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Eleito destino nº 1 do mundo pela National Geographic, este paraíso de águas com 50 metros de visibilidade esconde fósseis pré-históricos

Com águas de até 50 metros de visibilidade e fósseis pré-históricos.

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Rios tão transparentes que peixes parecem flutuar no ar, uma gruta com 90 metros de lago azul e fósseis de animais pré-históricos no fundo. Bonito, no sudoeste do Mato Grosso do Sul, virou um destino de referência internacional em ecoturismo por reunir uma combinação rara: geologia peculiar, biodiversidade preservada e gestão ambiental rigorosa.

Por que a água de Bonito é tão transparente?

A resposta está no subsolo. A cidade fica sobre a Serra da Bodoquena, formação geológica composta por rochas calcárias que funcionam como filtro natural. A água da chuva percola pelo calcário, dissolve o carbonato de cálcio e deposita as partículas em suspensão antes de emergir nas nascentes.

O resultado impressiona. A visibilidade dentro dos rios chega a dezenas de metros, e a transparência revela cardumes inteiros e a paisagem submersa como um aquário natural, sem tecnologia envolvida. Cada mergulho de máscara e snorkel oferece a nitidez de um documentário submarino.

O reconhecimento internacional consolidou o apelido. Em maio de 2017, a National Geographic incluiu Bonito na lista Best Summer Trips daquele ano, ao lado de destinos como Galápagos, Ruanda e Cocos Island. A publicação destacou o ecoturismo, as cavernas, as cachoeiras e o sistema de vouchers controlados como diferenciais que fazem da cidade um dos melhores lugares do mundo para visitar no verão.

Esse paraíso brasileiro fora do comum conquistou turistas internacionais por um lago azul surpreendente que deixa qualquer um sem fôlego
Venha curtir as cachoeiras refrescantes e trilhas leves de Bonito-MS, um cantinho acolhedor para relaxar na natureza brasileira. // Créditos: depositphotos.com / vbacarin

Uma gruta com 90 metros de água azul e fósseis pré-históricos

O principal cartão-postal esconde mistérios científicos ainda sem resposta. Segundo a Secretaria de Turismo de Bonito, a Gruta do Lago Azul abriga uma das maiores cavidades inundadas do mundo, com profundidade estimada em 90 metros e origem geológica ainda não totalmente esclarecida.

A descoberta oficial foi feita em 1924 por um indígena da região. A entrada da caverna tem cerca de 40 metros de diâmetro, o que permite a passagem de luz solar e ilumina o lago em tons de azul intenso entre setembro e fevereiro, quando o ângulo do sol atinge diretamente a água.

Nas profundezas, expedições científicas encontraram algo raro. O fundo do lago abriga um cemitério de animais extintos, com fósseis de uma preguiça gigante de mais de três metros de altura que viveu na região das Américas. A caverna também é habitat exclusivo de duas espécies pré-históricas, o crustáceo Potiicoara Brasiliensis e o Mega Gnidiella, o que restringe o acesso ao mergulho apenas para pesquisas com profissionais autorizados.

No coração do Brasil, a Capital do Ecoturismo revela águas cristalinas de tirar o fôlego e natureza intocada
Bonito MS é o paraíso das águas cristalinas, onde cada rio revela peixes coloridos, flutuações inesquecíveis e cenários perfeitos para o verdadeiro ecoturismo. // Créditos: depositphotos.com / lspencer

O IPHAN reconheceu antes de virar destino turístico

O reconhecimento oficial veio antes do boom do ecoturismo. Em 1978, a Gruta do Lago Azul e a Gruta de Nossa Senhora Aparecida foram declaradas Monumentos Naturais pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), quando ainda eram desconhecidas do grande público. O objetivo era preservar as estruturas calcárias frágeis, o lago e o ecossistema aquático.

O turismo começou a se desenvolver apenas nas décadas de 1970 e 1980, quando visitantes começaram a descobrir as belezas naturais da região. Antes disso, a economia local se apoiava em uma fazenda chamada Rincão Bonito, adquirida pelo capitão Euzébio Luiz da Costa Leite Falcão em 1869, considerado o pioneiro da cidade.

O município se emancipou apenas em 1948 e mantém, ainda hoje, população de pouco mais de 20 mil habitantes. A gestão do fluxo turístico obedece a regras rígidas: cada atrativo tem limite diário de visitantes, e o acesso a quase todos exige agendamento via agência local e presença de guia credenciado.

