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Em 1859, apenas 13 coelhos europeus foram soltos na Austrália e, mais de 160 anos depois, o país ainda enfrenta as consequências de uma das maiores crises ecológicas de sua história
Soltura de 13 coelhos em 1859 dá início a uma crise ambiental que ainda afeta a Austrália mais de 160 anos depois
A presença dos coelhos europeus na Austrália ganhou uma dimensão devastadora depois de uma soltura em 1859. Na propriedade de um criador interessado em caça, um pequeno grupo encontrou condições para se multiplicar e avançar pelo território. Mais de 160 anos depois, esses animais continuam associados à perda de vegetação, à erosão do solo e à competição com espécies nativas, exigindo medidas permanentes de controle.
Por que soltaram coelhos europeus na Austrália em 1859?
O episódio mais conhecido aconteceu na propriedade Barwon Park, em Victoria, pertencente a Thomas Austin. Ele queria estabelecer animais para a caça esportiva e recebeu exemplares enviados da Inglaterra. O registro histórico do Museu Nacional Australiano descreve a soltura de 13 coelhos selvagens no Natal de 1859.
Coelhos domésticos já haviam chegado ao país anteriormente, mas essa introdução se tornou um marco da expansão pelo continente. O objetivo recreativo acabou produzindo consequências ambientais duradouras. Em poucos anos, a quantidade de animais na propriedade já demonstrava que a população havia ultrapassado a escala de um pequeno grupo mantido para caçadas.
Como um grupo tão pequeno conseguiu se espalhar?
A capacidade reprodutiva ajuda a explicar a velocidade da invasão. Com alimento e abrigo disponíveis, os animais puderam estabelecer novas populações e ocupar áreas cada vez mais distantes. As condições favoráveis reuniam características que dificultavam conter a expansão:
- Reprodução rápida quando havia recursos suficientes;
- Tocas que protegiam os filhotes e ofereciam abrigo;
- Disponibilidade de vegetação para alimentação;
- Capacidade de recuperação depois de períodos desfavoráveis;
- Dispersão por extensas áreas rurais, além dos limites da propriedade original.

Quais danos a invasão provocou na vegetação e nos animais nativos?
Os coelhos europeus consomem plantas e brotações que sustentariam a recuperação da vegetação. Quando as mudas são comidas repetidamente, algumas árvores e alguns arbustos deixam de se renovar. Assim, o impacto não se resume ao alimento retirado naquele dia: a composição da paisagem pode mudar ao longo dos anos.
A redução da cobertura vegetal também favorece a erosão, deixando o solo mais exposto à ação da água e do vento. Os animais ainda disputam alimento e espaço com a fauna nativa e competem com o gado nas pastagens. Para agricultores, isso representa perda de produção; para os ecossistemas, significa pressão adicional sobre espécies e ambientes já vulneráveis.
O que foi feito para tentar controlar os animais?
A resposta australiana passou por cercas, captura e intervenções nas tocas, além do controle biológico com vírus específicos. Algumas medidas reduziram fortemente as populações, mas não encerraram o problema. A história dessas tentativas reúne resultados e limitações:
Medidas adotadas ao longo do tempo e os limites observados no controle populacional
- 1Cercas extensas buscaram impedir o avanço, mas exigiam manutenção e podiam ser ultrapassadas;
- 2A mixomatose, empregada a partir de 1950, provocou uma grande redução inicial;
- 3A resistência dos animais e mudanças na relação com o vírus reduziram parte desse efeito;
- 4O vírus da doença hemorrágica dos coelhos passou a integrar o controle na década de 1990;
- 5O manejo continuou exigindo a combinação de métodos e acompanhamento das populações.
Uma introdução do século 19 continua exigindo manejo
Os coelhos europeus permanecem um desafio porque populações menores também podem prejudicar a regeneração de plantas sensíveis. Por isso, avaliar apenas a quantidade visível de animais não mostra toda a pressão sobre um ambiente. Manter as populações reduzidas por períodos prolongados é importante para permitir a recuperação da vegetação e diminuir os prejuízos nas áreas rurais.
A soltura associada a Thomas Austin tornou-se um exemplo das consequências de introduzir animais fora de sua distribuição natural. Uma decisão voltada à caça se transformou em um problema de escala continental, com efeitos que atravessaram gerações. Na Austrália, proteger a biodiversidade ainda envolve lidar com essa herança, recuperar habitats e evitar que novas introduções repitam uma trajetória semelhante.