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Em 1928, um casal de imigrantes começou a fazer marzipã na cozinha de casa em São Paulo para vender aos vizinhos, o início de uma das marcas de chocolate mais tradicionais do Brasil
Antes dos chocolates famosos, a Kopenhagen começou com uma receita de marzipã preparada dentro de casa
A Kopenhagen começou com uma receita de marzipã preparada em casa, muito antes de seus chocolates ocuparem vitrines pelo Brasil. Em 1928, Anna e David Kopenhagen, imigrantes da Letônia, transformaram o doce em uma atividade comercial em São Paulo. Ela cuidava do preparo, enquanto ele buscava compradores. Dessa produção doméstica surgiu uma marca que atravessou décadas com bombons, confeitos e produtos reconhecidos por diferentes gerações.
Quem eram Anna e David Kopenhagen?
O casal trouxe da Europa a familiaridade com o marzipã, uma massa doce feita principalmente de amêndoas e açúcar. Em São Paulo, Anna passou a preparar o produto na cozinha da residência, e David saía para vendê-lo. O negócio começou, portanto, com uma divisão de tarefas entre produção e comercialização, antes de contar com loja ou estrutura industrial.
O sobrenome da família se tornou o nome da empresa. Apesar de sua sonoridade europeia, a marca foi criada no Brasil. A origem do empreendimento está na atividade desenvolvida pelo casal em São Paulo, aproveitando uma receita conhecida por eles para conquistar consumidores. A identificação com chocolates viria com a ampliação do catálogo, depois dos primeiros passos na venda de marzipãs.
Por que o marzipã teve importância no começo da marca?
O doce permitia trabalhar tanto o sabor quanto a apresentação. A massa podia ser moldada, e os marzipãs em formatos de bonecos fizeram parte dessa trajetória inicial. Antes dos bombons e dos tabletes, eram esses confeitos que apresentavam o trabalho da família aos compradores. Alguns elementos ajudam a compreender essa primeira fase:
- A receita tinha amêndoas e açúcar como ingredientes centrais;
- A produção era realizada em ambiente doméstico;
- Anna preparava os doces, enquanto David procurava clientes;
- Os formatos moldados diferenciavam a apresentação dos produtos;
- A comercialização dos marzipãs antecedeu a consolidação do negócio de chocolates.

Como a produção caseira chegou às lojas e à fábrica?
Em 1929, o casal abriu uma loja no centro de São Paulo. O ponto comercial representou uma mudança em relação à rotina de preparar doces em casa e sair à procura de compradores. Com um endereço de atendimento, os produtos passaram a ter um espaço próprio de exposição e venda, acompanhando a expansão do empreendimento iniciado no ano anterior.
Outra etapa ocorreu em 1943, com a inauguração da fábrica na Rua Joaquim Floriano, no Itaim Bibi. A estrutura industrial permitiu ampliar a produção e o portfólio. O crescimento envolveu mudanças no modo de fabricar e também de vender: a receita doméstica deu lugar a uma operação com mais produtos, estabelecimentos e capacidade de atender consumidores além da clientela inicial.
Quais produtos ajudaram a construir a identidade da Kopenhagen?
Ao longo das décadas, a empresa passou a reunir chocolates, balas e confeitos com nomes próprios. A variedade ampliou as possibilidades de compra, do doce individual às caixas para presente. Entre os produtos reconhecidos como clássicos no catálogo da marca estão:
Produtos tradicionais que se tornaram referências na trajetória da marca
- 1Língua de Gato, com seu formato característico;
- 2Nhá Benta, um dos nomes mais associados à trajetória da empresa;
- 3Lajotinha, integrante da linha de clássicos;
- 4Cherry Brandy, presente na seleção de bombons;
- 5Bala de Leite, que também faz parte da história da confeitaria da marca.
Uma trajetória que foi além da receita original
A expansão comercial ganhou outros formatos com o passar do tempo. Em 1978, a empresa incorporou cafeterias às lojas, aproximando o consumo de café da venda de doces. Em 1982, iniciou seu sistema de franquias. Esse modelo contribuiu para ampliar a presença da rede, permitindo que outros empreendedores participassem da operação de unidades identificadas pela mesma marca.
O marzipã foi o ponto de partida de uma empresa que construiu sua presença também com chocolates e lojas. A passagem da cozinha de Anna e David para a fábrica, as cafeterias e as franquias mostra etapas distintas desse crescimento. A lembrança da receita inicial permanece como parte da história de uma marca brasileira que nasceu do trabalho de imigrantes e se estabeleceu no comércio de confeitos e chocolates.