Eles exploram o deserto egípcio e encontram um cemitério de tubarões a 700 km da costa mais próxima - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

Eles exploram o deserto egípcio e encontram um cemitério de tubarões a 700 km da costa mais próxima

Cemitério de tubarões é encontrado no deserto do Egito: sete espécies viveram no local há 66 milhões de anos

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Eles exploram o deserto egípcio e encontram um cemitério de tubarões a 700 km da costa mais próxima
Cientistas encontram sete espécies de tubarões no deserto do Egito e revelam um antigo oceano (Imagem ilustrativa)

🦈 O que sete espécies de tubarões faziam no meio do deserto?

A areia mais seca do Egito escondia dentes de tubarões que nadaram ali há dezenas de milhões de anos. A descoberta reescreve parte do mapa do planeta. ⬇️

A areia da Meseta de Abu-Tartur, no coração do deserto egípcio, guardava um segredo que ninguém esperava encontrar a centenas de quilômetros da costa atual. Pesquisadores identificaram ali um verdadeiro cemitério de tubarões fossilizados, formado por sete espécies diferentes que conviveram no mesmo mar tropical há dezenas de milhões de anos. O achado confirma que boa parte do norte da África já esteve completamente submersa.

Como fósseis marinhos foram parar tão longe do mar?

A resposta está na geologia do próprio planeta. Durante o Cretáceo Superior, entre 145 e 66 milhões de anos atrás, um oceano chamado Tétis cobria grande parte do que hoje é o deserto do Saara. Quando esse mar recuou ao longo de milhões de anos, deixou para trás camadas de sedimento repletas de vida marinha, hoje transformadas em rocha e fósseis.

A equipe da Universidade do Cairo, liderada pelo paleontólogo Tarek Yassin, encontrou os vestígios na chamada Formação Duwi, uma camada rica em fosfato que se formou justamente onde a produtividade marinha era mais intensa. Esse tipo de rocha costuma preservar dentes e ossos com detalhes impressionantes.

Sete espécies de tubarões aparecem no meio do deserto e ajudam a reconstruir o passado do Egito (Imagem ilustrativa)

Quantos fósseis de tubarão foram encontrados no total?

Ao todo, os cientistas recuperaram 14 dentes fósseis adicionais somados a um grupo inicial já catalogado, reunindo evidências de sete espécies distintas de tubarões pré-históricos. Cada dente carrega um formato próprio, o que permite aos pesquisadores identificar a espécie e reconstruir hábitos alimentares de milhões de anos atrás.

Antes de detalhar cada espécie encontrada, vale entender o que torna esse grupo de tubarões tão relevante para quem estuda a história dos oceanos antigos.

Destaques do cemitério de tubarões

🦷 Cretalamna cf. maroccana: parente próximo dos grandes predadores marinhos do período, com dentes serrilhados robustos.

🌊 Squalicorax bassanii e pristodontus: espécies conhecidas por hábitos oportunistas, incluindo restos de outros animais marinhos.

🏆 Scapanorhynchus cf. raphiodon: primeiro registro dessa espécie já feito na África, considerado um dos exemplares mais recentes já catalogados no mundo.

Fonte: reportagem do Infobae sobre a pesquisa da Universidade do Cairo na Formação Duwi

O que essa descoberta muda para o estudo do clima antigo?

Cada fóssil funciona como uma peça de quebra-cabeça sobre o clima da Terra em outra era. A presença de tantas espécies de tubarões no mesmo ponto indica um ecossistema marinho rico e produtivo, algo que ajuda cientistas a entender como o Saara passou de fundo do oceano Tétis a um dos desertos mais secos do planeta.

O local funcionava como uma espécie de oásis marinho, onde diferentes predadores conviviam graças à fartura de nutrientes trazida pelos depósitos de fosfato. Esse tipo de registro geológico é raro e ajuda a preencher lacunas sobre a vida marinha do Cretáceo em regiões pouco estudadas do continente africano.

O deserto ainda guarda mais segredos como esse?

Muito provavelmente sim. A cada nova escavação, o deserto egípcio revela pedaços de um oceano que desapareceu há dezenas de milhões de anos. É um lembrete de que o chão que pisamos hoje já foi, em outra era, o fundo de um mar cheio de vida. Se você gosta desse tipo de história, vale acompanhar as próximas descobertas da equipe da Universidade do Cairo.