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Elo perdido das “super-Terras” é revelado: estudo ajuda a explicar planetas ausentes no Sistema Solar

Observação de planetas extremamente jovens mostra como mundos inflados perdem atmosfera e evoluem ao longo de bilhões de anos

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A formação de planetas segue como um dos maiores enigmas da astronomia moderna, especialmente quando se trata das chamadas super-Terras e sub-Netunos, mundos comuns em outras estrelas, mas inexistentes no Sistema Solar. A observação de planetas extremamente jovens no sistema V1298 Tau trouxe novas pistas sobre como esses corpos surgem e evoluem.

Localizada a cerca de 350 anos-luz da Terra, V1298 Tau é uma estrela muito jovem, com idade estimada entre 10 e 30 milhões de anos. Em sua órbita, foram identificados quatro planetas recém-formados (b, c, d e e), todos maiores que a Terra, porém com baixa densidade, indicando que ainda se encontram em uma fase inicial e inflada de sua evolução.

Massas e raios dos planetas

Esses planetas apresentam raios entre 5 e 10 vezes o da Terra, mas massas relativamente modestas, variando entre 5 e 15 massas terrestres. Isso sugere a presença de atmosferas espessas e ricas em gás, que tendem a se dissipar ao longo de bilhões de anos. Com o tempo, esses mundos devem encolher até atingir tamanhos típicos de super-Terras e sub-Netunos, preenchendo um elo importante entre planetas jovens e maduros.

A descoberta ajuda a esclarecer por que esses tipos de planetas são os mais comuns na Via Láctea, segundo dados das missões Kepler e TESS, mas não aparecem no Sistema Solar. A hipótese é que, no nosso sistema, a formação e retenção de gás em planetas intermediários seguiram um caminho diferente.

Além de luz visível, o Sol emite radiação em várias faixas do espectro eletromagnético, como raios ultravioleta e infravermelho, essenciais para a vida na Terra, mas também potencialmente prejudiciais.

Como foi possível medir planetas tão jovens?

Estrelas jovens são altamente ativas, o que dificulta medições tradicionais. Para contornar isso, os cientistas usaram as Variações de Tempo de Trânsito (TTVs), analisando pequenas irregularidades nos trânsitos causadas pela interação gravitacional entre os planetas. Foram utilizados dados coletados ao longo de nove anos, com observações do Kepler (K2), TESS, Spitzer e telescópios terrestres.

Os modelos indicam que esses planetas possuem núcleos sólidos entre 4 e 6 massas terrestres, cercados por atmosferas que já começam a se dissipar. Esse processo explica como planetas grandes e pouco densos podem evoluir para os corpos mais compactos observados em sistemas estelares antigos — oferecendo uma resposta concreta para um dos principais mistérios da astronomia planetária.