridas conduzidas por jangadeiros credenciados pela Prefeitura, saindo da orla central em passeios de cerca de duas horas.
A visita depende inteiramente da tábua das marés. Os melhores horários são geralmente pela manhã, quando o mar recua e revela as piscinas com maior transparência. A temperatura da água chega a 27°C o ano inteiro, o que permite mergulhos com máscara e snorkel em qualquer época. Peixes como a donzelinha listrada, o sargento e o peixe-borboleta convivem nos recifes vivos, um dos poucos ecossistemas de coral preservados tão perto da costa brasileira. A recomendação oficial é não passar protetor solar antes do banho para não danificar o recife.
O que fazer em Porto de Galinhas?
O roteiro combina praia, piscinas naturais e passeios pelas praias vizinhas. Boa parte das atrações fica a menos de 15 minutos do centro da vila.
- Piscinas Naturais de Porto de Galinhas: acessadas por jangadas coloridas na maré baixa, principal cartão-postal e motivo do título de melhor praia do Brasil.
- Praia da Vila: praia central de Porto de Galinhas com 4 km de areia branca, quiosques, restaurantes e vida noturna concentrada.
- Praia de Maracaípe: ao lado de Porto de Galinhas, famosa pelo pôr do sol no encontro do rio Maracaípe com o mar e por ser point de surfe.
- Praia de Muro Alto: piscina natural formada por uma barreira de recifes que se assemelha a um muro dentro do mar, com água calma o dia todo.
- Pontal do Cupe: a 5 km da Praia da Vila, com piscinas naturais próprias, bares na areia e opções de stand up paddle e snorkel.
- Projeto Hippocampus: centro de pesquisa e proteção dos cavalos-marinhos do estuário do rio Maracaípe, com passeios guiados educativos.
- Esculturas de Galinhas: mais de 30 galinhas coloridas assinadas pelo artista Gilberto Carcará espalhadas pela vila, roteiro obrigatório de fotos.

Onde comer bem em Ipojuca?
A gastronomia é fundamentalmente marítima, com influência da cozinha pernambucana e do preparo com leite de coco. Restaurantes tradicionais e casas modernas convivem na orla central e nas praias vizinhas.
- Peixada pernambucana: peixe cozido em caldo com leite de coco, tomate, pimentão e coentro, prato símbolo da culinária estadual.
- Camarão na moranga: camarões refogados em molho branco servidos dentro de uma abóbora moranga assada, especialidade dos restaurantes da orla.
- Lagosta grelhada: crustáceo fresco servido inteiro com manteiga temperada, tradição das casas mais sofisticadas.
- Frutos do mar frescos: mariscadas, ensopados de siri e casquinhas de caranguejo servidos em cumbucas de barro nos bares à beira-mar.
- Sobremesas com frutas regionais: mousses de cupuaçu, cocada gelada e sorvetes de graviola, umbu e tapioca fecham a refeição tropical.
Como é o clima ao longo do ano
Porto de Galinhas tem clima tropical litorâneo, quente e úmido o ano inteiro. A alta temporada vai de novembro a março, meses mais secos e ensolarados. Entre abril e agosto, há períodos de chuvas curtas e concentradas que não impedem o passeio às piscinas naturais.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Porto de Galinhas
O principal acesso é pelo Aeroporto Internacional dos Guararapes/Gilberto Freyre, em Recife, com voos diários das principais capitais brasileiras e conexões internacionais. Do aeroporto, o trajeto até Porto de Galinhas leva cerca de uma hora de carro pela Rodovia PE-060. Há opções de transfer, aluguel de carro e transporte por aplicativo. Quem prefere transporte público encontra linhas regulares de ônibus saindo do Terminal Cais de Santa Rita, no centro do Recife, com percurso de cerca de duas horas. Porto de Galinhas integra o roteiro do litoral sul pernambucano com Tamandaré, Praia dos Carneiros e Suape.
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A praia mais premiada do Brasil
Porto de Galinhas entrega o que quase nenhum destino brasileiro consegue reunir: águas mornas o ano inteiro, piscinas naturais a poucos metros da areia, infraestrutura hoteleira consolidada e uma vila charmosa que preserva o encanto da antiga colônia de pescadores. Dez títulos consecutivos de melhor praia do Brasil não vieram por acaso.
Você precisa subir numa jangada colorida em plena maré baixa, mergulhar entre os cardumes das piscinas naturais e terminar o dia vendo o pôr do sol na Praia de Maracaípe para entender por que Porto de Galinhas virou o destino mais desejado do litoral de Pernambuco.