O que o Rio Sucuri esconde entre suas curvas

O nome do rio engana. Sucuri não vem de um encontro com a serpente, mas do formato sinuoso do leito, curvas que se assemelham ao rastejar do animal. A nascente fica na Fazenda São Geraldo e oferece uma das flutuações mais concorridas da cidade.

O passeio dura cerca de duas horas. O visitante desce o rio empurrado pela suave correnteza, acompanhado de barco por um guia, com peixes de várias espécies que se aproximam sem medo. A transparência da água é constante durante todo o percurso, sem quedas de visibilidade nas margens.

Outros rios da região oferecem flutuações semelhantes, cada um com particularidades. O Rio da Prata, o Rio Formoso e o Aquário Natural completam o circuito clássico, junto com balneários, cachoeiras e cavernas espalhadas por um raio que raramente ultrapassa 50 km do centro.

O que fazer além das flutuações

Bonito reúne uma variedade de experiências raras em qualquer outro destino brasileiro. Grutas, cavernas, cachoeiras, arvorismos e mergulhos convivem em raio curto, e a maioria pode ser combinada em roteiros de três a cinco dias.

  • Gruta do Lago Azul: descida de 100 metros por escadaria até o mirante do lago cristalino, a 22 km do centro.
  • Flutuação no Rio Sucuri: percurso de duas horas na nascente de águas cristalinas, com grande variedade de peixes.
  • Abismo Anhumas: descida de rapel por 72 metros até uma caverna com lago subterrâneo e formações de cristais.
  • Recanto Ecológico Rio da Prata: flutuação em fazenda com nascentes cristalinas e circuito de trilhas.
  • Grutas de São Miguel: caverna calcária com formações de estalactites e passarela suspensa.
  • Aquário Natural: flutuação na nascente do Rio Formoso, um dos passeios mais curtos e acessíveis.
  • Balneário Municipal: acesso público ao Rio Formoso com estrutura de restaurantes e áreas de descanso.

Leia também: A única capital da Amazônia eleita pela UNESCO onde o açaí não leva açúcar e a gastronomia supera destinos internacionais.

Como é o clima de Bonito durante o ano?

A cidade tem clima tropical úmido, com verões quentes e chuvosos e invernos secos e amenos. As temperaturas altas em janeiro e fevereiro coincidem com o auge do azul do Lago Azul, um dos motivos que faz do verão a alta temporada.

☀️ Verão Dez – Fev
Média: 21-33°C
Chuva: 🌧️ Alta
Aproveite a Gruta do Lago Azul (auge do azul).
🍂 Outono Mar – Mai
Média: 18-30°C
Chuva: 🌦️ Média
Excelente momento para explorar as Flutuações nos rios.
❄️ Inverno Jun – Ago
Média: 13-28°C
Chuva: ☀️ Baixa
Ideal para curtir o Abismo Anhumas e cavernas.
🌺 Primavera Set – Nov
Média: 17-32°C
Chuva: 🌦️ Média
Perfeito para visitar o Rio da Prata e cachoeiras.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

No coração do Brasil, a Capital do Ecoturismo revela águas cristalinas de tirar o fôlego e natureza intocada
Passeios sustentáveis em Bonito-MS, ideais para famílias, com balneários acessíveis e opções de aventura seguras. // Créditos: depositphotos.com / vbacarin

Como chegar à capital do ecoturismo

Bonito fica a cerca de 300 km de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, com acesso pela BR-262 e MS-345 em aproximadamente quatro horas de carro. O Aeroporto de Bonito opera voos regionais, e o Aeroporto Internacional de Campo Grande é a principal porta aérea nacional. A cidade também recebe visitantes vindos de São Paulo, a cerca de 1.100 km, por rodovias federais.

A cidade das águas transparentes

Poucos destinos brasileiros oferecem transparência de aquário natural, uma gruta com fósseis de preguiça gigante e o reconhecimento da National Geographic como melhor destino do mundo para o verão. Bonito consegue tudo isso com regras ambientais que preservam a paisagem e limitam o número de visitantes por dia.

Você precisa conhecer Bonito e flutuar por uma das águas mais cristalinas do planeta para entender por que a capital do ecoturismo virou o cartão de visitas do Centro-Oeste brasileiro.